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Design e racionalidade

14/04/10 - 03:55 | Atualizado em 14/04/10 - 05:51 Nova sede administrativa do Banco Votorantim une tecnologia e sustentabilidade

Localizado na Avenida das Nações Unidas, ao lado dos shoppings Morumbi e Market Place, a nova sede do Banco Votorantim ocupa 11 andares do Rochaverá Corporate Towers (Torre A) além de área no térreo voltada para recepção, espaço multiuso, áreas técnicas e apoio. O complexo Rochaverá Corporate Towers, que terá quatro torres de alto padrão (duas já concluídas) e que recebeu em 2009 a certificação Green Building, na categoria Gold, seguindo o sistema LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) – Core and Shell é um dos mais modernos do País. O selo é concedido pelo U.S. Green Building Council, uma organização sem fins lucrativos, com sede em Washington, nos Estados Unidos, que tem o objetivo de promover a sustentabilidade ambiental de edifícios.

A escolha do Rochaverá e a experiência de já ter contratado a Edo Rocha Espaços Corporativos anteriormente foram os pontos de partida para a criação da nova casa do Banco Votorantim. “Nosso projeto se baseou no desejo do cliente em ter uma sede prática para o dia a dia, elegante e sem ostentações, mas que deixasse transparecer o momento importante que empresa está vivenciando no cenário nacional”, afirma Edo Rocha, arquiteto e responsável geral pelo projeto que deverá acomodar nos próximos anos até 2.500 funcionários.

Iniciada em 2008 e encerrada em outubro de 2009, a obra contou com projeto de arquitetura e interiores da Edo Rocha Espaços Corporativos e gerenciamento da Cushman & Wakefield. Na coordenação direta, a arquiteta Sonia Barros de Aquino liderou uma equipe formada por Ana Paula Nicolau, Roberta Santiago, Adriana Haddad, Fernanda Pompilio e Camila Gama, cuja área de intervenção chegou a 20.000 m2.

Dos 11 andares, 9 são andares tipo e 2 são atípicos. Para os andares tipo foi elaborado um conceito de ocupação único, buscando a maior flexibilidade possível para os layouts, fazendo pequenas adaptações em função das necessidades específicas das áreas ocupantes. Assim, ficaram bem delimitados os espaços para os usuários de cada andar, visitantes e para as áreas para café, pools de impressão, áreas técnicas, salas de reuniões, armazenamento, entre outras.

“Todos os pavimentos tipo possuem um pool de cinco a seis salas de reunião dotadas de moderna tecnologia, com diferentes dimensões e capacidades. Na entrada de todos foi criada uma área de café ou área de descompressão, atendendo funcionários, visitantes e eventualmente reuniões informais”, afirma Sonia Barros de Aquino, arquiteta responsável pela coordenação do projeto, destacando também que alguns setores da empresa como Recursos Humanos, por exemplo, necessitaram de pequenas salas fechadas, em função das características próprias da área, que requer privacidade em muitos de seus processos, como o de seleção e treinamento.

A coordenadora destaca também que ao longo do core dos andares tipo foram projetados dois gran­des armários em marcenaria (um para cada meta­de do andar), destinados a atender os funcionários em serviços básicos (guarda de paletós, material de uso comum e coleta de lixo reciclável), além de impressoras e bebedouros. Ainda nos andares tipo, o mobiliário utilizado baseia-se em mesas plataforma, aproximando os gestores a seus grupos de trabalho em estilo open office, mantendo os diretores em salas fechadas, porém com divisórias piso-teto em vidro, sempre em posições pré-determinadas em cada andar.

Para os andares atípicos ou especiais, reservados a salas de reuniões, restaurantes para executivos e presidência, foram adotadas cores claras e médias, tons madeirados nas divisórias e persianas de madeira, conferindo um aspecto sóbrio e elegante aos espaços. “Nas recepções destes andares atípicos, dois grandes totens em ônix, com iluminação interna, reservam uma agradável surpresa para quem chega ao pavimento”, afirma a coordenadora Sonia Barros de Aquino.

No térreo, um espaço multiuso com um grande salão para 150 lugares, espaço para eventos, reuniões e apresentações especiais é complementado com o uso de forros especiais nunca antes utilizados no Brasil.


Sustentabilidade e detalhes especiais

Muitos detalhes chamam atenção na obra. As divisórias internas dos andares tipo foram desenvolvidas com um design inédito feito pelos arquitetos especialmente para o projeto e fabricadas especificamente para o Banco Votorantim. “O conceito para estas divisórias foi usar acabamento madeirado com vidro serigrafado em branco, além de uma leve inclinação do fechamento frontal, remetendo à fachada inclinada do prédio”, destaca a coordenadora.

Para os andares especiais foram usados painéis frontais para as salas fechadas com persianas de madeira entre vidros, envoltas em requadro de madeira, com desenhos exclusivos também elaborados pelo escritório de arquitetura, com um resultado final muito elegante. Para as recepções dos andares especiais foram idealizadas divisórias também especiais em vidro argentato, e também levemente inclinadas onde foram deixados nichos para obras de arte. A opção pelo open office é reiterada nos andares tipo, que possuem poucas salas fechadas, basicamente apenas as de reuniões.

Já os conceitos de sustentabilidade nortearam as escolhas de produtos e materiais de acabamentos assim como fornecedores e projetos de infraestrutrura, uma vez que o Banco Votorantim pretende também obter a certificação LEED CI – Commercial Interiors. Desta forma, uma empresa especializada foi contratada para orientar os projetistas nos pré-requisitos a serem seguidos no projeto de interiores, como a previsão de depósitos de lixo reciclável, uso e conservação da água (torneiras com sensores e válvulas de duplo acionamento), gestão de resíduos de obra (enviados para reciclagem), preferência por materiais de acabamento que emitem baixo nível de COV (compostos orgânicos vo­láteis) e que também possuam conteúdo reciclável. Também a produção destes insumos deve ser feita a uma distância não maior que 800 km da obra. Há ainda cuidados a serem observados com a energia, com todos os sistemas ajustados e funcionando sem desperdício, e a presença dos selos Procel ou Energy Star em todos os equipamentos eletroeletrônicos, atestando a opção por modelos que consomem o mínimo de energia possível.

Com relação ao mobiliário, o fornecedor teve que atestar a origem das madeiras, que devem ter certificação FSC – Forest Steward Council (produzidas a partir de manejo sustentável). Também o reuso de mobiliário existente é considerado como positivo para o ganho de pontuação para obtenção da certificação LEED - CI. Por fim, enquanto em obra, procedimentos que garantam a qualidade do ar também tiveram de ser adotados como limpeza de dutos, armazenamento adequado, uso de colas e produtos que não emitam odores e lavagem constante dos pisos, ao invés de var­rição, evitando poeiras em suspensão.


Forros especiais e áreas de lazer

“Outro destaque da obra são os forros no andar térreo, onde já havia um grande pé direito a ser vencido e como partido arquitetônico optamos por fazer um forro inclinado no hall de entrada”, destaca a arquiteta Sonia Barros de aquino. E continua: “Porém, devido à largura não muito grande, escolhemos um forro em formato de ondas para suavizar a transição das alturas”. A coordenadora destaca que após pesquisas junto a vários fornece­dores, encontraram um forro metálico que atendia às expectativas idealizadas, sendo esta a primeira vez que este tipo está sendo utilizado no País. Da mesma forma, o forro da sala multiuso também é novo e não é completamente fechado, com placas presas à laje por uma estrutura auxiliar e que conferem movimento ao ambiente. Este forro também foi usado pela primeira vez em nosso país.

Para descompressão nos andares tipo, o Banco Votorantim optou por áreas de café com TV, máquinas de snacks e outros itens como água, chás e sucos em todos os andares. Estão localizadas logo na entrada do andar, de modo que os visitantes também podem usar este espaço, o que é uma forma simpática de recepcionar não só os funcionários.

O condomínio do Rochaverá oferece no térreo uma praça com paisagismo diferenciado bastante elaborado e agradável, de uso comum de todo o complexo.

Todo o projeto de interiores foi acompanhado de perto pelo cliente, o que muito contribuiu para o resultado final. “o Banco Votorantim foi muito parceiro e participativo, acompanhando todo o processo e não medindo esforços para realizar integralmente o projeto”, ressalta a coordenadora.

Outro parceiro de suma importância foi a ACE Engenharia, responsável pela construção da obra. “Acredito que o sucesso dessa empreitada reside no fato da ACE estar focada exclusivamente em obras de interiores, possibilitando um investimento maior no treinamento especializado dos seus funcionários e a conseqüente agilidade, qualidade e excelência na prestação deste tipo de serviço”, afirma o engenheiro Marcelo Amarante, diretor da empresa. Segundo Amarante, o relacionamento profissional de 20 anos com a Edo Rocha Espaços Corporativos gerou confiança e garantiu o sucesso em todas as etapas. “os incrementos de tecnologia exigidos e a compatibilização com as tecnologias oferecidas pelo edifício demandaram permanentemente uma aten­ção e prontidão de nossa equipe técnica e de suas subcontratadas; por fim, o nível de acabamentos e sofisticação especificados exigiu uma equipe de operários altamente especializados, mas isso não foi um problema, porque essa é a verdadeira ‘praia’ da ACE”, complementa Amarante.

“O Banco Votorantim foi muito parceiro e participativo, acompanhando todo o processo e não medindo esforços para realizar integralmente o projeto”, ressalta a coordenadora.


A visão do cliente

Quando uma obra é bem executada, todas as partes envolvidas ficam satisfeitas. o arquiteto Adriano Marconato, do Banco Votorantim, foi o elo de ligação entre a Edo Rocha espaços corporativos e o Banco, facilitando o trabalho de implementação do projeto. Segundo ele, foi um processo trabalhoso, mas muito gratificante. “Na Edo Rocha todos foram sempre muito atenciosos, apesar da complexidade do processo”, disse. Marconato lembra que o período de execução – entre 2008 e 2009 – foi propício na hora de negociar com a maioria dos fornecedores, tarefa em que se dedicou diretamente. “Conseguimos ótimos preços e condições com fornecedores de alto padrão”, muito em função de um ano em que a crise econômica afetou a todos, inclusive o Brasil.

O arquiteto destacou ainda que não abriu mão de colaborar para que o Banco Votorantim pudesse ter uma nova sede com ótimo espaço nas estações de trabalho, beleza e tecnologia nos ambientes e as cha­madas áreas de descompressão, que colaboram mui­to na produtividade de todos.


Ficha Técnica

Cliente • Banco Votorantim
Andares • 11 mais Térreo
Área de Intervenção total • 20000 m2
Localização • Av. das Nações Unidas • São Paulo

Arquitetura
Projeto • Edo Rocha Espaços Corporativos Desde 1974, a Edo Rocha Espaços Corporativos desenvolveu mais de 800 projetos, em aproximadamente 5 milhões de metros quadrados, e se especializou no conceito full service. O que significa que estamos aptos para executar todas as etapas de planejamento, projeto e implantação de obras de arquitetura e arquitetura de interiores, com uma equipe composta por arquitetos e engenheiros experientes e qualificados no setor corporativo. Além da alta qualidade estética, a Edo Rocha elabora projetos com perfeita integração e sinergia entre arquitetura externa e de interiores, o que resulta em ganhos de tempo no desenvolvimento da implantação, além de racionalizar os custos de obra e manutenção.


Saiba mais sobre o Rochaverá Corporate Towers

O Rochaverá Corporate Towers, maior complexo de escritórios de alto padrão de são Paulo, está localizado em uma das regiões mais valorizadas da capital paulista. Possui duas de suas quatro torres concluídas e uma terceira com término previsto para 2010. A certificação leed – core and shell obtida em 2009 comprova que o empreendimento atende a todos os requisitos para aliar o máximo aproveitamento dos recursos naturais com a redução do impacto ambien­tal durante a obra e no período de operação.

De propriedade do Autonomy investimentos, o Rochaverá foi concebido pela Tishman Speyer e possui projeto arquitetônico da Aflalo & Gasperini. A construção está a cargo da Método engenharia e o projeto de sustentabilidade é de responsabilidade do Grupo sustentaX.

Ao todo, o Rochaverá está recebendo investimentos da ordem de R$ 600 milhões. As duas primeiras torres entregues, com arquitetura arrojada, marcada pelas fachadas inclinadas, constituem a primeira fase do empreendimento. São idênticas, com 17 andares, totalizando 58 mil metros quadrados da área locável.

Com 11 elevadores cada um – sendo oito sociais, distribuídos em zona baixa e alta, um de serviço e outros dois que darão acesso às garagens – os edifícios têm andares tipo com pé-direito de 2,8 metros e um vão livre entre 11,5 metros e mais de 20 metros em torno de um núcleo de serviços, proporcionando áreas totais de 1,6 mil a 2 mil metros quadrados.

No total, o projeto é constituído por quatro torres de escritórios, conciliando a modernidade das instalações com um projeto arquitetônico e paisagístico diferenciado. Está sendo construído em um terreno de mais de 37 mil metros quadrados. As torres projetadas para o empreendimento totalizam 248 mil metros quadrados de área construída, sendo 130 mil metros quadrados de área de escritórios, conciliando a modernidade das instalações com um projeto arquitetônico e paisagístico diferenciado.

O destaque das instalações do Rochaverá fica por conta do sistema próprio de co-geração de energia elétrica, capaz de atender a 100% da carga de todo o complexo, de forma ininterrupta. A operação integrada e o gerenciamento dos sistemas técnicos – como ar condicionado, elevadores, telecomunicações e proteção contra incêndio – permitem que o empreendimento tenha o melhor aproveitamento de recursos como água e energia, com alta eficiência e baixo custo operacional. Todo o complexo foi projetado para atender aos mais altos padrões internacionais das principais empresas nacionais e estrangeiras.

Maria Fernanda de Araújo, gerente de patrimônio da Autonomy investimentos, destaca que é política de sua empresa e uma de suas funções acompanhar de perto os clientes instalados no complexo, com o objetivo de atender as necessidades e gerar fidelização. O caso do Banco Votorantim, não é diferente: “nosso relacionamento tem excedido as expectativas e sempre fico muito à vontade para contatá-los”, afirma Fernanda, que faz questão de conhecer pessoalmente todos os locatários. “Mesmo com o gerenciamento da Tishman Speyer, é nossa política estar presente e auxiliar os clientes no que for preciso”, afirma. Esta atitude se traduz em resultados, pois a procura pelo Rochaverá continua e praticamente não há mais espaços para locação.

Créditos: Alexandre Negrini Turina • Fotos | Nelson Kon

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