A chance de causar uma primeira boa impressão, não se enganem, é mesmo a primeira. Em ambientes empresariais, as áreas de trabalho, áreas de passagem, espaços de convivência e salas de reuniões interferem diretamente na visão dos funcionários sobre a sua própria empresa e, tão importante quanto, interferem no conceito que os visitantes (fornecedores e clientes) fazem do seu negócio.
Cores, formas, mobiliário, acesso, quantidade de luz e outros aspectos são vistos por quem transita pelos espaços quase inconscientemente, mas acabam interferindo diretamente na imagem das empresas na cabeça das pessoas. Como nem todas podem trocar o mobiliário constantemente e nem todos os espaços recebem luz natural, cabe aos pisos e revestimentos para paredes a função de personalizar os ambientes de acordo com as tendências do momento.
De forma geral, o mercado separa os tipos de revestimentos em duas categorias: os instalados e os aplicados. Entre os instalados destacam-se as mantas vinílicas, cerâmicas e pedras e, entre os aplicados destacam-se os epóxi e os poliuretanos entre outros. A escolha depende muito do tipo de empresa e o uso da área que receberá o piso ou revestimento.
Em 2008, arquitetos, decoradores e empresas ligadas ao setor destacaram muitas novidades e tendências, entre elas o uso cada vez maior de temas ligados à ecologia, explorando as propriedades da madeira e suas diversas nuances como tons, ranhuras e desenhos circulares. Pedras, florais e metais também foram citados como tendências predominantes e novas misturas que buscam a simplicidade elegante dos ambientes.
Volta às raízes
“Não se trata mais de fazer média; hoje, é uma questão de sobrevivência.” A frase bem que poderia ter sido dita por um ambientalista, mas o autor não trabalha exatamente neste ramo. Osmar Versolato, arquiteto paulista, é um dos entusiastas dos temas “orgânicos”, que utilizam materiais ecologicamente corretos ou inspirados na natureza. Um bom exemplo são fabricantes que oferecem pisos cerâmicos que vão dos tons claros como branco e marfim aos tons mais escuros como aroeira e cedro, em linhas que aproveitam os desenhos naturais internos das ranhuras das árvores, remetendo ao rústico sem perder a elegância. “Num ambiente bem planejado, serve tanto para escritórios mais amplos quanto para áreas de trabalho menores, sobretudo pelo leque de opções”, afirma Versolato. Os fabricantes ainda sugerem os tons mais claros para uso residencial, até mesmo em banheiros, local inimaginável para este tipo de material até bem pouco tempo.
Na mesma tendência, vários modelos de pisos flutuantes e laminados já lançados no mercado estão aproveitando os desenhos e texturas da madeira para criar suas peças em três tamanhos diferentes, do quadrado ao retângulo. Além dos tons cedro e tabaco, há o freijó, intermediário entre os dois primeiros. Por se tratar de pisos instalados, a alta versatilidade e resistência favorece a instalação em locais de média circulação com ganhos em design e limpeza. Destaque também para pisos e revestimentos em madeiras nobres, cuja criação foi baseada nos anéis internos de crescimento das árvores. Sua principal característica é a versatilidade, pois permite o revestimento de pisos, paredes, muros e fachadas.
Há também fabricantes tradicionais de pisos laminados e carpetes vinílicos que apresentam novidades todos os anos para um público que prefere a instalação rápida e a versatilidade destes materiais. Em MDF,MDP, chapas de fibra e mantas vinílicas, os tons escuros e étnicos se destacam e mostram a preocupação ambiental que, após a instalação, conferem um aspecto amplo aos ambientes, aumentando a sensação de espaço e simplicidade, sem perder a elegância. “Estes materiais facilitam o nosso trabalho e enriquecem o ambiente, podendo ainda combinar com tons coloridos de acessórios como sofás e cortinas”, sugere Versolato.
Mais que durabilidade
A caminhada tem sido longa, mas o uso das pedras além dos pisos e paredes começa a se expandir. Banheiros, cozinhas e áreas de trabalho já estão sendo idealizados com o uso de materiais que utilizam as diferentes pedras brasileiras como matéria-prima. Os diferentes tratamentos técnicos e estéticos que as pedras vêm recebendo estão seduzindo agora os designers de interiores, que ganham um novo elemento para a composição de ambientes residenciais e comerciais. Desníveis, brilho, mistura com metais, efeitos óticos e florais já podem ser encontrados nos catálogos de vários fabricantes e em projetos contemporâneos.
A tendência floral mais evidente em porcelanatos que apresentam sutileza, adaptabilidade e bom gosto, podendo ser utilizado em ambientes“de estar”de empresas e áreas de descanso e convivência. O movimento das peças fica por conta das cores e desníveis, delicados porém marcantes. Já algumas séries de revestimentos para paredes em pedra trazem de volta um tema cíclico: as formas geométricas. A novidade aqui são os efeitos holográficos e espelhados que dão o toque de modernidade à releitura. Mais uma vez o aspecto orgânico é ressaltado através da união entre mármore, ardósia e vidros.
O cliente come com os olhos
“Os restaurantes estão investindo cada vez mais em design e decoração.” A afirmação é da arquiteta paulista Mariana Cecchini, que há mais de 10 anos atende clientes residenciais, comerciais e corporativos. Segundo Cecchini, os profissionais de arquitetura e decoração estão sendo procurados por bares e restaurantes que buscam oferecer aos seus clientes um ambiente único como diferencial. “Até mesmo restaurantes de menor poder aquisitivo estão prestando maior atenção nas paletas de cores e mobiliário”, destaca. A tendência, neste caso, é tornar o ambiente mais íntimo e aconchegante, mesclando elementos mais formais como o mármore e outras pedras com a madeira, a “bola da vez” em 2008. Para os demais espaços comerciais, a arquiteta lembra que o objetivo de um
negócio será sempre gerar lucro para seus proprietários, o que implica num estudo adequado para que a empresa tenha a melhor “usabilidade” possível, orientado sempre pela estratégia de marketing. Atendimento, cordialidade, bons produtos e serviços continuam sendo essenciais, mas é preciso também investir no olhar dos clientes, porta de entrada para os negócios.
Mais tendências
Peças que reproduzem formas e texturas de pedras naturais também estão sendo muito usadas e surgem em várias composições. Pisos mais foscos, menos “certinhos” também dão o tom. Outro item que já está sendo visto em muitos ambientes são as placas para paredes: feitas de cerâmica ou resina, com texturas e tamanhos variados, elas aparecem com relevos, criando texturas muito interessantes, dispensando até a pintura.
Já quando o assunto são os pisos elevados, há quem diga que eles são todos iguais. De fato, o sistema de colocação e a proposta de uso (geralmente para indústrias e comércio) não altera muito; o que muda são os novos materiais desenvolvidos a cada ano para tornar esta opção mais resistente e bonita. Além do tradicional aglomerado de madeira, uma mistura de aço e concreto celular mostra sua força devido à resistência, praticidade e fácil instalação. Há fabricantes que oferecem mais requinte, incluindo aberturas ou pequenos espaços para que o cliente opte por peças de cores diferentes para compor um pequeno cenário em seu piso, quebrando a monocromia. Há também as tradicionais chapas metálicas – cada vez mais leves e resistentes – e os policarbonatos, ótimas opções para espaços maiores e que terão grande fluxo de pessoas ou terão de suportar cargas maiores. A grande novidade, no entanto, é o uso cada vez maior de pisos elevados que utilizam o leito para a passagem de dutos de condicionadores de ar, pois oferecem um ambiente com uma maior uniformidade na distribuição de temperatura.
Há empresas que utilizam, além dos pisos elevados, uma cobertura em carpete sintético. Nestes casos, os profissionais sugerem o uso de carpetes em placas,tornando o revestimento mais prático e acessível. O uso dos diferentes materiais – carpete, pisos laminados, vinílicos ou emborrachados – depende em grande parte do uso que será dado ao local.
Carpetes combinam com escritórios e ambientes corporativos, sem grandes pressões de cargas; pisos laminados e vinílicos são indicados para locais com maior fluxo e os emborrachados podem ser usados não só como revestimentos para pisos elevados como para a cobertura de contrapisos de concreto. Uma tendência praticamente sem volta é o uso de carpetes com fios de nylon, mais fáceis de limpar e não deixam marcas duradouras após a movimentação de móveis de um ponto para outro. Inicialmente encontrado em rolos, os carpetes em placas ganham mercado por sua praticidade e aproveitamento futuro. Os rolos,apesardeofereceremummelhorpreço por metro quadrado, vem perdendo espaço para as placas e até para outros materiais como pisos frios e policarbonatos.
Metais
O metal também está em alta, principalmente em lojas e escritórios. Assim como os eletrodomésticos e acessórios para banheiros já tinham aderido ao aço escovado, os pisos também chegaram lá: porcelanatos com texturas metalizadas podem ser utilizados sem medo, sozinhos ou em composições com outras cores. O segmento de pastilhas e azulejos, que já se misturou ao vidro, também “casou” com o metal: com inspiração retrô, combinam cores variadas com o aço escovado.
Informação é a chave
Há quem acredite que o excesso de informações possa atrapalhar na hora da compra deste ou daquele piso ou revestimento. Os especialistas são unânimes ao lembrar que a quantidade (e a qualidade) dos materiais tendem a crescer a cada ano, o que só piora a vida de quem se vê cercado de opções. Uma boa alternativa é buscar por si mesmo a informação. Hoje, há dezenas de sites, revistas, jornais e profissionais especializados em quase todo tipo de necessidade, seja para pisos, móveis, tintas, revestimentos ou demais itens necessários.
Carla Lima, designer de interiores e paisagista, diz que é sempre bom procurar lojas especializadas, “onde os vendedores tem total conhecimento dos produtos, desde a fabricação até a garantia”. Outra dica importante é nunca utilizar revestimentos de parede para pisos, por mais resistentes que eles possam parecer: “eles quebram com facilidade e podem trazer problemas sérios”, lembra a profissional. E, por último, nada de afobação: encare a escolha e compra de produtos para reforma e decoração de forma lúdica. Mudanças de ambientes podem ser muito positivas, tanto para a mente quanto para o bolso. Aprenda a escolher e divirta-se.