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Setor financeiro amplia negócios e modifica espaços

24/11/09 - 02:53 | Atualizado em 24/11/09 - 02:53 Tecnologia, segurança e transmissão de informações dão novo formato aos escritórios

O setor financeiro atual começou a tomar forma há pelo menos 40 anos. A partir da década de 1960, contínuos movimentos de retração e de expansão iniciaram um processo que hoje apresenta um segmento diversificado e cada vez mais presente na vida de todos.

Nas décadas de 1960/1970 houve uma forte concentração de capital no setor financeiro, dando origem a grandes conglomerados. Em 1965 existiam 320 instituições bancárias. Nessa época, surgiram os grandes conglomerados que hoje constituem o Bradesco e o Itaú Unibanco. Com a grande reforma do sistema financeiro promovida a partir de 1968, observou-se um período marcado por inúmeras fusões e aquisições. A partir daí, os bancos começaram a diversificar suas atividades e a ampliar o número de agências, sobretudo no varejo. Um mesmo grupo passou a operar com investimentos, financiamento, corretagem, crédito imobiliário, seguro e leasing.

No fim da década de 1980, com a nova Constituição Federal e a reforma do sistema financeiro no Brasil, o Conselho Monetário Nacional (CMN) facultou às instituições financeiras sua organização como uma única instituição com personalidade jurídica própria, os chamados bancos múltiplos. O objetivo era a desregulamentação, tornando possível a formação de novos bancos. Os conglomerados tornaram-se hegemônicos, enxugando com isso o ainda grande número de instituições de pequeno porte. Até então, os bancos conseguiam adicionar elevadas taxas de lucro, obtidas através da intermediação financeira, num ambiente de altas taxas inflacionárias. O faturamento do setor cresceu de forma expressiva e a sua participação no PIB atingiu,em 1989,aproximadamente 24% do Produto Interno Bruto brasileiro.

Ainda assim, a forte presença dos bancos estatais e as limitações regulatórias à participação de instituições financeiras estrangeiras resultavam em baixa competitividade. Com a estabilidade monetária alcançada a partir de 1994, um aumento contínuo da demanda por crédito surgiu. Esse aumento, associado setor financeiro
ao fim dos ganhos inflacionários, pressionou o setor bancário a melhorar sua eficiência operacional, dando início a um período de racionalização e consolidação. O Governo Federal reduziu as restrições à entrada de bancos estrangeiros no mercado brasileiro e, conseqüentemente, a participação desses bancos aumentou significativamente.

Nos últimos anos, o setor bancário e financeiro vem demonstrando uma evolução dinâmica e inovadora no mercado, com rentabilidade elevada. Novas oportunidades e nichos do mercado de crédito não explorados por bancos de grande porte têm sido abordados com êxito. A conseqüência da gradativa redução nas taxas de juros nominais pode levar a uma tendência à diminuição dos spreads em um futuro próximo e um aumento na demanda por crédito.

Desta forma, o movimento e as estratégias dos bancos no Brasil parecem apontar para obtenção de ganhos em escala, com ampliação das bases de clientes e de uma maior oferta de produtos e serviços,o que explica as aquisições e investimentos realizados. Em síntese, os bancos necessitam aumentar o volume de negócios e ganhar produtividade, como forma de preservação da rentabilidade. “O ganho dependerá não apenas das tecnologias que suportam as transações, mas também da capacidade de usar os recursos de colaboração, interação e multimídia para criar novas formas de comércio eletrônico e outros serviços que habilitem mais oportunidades de receita”, afirmou recentemente o economista Jim Greene, vice- presidente do Global Financial Services Practice, em evento no Brasil. Green exemplifica com os correspondentes lotéricos e o Banco Popular do Brasil, evidências da capacidade do sistema financeiro do Brasil de desenvolver novos modelos de negócio. Esse tipo de iniciativa, aliado a uma boa infra-estrutura de automação, cria um cenário de competitividade, em que novas tecnologias - como Mobile Commerce, Certificação Digital, entre outros - podem aumentar a participação das instituições financeiras nas relações entre os diversos agentes econômicos, do varejo às cadeias de suprimentos.


Chamamos de MERCADO FINANCEIRO tudo que engloba o mercado monetário e o de capitais, cuja função é o de propiciar o fluxo de recursos entre poupadores e investidores. Fazem parte do mercado monetário, de uma forma geral, todas as instituições financeiras públicas ou privadas que negociam títulos e valores de curto prazo: bancos comerciais, bancos múltiplos, bancos de investimentos, entre outros.

Já o MERCADO DE CAPITAIS movimenta recursos financeiros de longo prazo. Neste mercado encontram-se toda a rede de bolsas de valores, bancos e companhias de investimento e de seguro; operam com compra e venda de papéis (ações e títulos de dívida em geral). Quando bem desenvolvido, este mercado serve como um termômetro da economia, refletindo seu real desempenho.


Tecnologia para se aproximar dos clientes

Uma expansão no atendimento bancário, privilegiando as transações eletrônicas, sinaliza como um futuro já em curso. O uso do Internet banking cresceu quase 200% nos últimos cinco anos, o que demonstra que esse será um canal cada vez mais importante de serviços. Bancos, corretoras de seguros e seguradoras no Brasil responderam por 21% do mercado local de Tecnologia da Informação (TI) em 2005. De acordo com uma pesquisa realizada pela IDC Brasil à época, essas organizações investiram 3,1 bilhões de dólares. “O Brasil é extremamente dinâmico no setor de finanças. Seu crescimento é mais agressivo e superior ao do mercado de TI em geral”, afirmou Mauro Peres, diretor de pesquisas da IDC Brasil. O segmento no Brasil também é muito mais avançado do que nos demais países da América Latina.“Apesar de diferenças como, por exemplo, o maior número de bancos no País, o Brasil está bem à frente dos outros países da região”, disse o consultor.

De acordo com a IDC, soluções de infra-estrutura representaram mais de 50% dos investimentos bancários em software naquele ano. Quando o assunto é hardware, os servidores tomam conta dos gastos – 40% de todos os servidores (incluindo mainframes) comercializados no mercado total brasileiro são comprados por instituições do setor financeiro. Já no quesito serviços, os bancos ainda terceirizam pouco suas operações. Segundo a pesquisa, apenas 13% dos contratos de outsourcing referem-se a operações. No entanto, os últimos 5 anos tem mostrado um leve crescimento da terceirização de serviços pelo setor. No gráfico Terceirização e Outsourcing, destacam-se serviços prestados por fábricas de software, help desk e processamento de cartões.

Em 2008, o orçamento de TI superou a cifra de R$ 16 bilhões, com um crescimento de 9% no ano. Segundo a FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos, os investimentos cresceram 12%, sendo que 40% do total são despesas de TI, destinados principalmente à aquisição de equipamentos de tecnologia de ultima geração e no desenvolvimento de novas soluções.

No global, hardware e desenvolvimento de aplicações representam, cada um, um terço das despesas totais de TI.


Débito Direto Autorizado (DDA)

E o segmento financeiro tem tudo para continuar sendo um grande comprador de tecnologia no Brasil. Em fase inicial de implantação, o Débito Direto Autorizado (DDA) pretende revolucionar o modo como as pessoas e empresas efetuam seus pagamentos, causando grande impacto nos segmentos de hardware (servidores e armazenamento de dados), software e serviços.

O Débito Direto Autorizado permite o recebimento eletrônico de compromissos de pagamentos,permitindo assim reduzir o número de boletos em papel. A expectativa da Febraban é de diminuir em 50% a emissão dos boletos impressos no prazo de três anos, ganhando agilidade e segurança,entre outras vantagens.

A quantidade de transações processadas pela CIP - Câmara Interbancária de Pagamentos e pelo Banco Central cresceu 14% em 2008, tanto para TEDs como para os bloquetos de cobrança, acompanhando o crescimento da economia até o último trimestre do ano. O valor médio da TED cresceu 9% em 2008 enquanto os bloquetos apenas 4%, acompanhando a inflação anual.

Para Alexandre Vargas, analista dos mercados de servidores e storage da IDC,“a implementação deste projeto já influencia os investimentos em hardware, software e serviços das instituições financeiras participantes, e a tendência é que eles se intensifiquem”. Na primeira fase do projeto, apenas as contas de consumo (água, telefonia e energia) serão beneficiadas.“Se analisarmos o impacto nos mercados de servidores e armazenamento de dados, a demanda por equipamentos será positiva, pois, segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), comprovantes de diversos tipos de pagamentos têm que ser mantidos por até cinco anos, o que demandará uma grande capacidade de armazenamento em curto, médio e longo prazos”, complementa Vargas.

Pela facilidade e segurança que o projeto proporciona, tanto aos usuários como para as empresas que emitem boletos de pagamento, a adesão de ambos poderá ser grande. Considerando que já existem 40 milhões de domicílios com acesso à Internet no Brasil e que as transações via internet banking (pessoa física) aumentam a cada ano, pode-se esperar uma adesão significativa a este serviço. Em recente pesquisa divulgada pela FEBRABAN, o canal de auto-atendimento continua a ser o mais importante, comportando um terço de todas as transações bancárias.

Em segundo lugar aparece o Internet Banking, que já representa 18% do total, observando também um crescimento de cerca de 22% em 2008 nas transações de consulta (saldos, extratos) por este canal. As operações na boca do caixa, que já representaram mais de 20% das transações, hoje correspondem a apenas 10% do total. Por outro lado, em 2008, houve evolução de 25% nas transações efetuadas por meio dos Correspondentes não
Bancários, resultado da contínua e expressiva expansão de unidades neste canal.


Dinheiro de plástico

Respondendo à expectativa positiva da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) para 2009, dados do último mês de junho demonstram que o volume financeiro negociado por meio de todos os plásticos em circulação no mercado (crédito, débito, loja e rede) está na casa de R$ 35,3 bilhões, cifra 19% maior do que o mesmo período em 2008.

A maior parte da cifra foi concentrada nos cartões de crédito, que movimentaram R$ 20,7 bilhões, um aumento de 20% em relação ao ano anterior.

Os cartões de débito, por sua vez, apresentaram um avanço de 21%, com um volume financeiro de R$ 10,1 bilhões. O faturamento dos cartões de loja e rede cresceu 13%, para R$ 4,5 bilhões.

O ano de 2008 terminou com um desempenho ligeiramente superior ao estimado no início do ano. O volume financeiro negociado pelo setor somou ao longo do ano passado R$ 388,7 bilhões, cifra 24% maior do que em 2007. As projeções iniciais eram de fechar 2008 com um crescimento em torno de 22%.

De acordo com Marcelo Noronha, diretor de comunicação da Abecs, o bom resultado do setor reflete a combinação de três fatores: continuidade da migração de meios de pagamento como cheque e dinheiro para o cartão, crescimento das vendas no comércio e ingresso de novos portadores de cartões.

A ABECS conta hoje com um quadro de 40 associados entre empresas emissoras, bandeiras, credenciadoras, processadoras de cartões e de cartões de loja.


Tecnologia que influencia os espaços

A tecnologia modificou não só a relação dos clientes com as instituições financeiras como também suas estruturas físicas (agências, sedes operacionais e administrativas, centrais para processamento de dados, entre outras). Os arquitetos podem fazer a transposição desses novos conceitos para o escritório, considerando os fluxos de informação e decisão, quem se relaciona com quem, como se dá a entrada e a saída de trabalho e o fluxo de pessoas. Os demais detalhes dependem das particularidades de cada empresa: se a atividade requer integração com outros funcionários, o ideal é usar zoneamentos diferenciados sem separações internas ou apenas com divisórias baixas, que tanto delimitam o espaço de cada um como permitem a interação de pessoas e a troca ágil de informações. Quando a tarefa exige grande concentração ou privacidade, as opções passam a ser estruturas mais altas ou as divisórias piso-teto, que configuram espaços fechados. “Os biombos cresceram e hoje voltaram a diminuir de tamanho para facilitar a supervisão”, destaca o designer e ergonomista João Bezerra de Menezes, professor do Departamento de Projeto da FAU-USP. Essa última situação, que é mais indicada para redações de jornal ou bolsas de investimento, por exemplo, acaba predominando mesmo quando não há necessidade de troca de informações, como em setores financeiros ou no centro de operações de telemarketing, tudo em prol da humanização do ambiente de trabalho.

Flexibilidade é outro ponto fundamental a ser considerado na escolha de cada item que irá compor um projeto de escritório para empresas do setor financeiro. As luminárias mais adequadas, por exemplo, são as que evitam ofuscamento e reflexos na tela do computador em qualquer disposição de layout. Para isso, convém empregar forros que propiciem zonas de sombra para suavizar os reflexos, evitando forros baixos e luminárias aparentes, que colocam as lâmpadas diretamente no campo visual.

Também o mobiliário deve ser flexível e ergonômico, com várias possibilidades de ajustes, adaptando-se a funcionários de qualquer porte físico. O piso deve ser elevado e de ótima qualidade, capaz de comportar a infra-estrutura de cabeamento complexa exigida por empresas deste segmento. O pé direito também deve ser elevado, considerando o uso de pisos elevados e forros e, ainda assim, mantendo um ambiente amplo e funcional. Móveis com rodízios também são recomendados pois permitem rápidas reconfigurações de layout, como a transformação de superfícies individuais de trabalho em grandes mesas de reunião, condição importante para grandes corretoras, centrais administrativas de bancos entre outros. Dependendo do número de empregados, um imóvel com área de estacionamento, amplos banheiros, auditórios, salas de reunião e até mesmo heliponto deve ser considerado. Edifícios comerciais que tenham estrutura de compras (restaurantes, caixas eletrônicos, lojas, academias, entre outros) colaboram para a escolha.


Outras necessidades

Há cerca de 101 mil empresas do setor financeiro no Brasil, já inclusos matrizes, filiais, regionais e escritórios representantes. Só o segmento bancário emprega hoje cerca de 500.000 pessoas. Bancos, seguradoras, financeiras, bolsas de valores e bancos de investimento possuem necessidades pontuais e, ao mesmo tempo, similares. Em geral, seus ambientes são de escritórios corporativos em prédios comerciais muito amplos, com um altíssimo grau de transporte e intercâmbio de informações. Em contrapartida, também possuem escritórios regionais de menores dimensões e muitas filiais, embora o crescimento dos diversos segmentos em número de empresas não apresente grandes modificações. Estas unidades regionais são as principais portas de entrada dos clientes no Brasil e suas principais necessidades são monitoramento constante, praticidade e credibilidade.

Essas organizações caracterizam-se pela constante competição pela preferência dos clientes, fato que as obriga a manter seus produtos e serviços sempre de acordo com as últimas e mais modernas tendências. Por isso, atualmente, as instituições financeiras são um dos braços mais dinâmicos em matéria de vanguarda tecnológica e devem estar sempre atualizadas com as novidades de modo que seja possível não apenas oferecer o produto para o cliente, como também o suporte comercial de forma rápida e segura.

Todos estes processos exigem um elevado grau de comunicação que, por sua vez, exige data centers com grande capacidade para armazenamento e processamento de toda a informação que recolhem. Isto requer um cabeamento estruturado que funcione como um sistema nervoso, vital para que todos estes computadores e dispositivos se intercomuniquem. Sem um bom cabeamento estruturado, não existe comunicação rápida, segura e eficiente e, conseqüentemente, seus serviços também deixam de existir. Paralelamente, como as agências bancárias sofrem constantes alterações de layout para melhor se adaptarem às necessidades dos clientes, uma solução de conectividade deve permitir a reutilização sem perda de performance.

Assim, espera-se um desenvolvimento contínuo para data centers, já que a demanda está se focando em alta densidade, escalabilidade, segurança (aterramento), sistemas de identificação e gerenciamento, desempenho, montagem de sistemas em gabinetes ou em acessórios com grande flexibilidade, para garantir a disponibilidade real dos serviços 24 horas por dia, 7 dias por semana, graças à globalização financeira.

Uma das tecnologias que se destacarão neste tipo de instalação é a de conexões para 10 Gigas em cobre ou em fibra. Devem dominar o mercado a médio prazo, graças à sua alta capacidade e desempenho.

Finalmente, a voz sobre IP vive uma etapa de segmentação, já que as instituições não a implementaram completamente. Acredita-se que esta tendência se mantenha nos próximos anos.

Outro fator chave inerente a todo sistema financeiro é a segurança que estas instituições precisam para os sistemas que instalam, desde a estrutura física até a lógica, além da gestão das informações. Os benefícios que decorrem deste fator abrangem toda uma cadeia de mercado, incluindo fabricantes, canais de distribuição, empresas e consumidores, configurando numa variedade de oportunidades e serviços de última geração.“No final, quando as pessoas ligam para seu corretor de seguros e obtêm uma resposta adequada ou quando seu banco executa transações eficazes, rápidas e seguras, o benefício fica evidente”, diz o analista Alexandre Vargas.


Alphaville atrai novos empreendimentos do setor

Amparadas em pesquisas de mercado, as incorporadoras explicam que Alphaville está sendo muito procurada e a classifica como região em processo de consolidação. Reflexo da falta de terrenos na capital paulista – onde estão localizadas a sedes Alphaville classifica-se como região em processo de consolidação da maioria das instituições financeiras do país – a fuga do trânsito e a busca por qualidade de vida apontaram Alphaville como um possível destino para imóveis padrão AAA para escritórios; assim, o bairro segue uma tendência observada na economia local, que é a formação de clusters empresariais. Um cluster é o agrupamento de empresas com atuações semelhantes, o que possibilita uma maior interação e sinergia entre elas. Alphaville pode se tornar um cluster consolidado dos segmentos de tecnologia e de serviços, quebrando o paradigma de que o local somente atrai empresas interessadas na redução do Imposto Sobre Serviços (ISS). Especialistas apontam o interesse para escritórios que funcionam em edifícios inteligentes, com ar condicionado central, sistema de segurança de última geração, funcionamento interno controlado por computadores e com equipamentos que são capazes de economizar energia nos horários de pico, quando ela é mais cara. Avalia-se que empresas dos setores farmacêutico, financeiro, de informática e de telecomunicação são as que mais tem buscado a região. De qualquer forma, o setor financeiro continuará se especializando e oferecendo opções de negócios não apenas para seus clientes como também para outras empresas. Em ano de crise moderada, a expansão já poderá ser notada ao final do ano e mais evidente em 2010.

Créditos: Alexandre Negrini Turina

TAGS: Tecnologia, Segurança, Negócios