Estas duas palavras – luxo e sustentabilidade – eram impossíveis de serem pronunciadas há cerca de 15 anos. Primeiro, porque luxo combinava com exclusividade, fora do comum e, segundo, porque sustentabilidade ainda nem fazia parte do vocabulário de ninguém, muito menos dos consumidores de produtos de luxo.
Nos últimos sete anos, o consumo de bens de luxo no Brasil cresceu 35%, movimentando 2,5 bilhões de dólares anuais, sendo responsável por 70% deste tipo de consumo da América Latina. O mercado brasileiro de luxo, hoje, responde por 3% do PIB e, há alguns anos, vem crescendo a taxas bem mais elevadas que o PIB. A cidade de São Paulo representa 75% do mercado de luxo do Brasil.Assim,empresas seguem investindo na abertura de novas lojas e importação de produtos dos mais variados segmentos.
“Os diretores hoje recebem muitos clientes, se reúnem com funcionários, secretárias, usam realmente suas salas; não é um espaço decorativo”, afirma o designer de produtos Christian Mileu.
Um degrau acima
Nas empresas, o luxo encontra espaço geralmente em áreas mais nobres e de comando, como nas salas de diretoria, que merecem uma atenção especial no ambiente corporativo. A tendência mais evidente é a integração destes espaços com os demais da empresa, sobretudo as áreas imediatamente próximas. Os princípios, valores e o dia a dia de cada empresa devem ser levados em consideração na elaboração dos projetos das salas dos diretores, presidentes e demais cargos de comando. Se antes estes espaços eram considerados quase intransponíveis, o conceito hoje mudou. “Os diretores hoje recebem muitos clientes, se reúnem com funcionários, secretárias, usam realmente suas salas; não é um espaço decorativo”, afirma o designer de produtos Christian Mileu.
Madeiras certificadas: selo verde é o futuro
À primeira vista, nada diferencia uma madeira manejada de outra madeira comum para os olhos de um comprador. A madeira manejada éi extraída da floresta através de um planejamento cuidadoso e com uso de técnicas de exploração de baixo impacto. No plano de manejo se decide, por exemplo, quais espécies serão extraídas, quais árvores serão cortadas e quais ficarão para garantir a regeneração da floresta.
O passo seguinte é transformá-la numa madeira certificada. Seu custo de produção – que inclui um processo para receber um selo de certificação – é um pouco mais alto ainda do que o da madeira simplesmente manejada, devido às exigências adicionais e ao custeio da certificação. A conscientização do consumidor é fundamental para mudar esse quadro, tornando, na ponta, os móveis e revestimentos em madeira certificada cada vez mais comuns. Enquanto isso não ocorre de forma mais difundida, o mercado de luxo tem sido o responsável por grande parte desta demanda, caracterizado como “luxo sustentável”. No mercado da construção civil, setor responsável pela maior parte do consumo de madeira amazônica, a madeira certificada está se fortalecendo. No longo prazo, o novo comportamento das construtoras pode mudar o perfil da área de madeira certificada no Brasil. Estima-se que hoje mais de 80% da produção nacional de madeira com selo verde seja vendida para países europeus, apesar de o Brasil ser o sexto maior produtor mundial, com uma área de 3,6 milhões de hectares de florestas certificadas com o selo FSC (Forest Stewardship Council).
Se o uso passou a ser mais intenso, a escolha de móveis passou a ser ainda mais central e depende do espaço físico, da linguagem arquitetônica da empresa, das atividades que serão exercidas e também do gosto particular do ocupante.“A sala deve combinar com a personalidade do diretor. Não adianta utilizarmos, por
exemplo, madeira escura e mobiliário clássico para uma pessoa muito jovem e moderna. A sala do diretor tem que ser parecida com ele. Deve ter obras de arte, referências a hobbies, coisas que a pessoa gosta, tem que ter a cara do dono”, afirmou a arquiteta Betty Birger em recente entrevista.
Um dos fatores mais importantes na escolha dos móveis para a diretoria é a flexibilidade. Peças mais leves, tecnológicas e adaptáveis ganham prioridade dentro das empresas em contraposição ao mármore e granito , por exemplo. Muitas empresas tem optado por dividir espaços de forma mais racional, reduzindo os tamanhos das salas de diretoria e anexando a elas espaços gourmet e salas de reunião. A ideia por trás da mudança é fornecer privacidade ao diretor e ao mesmo tempo agilidade para se comunicar com a sua equipe, movimentando-se rapidamente para os espaços anexos. A mesa de trabalho, neste processo, aumentou de tamanho e ganhou novos formatos, adequando-se para equipamentos tecnológicos (computador, notebook, palmtops) e, em muitos casos, perdeu gavetas fixas para gaveteiros móveis e pequenos armários com mais espaço e organização. Os formatos ovalados e retangulares das mesas prevalecem.
A madeira continua sendo o material mais usado, não só no Brasil, como em todo o mundo. Tampos de vidro e detalhes em metais dão um toque especial de requinte e valorizam o espaço. Para complementar, cadeiras e sofás confortáveis, os gaveteiros móveis já citados, e pequenas mesas de apoio. “Os tons mais escuros como mogno e tabaco ainda são muito usados, mas as cores mais claras e vivas vem ganhando terreno; detalhes decorativos como suportes para casacos,porta canetas e pequenas estantes também ajudam a dar um ar personalizado ao ambiente”, afirma Mileu.