No final de 2008, as previsões para o mercado de arquitetura e construção civil no País mostravam otimismo para 2009, principalmente no segmento corporativo. Quase um ano depois, o Rio de Janeiro é um exemplo de que essa tendência não só se confirmou como será potencializada num futuro muito próximo.
Este foi o ambiente em que se realizou o RIO ARQUI DAY SHOW 2009, realizado no dia 17 de setembro, na sede do IAB – Instituto dos Arquitetos do Brasil, no Flamengo, Rio de Janeiro. Com organização e realização da Flex Eventos, o RIO ARQUI DAY SHOW 2009 contou com o apoio, além do IAB, da ABDEH – Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar, ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABRAFAC – Associação Brasileira de Facilities, AsBEA – Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura e CREA – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, ambos do Rio de Janeiro, além da OPB – Ordem dos Pregoeiros do Brasil.
O Evento
A abertura do evento foi feita com a presença dos representantes das entidades apoiadoras do evento. Dayse Góis, presidente do IAB-RJ, Agostinho Guerreiro, presidente do CREA-RJ, Fábio Bitencourt, presidente futuro da ABDEH, Sandra Sayão, presidente da AsBEA- RJ, Antonio Carlos, diretor de certificação da ABNT e Ricardo Aronovich, diretor de estratégia e certificação da Ordem dos Pregoeiros do Brasil compuseram a mesa para a abertura dos trabalhos.
Dayse Barbosa de Araújo Góis, Presidente do IAB- RJ destacou que o evento marca o retorno de grandes fornecedores de mobiliário e produtos para arquitetura ao Rio de Janeiro e ao IAB-RJ. “Nós havíamos nos afastado deste contato e a Flex está nos trazendo de volta”, afirmou. Na visão da presidente, o objetivo do evento é uma espécie de homenagem à arquitetura carioca, pois cerca de 30% dos prêmios oferecidos no VI Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa em 2009 foram para projetos de arquitetos da cidade. “Vivemos um momento de grande expectativa com a iminência da Copa e Olimpíadas, com as possibilidades de grandes investimentos que virão. Isso marca mais um momento em que precisamos reafirmar a importância e relevância da arquitetura carioca”, disse a presidente na abertura do evento.
Já Agostinho Guerreiro, Presidente do CREA-RJ, destacou o momento de confiança que o Rio de Janeiro atravessa. “Temos defendido a participação das empresas fornecedoras no dia a dia dos arquitetos e construtores. Hoje vivemos um momento importante em relação às profissões, pois estamos entrando numa nova fase. A credibilidade se reestabelece e a imprensa mundial nos coloca em uma posição privilegiada no cenário econômico.”
Para Fábio Bitencourt, presidente futuro da ABDEH, a promoção do evento e o Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa se somam num mesmo movimento favorável ao Rio de Janeiro. “Estamos muito atentos às questões da saúde, acessibilidade, inovação e tecnologia, o que passa pela arquitetura. O VI Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa é o mais representativo prêmio da arquitetura brasileira hoje, inclusive por premiar estudantes, inclusive dois deles do RJ”, afirmou. Bitencourt ainda elogiou Ricardo Aronovich, diretor da Flex Eventos e representante da Ordem dos Pregoeiros do Brasil no evento, classificando o empreendimento como heróico: “Destaco esta atitude quixotesca do Ricardo, investindo no empreendedorismo e na arquitetura do Rio de Janeiro”, lembrou.
“Fico muito satisfeito de poder participar e compartilhar com esse evento RIO ARQUI DAY SHOW que pra nós tem esta simbologia deste sinal importante que é a valorização do dia a dia do profissional.”
Agostinho Guerreiro, presidente do CREA-RJ
A presidente da AsBEA-RJ Sandra Sayão, foi enfática no momento especial que cidade começa a atravessar. “Nosso entendimento é que nós estamos vivendo um momento histórico ímpar em que a cidade está sendo revista como um todo e não apenas a orla como noutros momentos.” Para ela, a arquitetura surge no RJ naturalmente pelo desenrolar de sua história. A representante dos escritórios de arquitetura também destacou a importância dos profissionais da área para o futuro: “Nós somos fatores importantíssimos para leitura do que a cidade se predispõe a ser e futuramente a crescer. Deixamos para as gerações futuras o que se usa e o que se vê. Temos que ter esta consciência e este evento é um reflexo desta consciência.”
“Foi com grande satisfação que participamos do evento Rio Arq Day Show no Rio de Janeiro. A cidade do Rio esta precisando de acontecimentos desse tipo de oportunidades possibilitando encontros e debates que dinamizem as relações profissionais entre profissionais de arquitetura. Foi muito oportuna a participação de fornecedores apresentando seus produtos criando contatos com os profissionais. De nossa parte, em particular, ficamos muito satisfeitos e envaidecidos com a publicação de nossos projetos na revista e nos anuários bem como nossa a honrosa participação no dia do evento. Agradecemos a oportunidade de encontros com outros profissionais e o reencontro de antigas relações. Seria bastante proveitosa a continuidade de outros eventos promovidos pela Flex, que criariam uma dinâmica de participação cultural de arquitetura tão carente no Rio de Janeiro.”
Marcos Scorzelli, arquiteto
Pela ABNT, o diretor de certificação Antonio Carlos disse que hoje há critérios e certificações voltadas para acessibilidade e sustentabilidade avançados para projetos e construção, “pois a preservação do meio ambiente é um tema globalizado”. Normatização e Certificação estão presentes em todos os segmentos e na arquitetura são uma garantia de um produto ou serviço que atende melhor os anseios do consumidor final. Para Ricardo Aronovich, Diretor de Estratégia e Certificação da Ordem dos Pregoeiros do Brasil, a expectativa é que até 2016 o governo seja o cliente com o maior potencial de compra e aquisição e contratação “da boa arquitetura”. Ele destacou que ainda há muitos órgãos públicos que trabalham através de pregão: “Nosso objetivo é orientar os presidentes de estações públicas e pregoeiros para optarem pelo convite. É inconstitucional contratar escritórios de arquitetura por pregão; o convite garante uma melhor qualidade dos serviços”, possibilitando escolhas mais adequadas dos escritórios de arquitetura. Destacou também que há mais de 20 anos o primeiro evento da Flex foi realizado no IAB-RJ e que um dos objetivos do RIO ARQUI DAY SHOW 2009 é chamar a atenção com relação às oportunidades e desafios até a Copa e Olimpíadas. “Potencial, criatividade e eficiência o Rio de Janeiro tem”, disse, encerrando a abertura do evento.
Apresentações
“A Força da Arquitetura Carioca”. Com este slogan, o RIO ARQUI DAY SHOW 2009 dividiu-se entre o 31o e o 32o Simpósio de Arquitetura e Negócios, entre manhã e tarde respectivamente, com apresentações de diferentes temas. Pela manhã, após a abertura oficial, Bruno Laskowsky, CEO da CCP/Cyrela fez uma concorrida exposição com o tema “Uma nova visão do mercado corporativo”, seguido por Heitor Derbli, da HDAA Arquitetos, que apresentou projetos na área educacional. Ainda neste período, Flávio Kelner, da RAF Arquitetura apresentou o projeto do novo INTO – Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia e o arquiteto Paulo Baruki tratou de projetos de Shopping Centers.
Destaque também para dois projetos em andamento de Marcos Scorzelli, da Scorzelli Arquitetura e Design, uma em área nobre na Barra da Tijuca, recém lançado e o segundo, também corporativo, em local privilegiado na Zona Sul da cidade.
À tarde, o arquiteto Ricardo Nunes, da Casa 3 Arquitetura fez a apresentação “A Relação Cliente/ Arquiteto” seguido de Eduardo Bo, diretor da Hines, que tratou sobre Retrofit no Rio de Janeiro. No final do período, Ruy Rezende, da RRA Arquitetura expôs o tema “Edifícios Corporativos: Sustentabilidade e seus Desafios Tecnológicos”, antecedendo o painel “Arquitetura Carioca: Desafios e Oportunidades”, que contou com a participação dos arquitetos Luiz Eduardo Índio da Costa e Aníbal Coutinho e do diretor de estratégia e certificação da Ordem dos Pregoeiros do Brasil, Ricardo Aronovich.
A ótima presença de público nas apresentações atestou a relevância das discussões e a efervescência dos temas num momento de crescimento da arquitetura carioca.
Mercado Corporativo no Rio de Janeiro
Abrindo as apresentações do dia, Bruno Laskowsky, CEO da CCP/Cyrela, iniciou o 31o Simpósio de Negócios em Arquitetura mostrando ao público os investimentos e panorama do mercado corporativo atual e futuro do Rio de Janeiro. Presente há mais de 45 anos no segmento corporativo no Brasil, a Cyrela criou em 2007 a CCP – Cyrela Commercial Properties – para tratar exclusivamente de imóveis comerciais.
Segundo Laskowsky, no atual cenário pós-crise há um interesse internacional redobrado no Brasil. A CCP atua em três linhas de negócios principais de propriedades comerciais: shoppings centers, áreas de logística e prédios corporativos para locação. Com edifícios corporativos em endereços importantes de São Paulo com diferenciais de serviços e tecnologia e 3 shoppings, estão desenvolvendo no Rio de Janeiro outros 3 projetos, sendo que um será na Barra da Tijuca em parceria com a Carvalho Rossi. “Construiremos um Shopping Center e 8 edifícios comerciais com lajes de mais de 1000 m2 nos próximos 6 ou 7 anos, sendo que agora devemos fazer mais um lançamento especial, onde conseguimos enxergar possibilidades positivas tanto na Barra da Tijuca quanto no restante da cidade”, disse o executivo. No total, entre shoppings e edifícios corporativos, há mais de 500 milhões de reais de investimentos comprometidos.
O modelo de negócio adotado é baseado no movimento de receita gerado com a locação dos imóveis. Na prática, a CCP adquire um terreno, desenvolve o produto e carrega as propriedades criadas em seus ativos, gerando renda através do fluxo, o que qualifica este tipo de investimento. “A previsibilidade de um fluxo futuro de caixa desse negócio é que está atraindo grandes investimentos nesta área para o Brasil”, destacou.
“Acabamos de fazer uma captação de 400 milhões de dólares no exterior para investir nos projetos da CCP; é o primeiro investimento deste tipo nas Américas neste momento pós crise”, disse Laskowsky, que julga que estamos hoje noutro patamar com relação a investimentos. “O ativo imobiliário hoje no Brasil é relativamente barato, mas isso deve mudar em alguns anos”, daí a importância de se investir hoje. A busca dos investidores por produtos que possam gerar renda contínua trará benefícios inéditos à paisagem urbana das grandes cidades, incluindo o Rio de Janeiro. Com isso, os produtos arquitetônicos passam a receber um maior cuidado em todos os aspectos, incluindo normas e certificações, manutenção, certificações de Green Buildings (incorporadas cada vez mais), pois o ativo será explorado continuamente e deve se manter. Isso tudo tem uma implicação em matérias primas usadas nos projetos, por exemplo, o que já vem exigindo qualidade em todos os níveis.
Sobre o potencial do Rio de janeiro, vale destacar que a taxa de vacância na cidade não variou muito no último ano e está em torno de 5%, o que mostra uma demanda reprimida e propícia a investimentos. “Agora nosso desafio é fazer um edifício Triple A no Rio de Janeiro.” Os investimentos nos próximos anos na Barra da Tijuca (shoppings de 48 mil metros quadros expansíveis até 63 mil) e uma parceria com a Cyrela na Gleba de Transição, tiveram como termômetro um primeiro edifício comercial inaugurado recentemente com pouco mais de 490 salas comerciais que foram vendidas em apenas dois dias. “Mais de 60% foram adquiridas por investidores o restante por compradores que farão uso próprio”, o que mostra bem a demanda a ser explorada.
Laskowsky aponta também para um possível nicho para escritórios de arquitetura especializados em obras industriais, segmento crescente no Rio de Janeiro, tanto para novas plantas como para a revitalização e adequação de áreas industriais mais antigas. “A combinação de flexibilidade visual e rigor técnico, disciplina e competência dos escritórios cariocas podem ser mais desenvolvidos, pois nós temos escritórios de arquitetura de renome internacional”, destacou.Com cerca de 200 mil m2 de áreas locáveis, a CCP deverá dobrar este número nos próximos 5 anos. “Nos próximos 8 anos deveremos investir cerca de um bilhão de reais no País, sendo que o Rio de Janeiro é parte importante deste processo. O único impacto negativo da crise foi as postergação de investimentos”, o que parece ter chegado ao fim.
“O evento foi positivo e relevante por ter tido o foco no Rio de Janeiro, sobretudo neste momento em que teremos Copa do Mundo e Olimpíadas nos próximos anos. O timing foi perfeito e o discurso adequado dos participantes servirá de base para este novo projeto de Rio de Janeiro que está em curso.”
Ruy Rezende, Arquiteto da RRA Arquitetura
C.E.O. Centro Empresarial – RJ, 100%
Desenvolvido e incorporado pela CCP, está em desenvolvimento e será incorporado segundo rigorosos padrões de arquitetura, instalações e acabamentos. Serão implantados edifícios corporativos destinados a empresas que buscam uma ocupação racional e eficiente, para tornar o empreendimento uma referência na cidade do Rio de Janeiro na Barra da Tijuca.
O projeto arquitetônico foi desenvolvido pela STA e S&W Arquitetos. Também em desenvolvimento, o Centro Empresarial Metropolitano – RJ, 100% desenvolvido e incorporado pela CCP, terá um complexo composto por 8 edifícios corporativos.
O enfoque é atender às demandas do crescente público da Barra da Tijuca e criar espaço de alta qualidade para empresas de médio e grande porte no Rio de Janeiro. O projeto foi desenvolvido pela Collaço & Monteiro Arquitetos Associados e FEU Arquitetura.
“Como ouvinte e palestrante RIO ARQUI DAY SHOW 2009, gostaria de parabenizar a organização da Flex por esta iniciativa pioneira. A importância deste evento pôde ser medida pela relevância dos arquitetos presentes, tanto no cenário carioca quanto nacional, e pela qualidade dos projetos que apresentaram. Além disto, os debates, com a participação de um público interessado e conhecedor, tornou o dia ainda mais enriquecedor. E uma cidade tão maravilhosa como o Rio de Janeiro merecia um dia que, posso dizer com certeza, se transformou em um marco na história da divulgação da boa arquitetura.”
Eduardo Bo, Diretor de Gerenciamento de Propriedades da Hines para a América do Sul
Projeto do Anexo da Sede da Escola Alemã Corcovado
Os autores Heitor Derbli e Andréa Eboli, da HDDA Arquitetos tiveram a colaboração de Bruno Michel, Rodrigo Scorcelli, Laura Lima e Taís Azevedo para criar um projeto sem mimetismo, conceitualmente limpo. Foi estabelecida uma linguagem tipológica simples, regida pela topografia do terreno, que gerou uma forma que se apóia no mesmo nível e se inicia por uma rótula de planos sobrepostos. A leveza, a permeabilidade e a ventilação natural foram prioridades do projeto, criando um espaço de interação social e com a natureza para os alunos.
“O evento foi uma espécie de homenagem à arquitetura carioca, pois cerca de 30% dos prêmios oferecidos no VI Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa foram para arquitetos cariocas. Agradecemos a Flex por nos possibilitar o retorno de grandes fornecedores de mobiliário e produtos para arquitetura a esta casa.”
Dayse Góis, Presidente do IAB-RJ
Novo INTO Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia
Projeto da RAF Arquitetura, o Instituto atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e se destaca como um centro de excelência no tratamento de doenças e traumas ortopédicos. O prédio (antiga sede do JB) e o terreno contíguo ao imóvel desapropriado da Companhia de Docas do Rio de Janeiro foram escolhidos para construção da nova sede do INTO. O projeto prevê sua implantação em cotas de terreno acima dos níveis existentes, evitando a execução de sub-solos e conseqüente minimização de interferências com o lençol freático. O Novo INTO trará para a área de implantação alto grau de revitalização urbanística. Outros destaques: Estação de tratamento de esgotos (ETE) até o nível de desinfecção; reaproveitamento da água tratada da ETE para utilização nas torres de resfriamento ou em lavagem do piso/irrigação e dispositivos de atenuação de ruídos, entre outros.
“O evento vem se consolidando através dos anos como uma referência no mercado de arquitetura corporativa nacional! Fiquei muito orgulhoso de palestrar esse ano.”
Flávio Kelner, arquiteto da RAF Arquitetura
Shopping Center: indutor de desenvolvimento
O arquiteto Paulo Baruki tem sido o responsável nos últimos anos por muitos projetos de shoppings centers pelo Brasil, seja no projeto de novos ou na ampliação e revitalização de estruturas em atividade, este último, um filão em crescimento: “Os shoppings estão hoje precisando se readaptar à nova realidade de mercado; o consumidor pede shoppings mais modernos”, disse o arquiteto em sua apresentação que abriu o 32o. Simpósio de Negócios de Arquitetura Corporativa. Além de atender às expectativas dos consumidores, Baruki destaca a opção por projetos com linhas contemporâneas e clássicas, que se adaptam mais facilmente às diversas paisagens urbanas pelo País.
Outro aspecto importante já incorporado em seus projetos é a humanização dos espaços, absorvendo a história e a realidade do local onde os shoppings estão instalados e trazendo estes elementos para dentro. Um bom exemplo é o Barra Shopping Sul, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O local, antes pouco apreciado, hoje comporta um moderno shopping com Centro de Convenções, amplo mix de serviços e grande visibilidade para as vitrines das lojas. “Os shoppings estão cada vez mais se abrindo para o mundo lá fora”, destacou Baruki. Neste caso, o uso da madeira conferiu aos ambientes um aspecto mais quente a todo o shopping, contrastando com as temperaturas médias mais baixas do sul do país.
A praça de alimentação também é outro item central em todos os projetos. Baruki destaca que o conforto do usuário deve vir em primeiro lugar em oposição à simples concentração de restaurantes, mesas e cadeiras que marcaram etapas anteriores da evolução dos shoppings.
Apesar de ter projetos em diversos estados, o Rio de Janeiro é central para o trabalho de Baruki e seus associados: “A gente se orgulha de ser carioca e de crescer e pesquisar aqui na nossa cidade”, completou.
O Barra Shopping Sul, uma das obras detalhadas por Baruki no evento, apresenta uma arquitetura diferenciada, com amplos átrios estruturados com perfis metálicos e protegidos por vidros laminados, oferecendo uma linda vista para que os freqüentadores. O conjunto possui torre de escritórios, dois edifícios residenciais e um hotel. O projeto arquitetônico valeu-se de um conceito moderno, com destaque para as coberturas e fachadas pensadas para resgatar a luz natural. Possui sete átrios monumentais, protegidos por vidro, além de duas grandes clarabóias horizontais e três circulares. Além das mais de 300 lojas e grandes megastores, há um espaço de 8,4 mil metros quadrados destinado ao lazer, incluindo oito cinemas e o maior parque temático de diversões indoor da América Latina.
A relação cliente/arquiteto
“Gerenciamento de obras, em geral, é gerenciar problemas; cabe a nós minimizar isso.” A afirmação do arquiteto Ricardo Nunes, da Casa 3 Arquitetura abre a discussão sobre um tema pouco debatido pelos arquitetos e essencial em qualquer projeto. A relação cliente/arquiteto é a base de qualquer projeto e nem sempre é tratada com o cuidado necessário. Por parte do cliente, a pessoa designada para acompanhar o projeto e sua execução quase sempre é leiga, o que exige um bom atendimento do arquiteto e um fluxo de informações constante.
Nunes destaca um exemplo em que o interlocutor da empresa em que seu escritório gerenciou uma obra era um profissional de TI, totalmente leigo. A relação foi tão boa, tão bem executada que a obra foi um grande sucesso, sem atrasos ou falhas. “Soubemos que esse sucesso fez com que esse profissional recebesse uma promoção na empresa”, pois sua credibilidade aumentou perante seus superiores após a obra. “No nosso entender, o arquiteto é o profissional mais qualificado para acompanhar todo o processo, do projeto à entrega final”, disse Nunes, destacando que o conhecimento de todo o processo facilita na hora de elucidar para os clientes cada fase.
Outros elementos comuns em todos os projetos são o conforto, a preocupação ecológica e a ergonomia. Nunes sabe que os custos para uma obra cada vez mais sustentável tendem a ser maiores, mas enfatizou que cabe também ao arquiteto, como gerenciador de todo o processo, conscientizar o cliente sobre a importância destes aspectos, “que podem ser ainda mais custosos no futuro se não forem feitos no momento certo”.
Com isso, o fluxo de informações é primordial. A necessidade de municiar os clientes em todas as fases do projeto com relatórios e porcentagens de evolução da obra, material fotográfico e todo o cronograma de custos, evitando até mesmo atrasos para o pagamento de fornecedores garante transparência e minimiza o estresse. Terminado o processo, o “pós-obra ou pós-venda” é essencial: “É nesse momento que o cliente começará a usar de fato o espaço e é geralmente nessa hora que a maioria abandona o cliente”, disse Nunes. Para ele, esta é a hora de fidelizar, acompanhar a adaptação inicial ao novo espaço e corrigir dúvidas ou pequenos detalhes que possam surgir. Ao fim, destaca que para tudo que fazem utilizam uma seqüência da ações básicas e bem conhecida: PDCA (Planejar, Desenvolver, Checar e Agir). Destes, o planejamento é o principal elemento; sem ele, todas as demais fases ficarão comprometidas e a relação corre sério risco de insucesso.
Como exemplo de projeto, a Casa 3 Arquitetura elaborou um novo projeto para uma empresa multinacional localizada no Rio de Janeiro que, após uma fusão, deseja transferir-se para uma área maior. O imóvel de 1000m2 em frente à Praia de Botafogo foi transformado, com a utilização de linhas simples, cores claras para valorizar a luz natural e a vista privilegiada. Todo mobiliário foi escolhido dentro dos padrões internacionais de ergonomia priorizando assim o conforto de seus funcionários. Entre as duas alas do escritório foi criada uma área de descontração diminuindo a distância entre os setores e promovendo a integração dos funcionários, assim como um café para a área de convívio. Uma grande sala de reuniões, entre as duas alas, foi equipada com os mais modernos recursos de multimídia, facilitando o trabalho.
“Acredito que eventos como este devem ser repetidos com maior freqüência, pois possibilitou uma interação, com a troca de informações e experiências, entre alguns dos melhores profissionais de arquitetura do Rio de Janeiro, expondo e elevando a qualidade dos trabalhos realizados pelos arquitetos de nossa cidade. Vale complementar com a apresentação dos produtos e novidades de empresas envolvidas na área corporativa.”
Ricardo Nunes, Arquiteto da Casa 3
Retrofit: uma alternativa viável para o Rio
Eduardo Bo, diretor de gerenciamento de propriedades da Hines para a América do Sul fez uma apresentação sobre o retrofit executado nos edifícios Castelo e Nilomax, com a manutenção e recuperação das fachadas externas e completa reestruturação das áreas internas, além da Torre Almirante. Os dois primeiros, edifícios representantes da Art Decó, transformaram-se em um apenas um, agora com 23 mil metros quadrados para escritórios de padrão Triple A.
Por mais que as alterações externas possam parecer complexas, o grande desafio da obra foram as intervenções internas. Eduardo destaca o sistema de abastecimento de água, feito a partir de bombas, do primeiro ao último andar e que eliminou a presença de caixa d ´água na cobertura; a casa de máquinas também foi retirada da área superior. “Nosso objetivo era aproveitar ao máximo o espaço para gerar área locável para escritórios”, disse o diretor. Destaque também para o cuidado com o projeto de iluminação, área de carga e descarga sem obstruir a rua, estacionamento no subsolo e auditório independente.
Outro desafio, este logístico, foi o processo de negociação e desocupação dos edifícios, antes ocupados por muitos locatários comerciais em pequenas salas, na sua maioria. Eduardo destaca também que alguns detalhes visíveis foram mantidos como o mirante e terraços, ajudando a conservar a história do edifício, agora totalmente reformulado.
Numa cidade com limites geográficos entre a orla e o morro, o retrofit é uma grande opção para edifícios que necessitam de atualização em locais onde não existem terrenos livres para a construção de novas edificações.
A Torre Almirante também vale destaque: ganhou iluminação da no corner da fachada, abastecimento de água através de bombas (sem caixa d ´água), distribuição de ar condicionado pelo piso, esquadrias de alumínio com vidro termo-acústicos, doca de carga e descarga junto ao elevador de serviço entre outras modernizações.
Força dos espaços corporativos
A Scorzelli Arquitetura e Design está em andamento com dois projetos de Arquitetura de Interiores para clientes corporativos com foco no mercado financeiro e imobiliário localizadas no Rio de Janeiro.
A primeira Empresa vai ocupar área nobre em edifício AAA recém lançado na Barra da Tijuca e a segunda empresa em local privilegiado na Zona Sul do Rio. Ambas tiveram como foco durante o desenvolvimento do projeto a integração das facilidades tecnológicas aliadas a um conceito estético aprimorado com critérios de especificações e projetos visando conforto, tecnologia da Informação, praticidade e harmonia no ambiente. As duas estão em execução e deverão estar concluídas em janeiro de 2010.
Sustentabilidade e tecnologia
O arquiteto Ruy Rezende, da RRA Arquitetura trabalha com quatro premissas em cada um dos seus projetos. Eles têm que ser: ecologicamente corretos, economicamente viáveis, socialmente justos e culturalmente aceitos. Para Rezende, a busca por projetos sustentáveis se intensificou nos últimos 8 anos, a ponto de a sociedade não aceitar mais obras que não tenham esta preocupação como foco. “Hoje, 100% dos nossos projetos estão voltados para a certificação”, sem deixar de lado os aspectos criatividade e inovação, metas a serem perseguidas em tudo o que se faz.
Durante o Simpósio, Rezende se deteve no item “eficiência energética”, dividindo-o em três segmentos: iluminação, ar condicionado e motores em geral. Promover a eficiência passa por uma análise e planejamento destes segmentos, o que requer compartilhar informação específica. “É importante reunir, num primeiro momento, especialistas nas diversas áreas relacionadas”, disse o arquiteto.
O ar condicionado, por exemplo, pode ser dimensionado de acordo com o envoltório do edifício, incluindo sua fachada. Com o uso adequado de materiais, há como poupar energia e permitir um equilíbrio entre a luminosidade externa e interna, refletindo no perfil da iluminação adotada. Com relação aos motores em geral que um edifício necessita e comporta, há uma máxima inexorável: equipamentos novos e mais caros tendem a ser mais eficientes que o maquinário mais antigo. Nem sempre o proprietário está disposto a pagar este preço, mas Rezende faz uma digressão que pode ajudar: “O retorno do incorporador aumenta quando ele oferece uma conta de condomínio menor para os locatários; para isso, o edifício precisa ter uma eficiência energética que acarreta em investimento em equipamentos mais modernos, seja na hora de construir ou reformar”, afirmou.
“Foi um grande prazer participar como palestrante do RIO ARQUI DAY SHOW 2009, em especial pela oportunidade de compartilhar com parceiros e colegas um pouco da minha experiência, além do sempre agradável reencontro com os mesmos.”
Ruy Rezende, Arquiteto da RRA Arquitetura
Fachadas com “efeito chaminé” (calor sai por cima e por baixo da estrutura) associadas a pisos elevados e sistema de ar condicionado sob eles conseguem promover o equilíbrio térmico necessário para gerar economia. “O desafio é ficar bonito, agradar e ser eficiente. Este novo mundo não vai tolerar nada fora disso”, disse Rezende.
A Unidade de Negócios da Bacia de Santos da Petrobras é um dos novos projetos em andamento da RRA Arquitetura. A manutenção de parte do armazém de exportação da São Paulo Railway, no seu ultimo quarto, deixado em memória como bem preservado, e a clara identificação do ramal principal da estrada de ferro em seu interior, serviram de fio condutor para a implantação do projeto. A integração entre o antigo e o novo se dá por este eixo, incluindo o acesso e as circulações principais. Os pilares de 1884 preservados no armazém se alongam no orquidário, elemento de ligação e transição, e se transformam em novos pilares para sustentação da nova cobertura de 2009, expressão de tecnologia de ponta. A morfologia dos prédios de entorno tem em média 10 metros de altura. Assim, para manter esta ambiência preservada, um embasamento foi proposto na parcela de terreno resultante das interações com o Projeto Alegra Santos e outras condições legais. Sua relação com o entorno e o eixo definido como principal setoriza as funções requeridas pelo programa para a infra-estrutura predial, serviços ompartilhados, áreas de suporte à vida e as de atendimento externo ou social. Sobre ele uma placa contendo um paisagismo voltado à manutenção das espécies endêmicas ou em extinção da flora Santista e a integração das torres, da biblioteca, do centro de realidade virtual e das salas de reunião corporativas são interligadas por uma cobertura de vidro que contém as células fotovoltaicas para geração de energia renovável. As torres que nascem sobre esta placa são reservadas para os setores corporativos da companhia.
Todo o projeto tem como principal elemento a sustentabilidade, mostrando uma arquitetura representativa, mas sem ostentação.
Arquitetura Carioca: desafios e oportunidades
A última mesa de discussão do RIO ARQUI DAY SHOW 2009 foi composta por Milton Feferman, Luiz Eduardo Índio da Costa, Aníbal Coutinho, Antonio Paulo Cordeiro e Ricardo Aronovich. Os arquitetos Índio da Costa e Aníbal Coutinho, respectivamente, aproveitaram o espaço para mostrar ao grande público presente alguns de seus projetos, discutindo detalhes. Ao final, uma rodada de perguntas do público foi feita para os componentes da mesa.
Índio da Costa compartilhou com os presentes os projetos Rio Panorâmico, sobre uma nova visão futura para a cidade; Maracanã 2014, que na verdade seria um novo estádio, flutuante, a ser localizado na Ilha do Fundão em forma de arena multiuso com visão privilegiada para a baía de Guanabara, teto retrátil e fácil acesso; Pão de Açúcar, um projeto orgânico que geraria maior visibilidade para a beleza natural, unindo entretenimento, eventos, espaço para convenções e expansão dos bondes, com a possível reordenação das favelas locais e o Píer Mauá, projeto horizontal que preservaria o Mosteiro de São Bento e comportaria área para ancoragem de barcos de lazer, e um mix de entretenimento, cultura e eventos corporativos.
Ainda sobre o Píer Mauá, o arquiteto Luiz Eduardo Índio da Costa destaca que as idéias desenvolvidas mostram como obras arquitetônicas referenciais podem servir de âncora para regiões degradadas ou subutilizadas. “O aspecto multiuso do projeto é obrigatório para a realidade da grande maioria de intervenções deste tipo”, afirmou.
“A nossa profissão precisa ser mais discutida, mais criticada, no sentido construtivo e em alguns casos até destrutivo, e por isso é que eu acho que essa reunião foi extremamente profícua, importante e interessante sobre todos os aspectos.”
Luiz Eduardo Índio da Costa, arquiteto
Estádio das Dunas
Aníbal Coutinho, da Coutinho, Diegues e Cordeiro Arquitetos Associados responsável pelo projeto Estádio das Dunas, a ser realizado em Natal, no Rio Grande do Norte, detalhou este que será um dos estádios da Copa de 2014 no Brasil. Como previsto para as cidades sede da Copa, as intervenções urbanísticas mudarão muito a paisagem local. Para a construção do Estádio das Dunas, Coutinho optou por um espaço em Natal onde há uma intersecção entre uma área urbana já desenvolvida e outra em crescimento, associando ao projeto o complexo administrativo da cidade de Natal e do governo do estado, ampliando as estruturas com a criação de um lago, áreas para estacionamento, centro de compras, hotéis e flats, edifícios empresariais e um moderno estádio de futebol para 45.000 pessoas. Dessa forma, o projeto pôde ser 100% financiável e suas estruturas serão totalmente reaproveitáveis após a Copa. O impressionante projeto contempla toda uma área em torno do estádio, num total de 45 hectares, onde também haverá bosque, hotéis, teatro, estacionamentos subterrâneos, prédios comerciais, centro de compras e os centros administrativos do governo do Estado e da Prefeitura. O projeto é uma parceria público-privada que modificará sensivelmente a paisagem urbana da cidade.
Além dos estádios a serem construídos ou modernizados para a Copa de 2014, Coutinho destacou que o evento impactará também outras 25 cidades pelo País que poderão abrigar as diversas seleções que participarão do evento. Todas precisam oferecer uma boa estrutura para acomodações das delegações, seus staffs e torcedores. “Em Natal, por exemplo, a FIFA recomendou que serão necessários 12 mil quartos de hotel para a Copa; nenhuma destas cidades tem isso hoje”, disse Coutinho, destacando que os estádios representarão de 2 a 3% apenas do total de obras necessárias. “O restante ficará por conta de redes hoteleiras, infra-estrutura urbana, transportes, edifícios de escritórios, aeroportos, etc. A arquitetura será a indutora de negócios que serão feitos a partir da Copa do Mundo, assim como nas Olimpíadas”, finalizou.
Mesas Redondas
Com apresentações concorridas, as mesas redondas do RIO ARQUI DAY SHOW 2009 não deixaram a desejar. A primeira, formada pelos arquitetos Luiz Eduardo Índio da Costa, Washington Fajardo, Ivan Rezende e Eduardo Horta, discutiu a história da arquitetura carioca, o processo de internacionalização da arquitetura em curso e os limites e possibilidades criativas em contraposição à legislação vigente. Todas as mesas foram moderadas pelos arquitetos Fernando Alencar e Milton Feferman.
Sobre a história, Índio da Costa não tem dúvida: “Existe sim uma história da arquitetura carioca, que começou no Brasil Colônia, modernizou-se e sofreu influências, primeiro européia e depois americana”. Ivan Rezende vai além e destaca que a arquitetura carioca se confunde com a própria arquitetura brasileira. “No exterior ela é vista assim, muito em função de Oscar Niemeyer, o maior expoente, mas também porque todo o movimento modernista partiu daqui.” Eduardo Horta destacou então que há muitos projetos de arquitetos de fora sendo feitos no Rio de Janeiro, mas ainda não há como mensurar o impacto disso.
Neste raciocínio, Rezende lembrou que “quando um arquiteto internacional vem para cá para algum projeto ele vem pra impor o seu modelo e não pra discutir a arquitetura local. Não há uma discussão sobre eles.” Em contrapartida, Washington Fajardo afirmou que os arquitetos brasileiros e cariocas sempre foram muito “antropofágicos”, se apropriando de modelos de fora e gerando inovação a partir deles. E deixou uma provocação: “Mas também, onde hoje em dia se faz discussão sobre arquitetura no mundo?”
Desta discussão, nasce uma nova preocupação, lembrada por Horta: “Eu me preocupo mais com os edifícios ordinários, menos com os grandes, que são exceção, pois são os normais que compõem a paisagem urbana. Essa é uma arquitetura fraca hoje.” Neste ponto, o item legislação é lembrado. “A legislação pode ser indutora de uma boa ou de uma má arquitetura”, disse Índio da Costa, logo complementado por Rezende: “Mas também não dá pra culpar apenas a legislação por um tipo de arquitetura. Nos anos 40, 50 e 60 a nossa arquitetura ordinária era de boa qualidade, melhor do que hoje.” Ficou claro que a legislação é proibitiva, como lembrou Horta, mas que não é o único fator restritivo para a arquitetura carioca.
“O Rio de Janeiro está vivendo um momento ímpar, em razão da Copa e Olimpíadas e pelo entendimento que se tem de que a cidade é um ícone referencial do Brasil na leitura internacional, sendo ainda a porta do entendimento do país no exterior do que é ser brasileiro. O evento foi
uma ótima oportunidade para discutir todos estes temas.”
Sandra Sayão, Presidente da AsBEA-RJ
Provocados pelos moderadores, os arquitetos são motivados a opinar sobre o design de interiores em contraposição à falta de volumetria dos apartamentos e imóveis novos hoje oferecidos ao público. Como a demanda continua alta, o consumidor tem aceitado ambientes conjugados (sala e cozinha sem divisões, por exemplo) e tem personalizado seu ambiente através da decoração. Todos concordam que o diálogo posto é o da standarização dos imóveis em contrapartida à personalização dos ocupantes. Suas causas e efeitos devem ser mais estudadas e debatidas.
A segunda mesa de debates foi composta pelos arquitetos Aníbal Sabrosa, Denise Solot, Roberto Aimbinder e Luis Marinho. Em foco, multidisciplinaridade, tecnologia, paisagismo, programas de moradia popular e hospitais. Aimbinder destacou logo no início que a tecnologia é favorável ao trabalho dos arquitetos e que eles são por natureza profissionais multidisciplinares. Nesta direção, Luis Marinho afirmou que “o maior desafio deste século é o conforto”, não só estético como físico, citando que no início do século XX o pé direito das casas era maior para melhor aproveitamento da luz e circulação de ar, benefícios que hoje estão na pauta do dia.
Provocada sobre o tema habitação popular, Denise Solot alertou sobre a baixa velocidade construtiva no Brasil em razão da grande demanda existente. “Enquanto não houver uma política de construção de fábricas para a construção industrializada de moradias, nenhum programa governamental vai atender a demanda.” Isso não significa que o Rio de Janeiro deveria ter um padrão igual a outras partes do mundo. Estes padrões teriam de ser adaptados em cada local, ao clima, cultura e história.
Sobre arquitetura hospitalar, Aníbal Sabrosa relatou sua experiência e alertou que o mercado está à procura de arquitetos especializados em nichos, o que pode ser uma tendência futura. Sua experiência na área da saúde começou com projetos para clínicas e evoluiu para hospitais, que requerem além de todos os requisitos necessários a qualquer outro projeto, de equipamentos sustentáveis e um olhar mais apurado na escolha de formas e materiais, sobretudo em razão da manutenção posterior, visto que limpeza e conservação de hospitais costumam ser operações delicadas.
Na terceira mesa, a arquitetura carioca contemporânea foi o foco. Mário Ferri, Carlos Fernando Andrade, Aníbal Coutinho e Ruy Rezende discutiram os temas relacionados a tendências e oportunidades que virão.
Aníbal Coutinho reitera um item que já havia sido discutido noutras mesas: a “exportação” da arquitetura carioca. “Acho que a gente não tem uma marca, um elemento de unicidade”, contrapondo o Rio de Janeiro a São Paulo, onde julga que o mercado é mais “endógeno”.
“Agradeço o IAB-RJ e a Flex Eventos pelo convite para participar do RIO ARQUI DAY SHOW 2009 e tomara que possamos ouvir muitos outros colegas no futuro e superar todas as dificuldades e desafios aqui levantados. Este evento mostrou seu sucesso por várias razões, mas principalmente pela oportunidade de negócios e por discutir a realidade da arquitetura.”
Fernando Alencar, arquiteto
“É difícil aqui no Rio vermos exemplares de arquitetos daqui lado a lado”, destacou. Mas Carlos Fernando Andrade polemizou: “Eu não consigo ver em São Paulo um estilo de arquitetura paulista; o que encontramos lá pode ser feito em qualquer parte do mundo, incluindo o Rio de Janeiro”. Andrade disse ainda que a exportação de arquitetos cariocas talvez se deva pelo encolhimento do mercado local nos últimos 30 anos, movimento de baixa iniciado com a mudança da capital federal para Brasília, em 1960. “Nós temos uma grande dificuldade de mostrar nossa arquitetura como um produto cultural, com elementos da nossa identidade”, sentenciou.
Sobre as construções públicas, Mário Ferri atestou que tudo depende da “continuidade administrativa”, o que dificilmente acontece e faz com que projetos sejam descontinuados. Segundo ele, outro problema é o empreiteiro ser o contratante do arquiteto, o que limita muitas vezes o trabalho desenvolvido. Com a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 à frente, este problema pode surgir no horizonte.
“Estes grandes eventos são sempre demandados por grandes empreiteiras. Não há uma grande preocupação com a arquitetura em si, e sim com os custos, a concorrência, entre outros”, disse Aníbal Coutinho. “Eu ainda não soube nada sobre um concurso, por exemplo, que se pretenda fazer para que os arquitetos cariocas possam desenvolver projetos para as Olimpíadas”, afirmou. Pode ser uma boa sugestão.
Por último, os moderadores aproveitaram a presença do arquiteto Carlos Fernando Andrade, Superintendente Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio de Janeiro, para tocar no assunto restauração. Segundo Andrade, há hoje quase 100 milhões de reais investidos através da Lei Rouanet em obras de restauração no Rio de Janeiro. “Vivemos nos últimos 20 anos o boom da educação ambiental e agora estamos nos voltando para a valorização do nosso patrimônio arquitetônico”, material e imaterial.
A sintonia entre os participantes e um exato diagnóstico de oportunidades foi a tônica das discussões, mostrando confiança para os próximos anos.
Artline
Um toque de nobreza e requinte distingue a linha ArtClass Black, produzida em alto padrão de qualidade e ergonomia, assim é ArtClass, o modelo ganha destaque com suas mesas em tampos de vidro, pintados em preto, verdadeiras obras de arte em seu ambiente de trabalho.
Flexform
Principèssa, um poltrona à frente do seu tempo, possui inovações e recursos que proporcionam a sensação de conforto máximo. Exclusivo sistema articulado de encosto, com grande mobilidade, acompanhando o movimrnto lateral do corpo. Disponível em duas versões: tapeçada ou espladar em tela.
Interact Divisórias
Para desenvolver projetos especiais e atender as necessidades de seus parceiros e clientes, a Interact investe em tecnologia e qualificação profissional, mantendo-se sempre atualizada com novas tendências e materiais de ponta, buscando a união da qualidade, criatividade e bom gosto.
Itaim Iluminação
HIPNOS Conhecida pela qualidade de suas luminárias circulares de embutir, a ITAIM complementa a sua linha com o novo modelo HIPNOS. A luminária apresenta aro e corpo em alumínio e 04 opções de difusores em vidro temperado. Os modelos são encontrados nas versões: 1x32W/ 42W e 2x32W/42W.
Pertech
Inspirado no que há de mais moderno no mundo, a Pertech desenvolveu o Pertech Exterior, um produto diferenciado proporcionando a beleza da fachada madeirada mantendo o equilibrio com a natureza. Alinhando cores e formas o Pertech Exterior se adapta perfeitamente ao seu projeto, trazendo exclusividade e durabilidade, pois ele tem como atributos a proteção contra raios UV e anti-pichação, além de fácil instalação e manutenção.
Escriba
Axis: simplicidade, inteligência, lógica, refinamento. Axis é um sistema de mobiliário adequado a espaços de qualquer natureza, complexidade ou porte. Oferece ampla variedade de postos de trabalho, materiais e acabamentos diferenciados. Privilegia a rápida reconfiguração do ambiente de trabalho. Seus componentes são autoportantes, podem ser reordenados
e recombinados com facilidade.
Voko
A Voko esteve presente no 1o Rio Arquiday Show. O mobiliário Voko oferece soluções eficazes aos mais variados ambientes de trabalho, além de proporcionar possibilidades infinitas de configurações de layout. Estações de trabalho para todas as áreas corporativas, desde staff à diretoria; Mobiliário para área de reunião e treinamento; Armários e elementos para arquivamento; Gaveteiros fixos e volantes; Divisórias Piso-Teto e Biombos; Poltronas e Cadeiras de escritório; Arquivos Deslizantes e Estações Lineares (Plataformas).
Wall Works
A Wall Works, empresa reconhecida e premiada por suas soluções inovadoras de divisórias, participou da última edição do Rio Arquiday Show e aprovou o evento. Para Wall Works, apoiar iniciativas como essa, é proporcionar troca de experiências e divulgar para o mercado internacional o potencial da arquitetura brasileira.