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Hospital dos Servidores do Estado

02/11/09 - 05:09 | Atualizado em 02/11/09 - 05:09

Nenhuma cidade do Brasil possui um patrimônio de edificações com a diversidade de estilos arquitetônicos e de representatividade da história da saúde como o Rio de Janeiro. Este imenso patrimônio arquitetônico foi naturalmente facilitado pela sua condição de Capital em diversos estágios da vida política e administrativa do país.

O Hospital dos Servidores do Estado, inicialmente Hospital do Funcionário Público, concebido arquitetonicamente em 1935, representa um dos momentos mais importantes das inovações assistenciais e tecnológicas que o governo, à época, poderia oferecer para os seus usuários, funcionários públicos da Capital do Brasil. Aliás, importante registrar que aquele seria um hospital concebido a partir de um diferencial fundamental para a história do sistema de saúde e da própria política vigente na década de 30 do século passado, com o domínio do modelo político concebido pelo Presidente Getulio Vargas e que, posteriormente, viria a ser conhecido como Era Vargas.

Considerando os diversos aspectos que envolvem a história do HSE, o presente trabalho foi dividido em quatro períodos distintos objetivando facilitar o entendimento do contexto em que se insere, assim como a sua própria representatividade histórica e assistencial.

A primeira parte faz um breve rastreamento da história da cidade e dos aspectos determinantes que fizeram e construíram as primeiras referências da ocupação urbana e, em especial, a valorização da região periférica à Prainha da Saúde. Para alguns, simplesmente Prainha, embora para outros fosse o local que determinaria a definitiva denominação do bairro da Saúde. Local que serviu de início para a ocupação dos morros do Livramento e da Conceição e que, de certa forma, cumpriu função estratégica para a recepção dos escravos e dos negros baianos que vinham ao encontro dos seus familiares oriundos da África.

Apresenta ainda os importantes investimentos do engenheiro Pereira Passos, um dos mais representativos prefeitos na história da cidade. Marcou seu governo por importantes medidas e intervenções que evidenciavam os seus princípios higienistas, oriundos na educação francesa, e a implantação de um modelo de urbanização denominado “regeneração” que, logo seria para os seus críticos o “Bota-abaixo”.

No segundo capítulo procura-se aproximar os fatos políticos e as novas exigências sociais ao momento determinante para a concepção de um hospital que viesse a atender as necessidades assistenciais de saúde dos servidores públicos federais. E é dentro da ideologia do for talecimento e modernização do Estado, sob a orientação política do Presidente Getúlio Vargas, que em 1934 é assinada a publicação de um concurso público para elaboração do projeto arquitetônico do novo Hospital.

Em 1947 é inaugurado o Hospital dos Servidores do Estado e esta parte da história é o referencial que guia os fatos do terceiro capítulo desta publicação. As dificuldades para sua construção, a expectativa dos funcionários federais e das pessoas de suas famílias combinados com o importante investimento financeiro, passam a ser observados por grande parte da população e resulta no que é considerado, à época, “um monumento da arquitetura moderna, digno da cultura de uma grande cidade como é o Rio de Janeiro”.

A última parte é dedicada a uma atualização das atividades e das expectativas recentes. Por isto mesmo, o título de O Hospital e o Futuro traduz objetivamente a abordagem ali expressa.

Este livro procura contribuir com visão ampla dos fatos políticos e sociais que proporcionaram a decisão da construção de um hospital que seria considerado como o mais moderno e importante da América Latina, à sua época, e que, até hoje, guarda valores inquestionáveis e definitivos para a história da medicina e da arquitetura hospitalar no Brasil.

Portanto, é com imenso orgulho que a Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar – ABDEH participa desta publicação que será de grande valia para a preservação da memória de um dos maiores patrimônios da arquitetura hospitalar e da história da saúde no Brasil.


BITENCOURT, Fábio.
Hospital dos Servidores do Estado: um patrimônio de saúde, Arquitetura e história.
Rio de Janeiro, 2007, 136 p.: Il. Col.

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TAGS: Desenvolvimento, Hospital, Arquitetura