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Requinte e consciência ambiental

21/11/09 - 05:17 | Atualizado em 21/11/09 - 05:17 Athié Wohnrath alia conforto e respeito ao meio ambiente na nova sede São Paulo da Morgan Stanley

A cada ano o setor financeiro no Brasil cresce e se torna mais sofisticado, ampliando a carteira de produtos e serviços oferecidos para seus clientes. Com o Morgan Stanley, o processo não é diferente. No início de 2007, o banco contratou a Athié Wohnrath para o novo projeto de sua sede paulistana com o objetivo de melhorar suas instalações , o que proporcionou a possibilidade de ser o primeiro escritório na América Latina a ter uma certificação de sustentabilidade. O edifício Faria Lima Square, localizado num dos eixos empresariais mais valorizados de São Paulo, foi escolhido por sua sofisticação e recursos tecnológicos. As grandes áreas de laje valorizam a flexibilidade, ideal para espaços corporativos.

O projeto de interiores, que ocupa o 6° andar e parte do 7° andar, num total de 2.200m2, foi um grande desafio em vários aspectos e exigiu criatividade e inovação.

O processo de implantação do novo projeto para o Morgan Stanley foi inteiramente pensado e resolvido com base em soluções sustentáveis exigidas para obtenção da Certificação LEED® CI - USGBC (Leadership in Energy and Environmental Design Commercial Interiors - United States Green Building Council), desde sua conceituação, passando pela escolha dos materiais, até na maneira de executar a obra. Nesse processo, a Athié Wohnrath contou com o apoio do CTE – Centro de Tecnologia de Edificações que presta consultoria para o desenvolvimento e implantação de projetos sustentáveis.

Apesar de não ter a certificação LEED® for Core & Shell, o edifício Faria Lima Square possui uma série de características que auxiliaram a certificação de interiores, como a localização em região bem equipada, infraestrutura moderna, sistema de ar condicionado com caixas de volume de ar variável (VAV), entre outros.

O LEED®-CI possibilita o desenvolvimento de projetos sustentáveis mesmo que não se tenha controle sobre a operação e uso da edificação como um todo, caso do Banco Morgan Stanley em sua nova sede.


Sobre o projeto

”Para que um projeto de arquitetura de interiores recebaaCertificaçãoLEED CIeletemquecontemplar medidas de construção e procedimentos que buscam o aumento de sua eficiência no uso de recursos, com foco na redução dos impactos sócio-ambientais”, afirma Sérgio Athié, um dos responsáveis.

Isto é feito por meio de um processo que leva em consideração o ciclo completo dos materiais envolvidos na obra e o consumo de energia elétrica que o local demandará. “Nosso trabalho teve como objetivo a busca por materiais e processos de fabricação sustentáveis; para os projetos técnicos, o foco foi a economia de recursos naturais”, completa Ivo Wohnrath, também responsável pela obra.

O ponto de partida foi a criação de um novo conceito, projetando uma recepção que representasse a importância desta instituição no mercado no qual atua. A mescla claro/escuro é quebrada apenas pelas obras de arte posicionadas junto a uma área de estar confortável, contígua a um espaço de circulação generoso, representativo da importância que a instituição possui. Esta área está interligada a salas de reunião, facilitando o acesso dos visitantes e mantendo a privacidade das áreas de trabalho, localizadas em posições mais internalizadas. As salas de reunião são um bom exemplo da junção entre tecnologia e sustentabilidade.

O carpete utilizado possui selo verde, a madeira é certificada e há grandes janelas que permitem um ótimo aproveitamento da luz natural, reduzindo o uso de iluminação artificial. Simultaneamente, estas salas contam com recursos tecnológicos como telas de LCD de grande formato e equipamentos de telefonia e multimídia de última geração.

Todo o layout da nova sede foi idealizado para que os departamentos fossem distribuídos de modo a otimizar espaços e gerar sinergia entre os mesmos. Foram padronizadas a ocupação e o mobiliário com o objetivo de facilitar futuras expansões dos departamentos sem a necessidade de grandes intervenções civis, sempre obedecendo à lógica da certificação LEED CI, com espaços abertos e aproveitamento da luz natural, utilizando-se de paredes de vidro nas salas fechadas para facilitar a iluminação e o bom uso da energia elétrica.

As áreas de café e almoço foram projetadas com base no conforto e praticidade, nos dois andares, sempre próximo à área do staff. Nestas áreas, os tons claros se destacam, além do conceito de manter espaço livre para circulação de pessoas, o que torna o ambiente bonito, convidativo e funcional.

Os diferentes grupos de trabalho são separados por divisórias transparentes que garantem a integração visual do espaço e permitem um amplo campo de visão.

Destaque também para as áreas para arquivamento e impressão de documentos, que passaram a ser centralizadas, reduzindo o desperdício e ampliando o consumo consciente de papel. Durante a execução da obra, os funcionários do Morgan Stanley participaram de apresentações sobre educação ambiental, o que facilitou o aprendizado e a adequação aos conceitos aplicados na nova sede da empresa.


Certificação LEED-CI

Uso e Conservação de Água

Todos os sanitários possuem dispositivos economizadores de água, como, por exemplo: bacias com caixa acoplada e sistema de descarga com duplo acionamento de 3 e 6 litros, mictórios com fechamento automático,torneiras com sensor de presença e torneiras gerais com restritores de vazão.

• Equipamentos Elétricos Eficientes

Priorizou-se o uso de equipamentos elétricos (computadores,monitores e impressoras) que consomem menos energia e têm o selo Energy-Star. O Energy-Star é um programa voluntário, que visa promover inovações em economia de energia dos equipamentos, atribuindo um selo aos de maior eficiência.

• Sistema de Condicionamento de Ar

Especificação de equipamentos com gases refrigerantes de impacto reduzido na camada de ozônio e no efeito estufa. O sistema de condicionamento de ar projetado possibilita o controle de uso e temperatura por áreas, por meio da utilização de caixas de volume de ar variável (VAV) distribuídos em todo o andar.

• Comissionamento dos Sistemas

Os sistemas que demandam energia (como sistema de condicionamento de ar, iluminação e seus controles associados) foram inspecionados e testados para garantir que estejam corretamente instalados, calibrados e com o desempenho pretendido.

• Reuso do Edifício

Houve uma grande preocupação na concepção e desenvolvimento do layout, de modo que se aproveitasse ao máximo os elementos construtivos existentes no edifício (luminárias, pisos e forros), minimizando demolições, geração de resíduos e, consequentemente, a necessidade de utilização de recursos e materiais novos.

• Gestão de Resíduo de Obras

Os resíduos gerados durante a obra foram desviados de aterros sanitários e destinados para triagem e reciclagem.

• Depósito de Lixo Reciclável

Como o edifício já possui um sistema de coleta seletiva, foi desenvolvida uma infraestrutura interna para que todos os resíduos gerados pelo escritório sejam separados, facilitando a coleta e reciclagem.

Materiais Construtivos

Os materiais utilizados na obra foram selecionados, sendo priorizados os que possuíssem conteúdo reciclado em sua composição, tivessem sua matéria- prima extraída e processada próximo ao local da obra e emitissem baixos níveis de compostos voláteis orgânicos (COV).

Madeira Certificada FSC

Os móveis foram fabricados com madeira certificada FSC. A certificação do Forest Stewardship Council é um processo voluntário que avalia questões ambientais, econômicas e sociais no manejo da floresta e na produção de madeira.

Conforto do Usuário

Todo o projeto foi desenvolvido para promover o conforto do usuário. O sistema de ar condicionado é monitorado para garantir temperaturas confortáveis nos ambientes de trabalho, e a maioria dos postos de trabalho têm vista para a área externa. A proibição do fumo no interior do escritório e nas áreas comuns do edifício também garante melhor qualidade do ar para os funcionários.

• Plano de Qualidade Interna do Ar, durante a Obra e Pré-ocupação

Durante a obra, foram adotados procedimentos para melhorar a qualidade do ar tanto para os funcionários da obra quanto para os futuros usuários, como: limpeza permanente, proteção dos dutos de ar condicionado para evitar contaminação com poeiras durante a obra, armazenamento de materiais em locais isolados de umidade, odores e poeira. Após a fase de obra e antes da ocupação dos ambientes, executou-se um processo denominado flush–out, em que o sistema de ar condicionado permaneceu ligado por alguns dias para eliminação de partículas suspensas no ar e limpeza do ambiente.

• Programa de Educação Ambiental em Obra

O programa foi implantado para todos os colaboradores, durante a fase de obra, para promover o desenvolvimento de uma consciência ambiental crítica. Os conteúdos foram desenvolvidos de forma dinâmica, coletiva e contínua, considerando a participação de todas as equipes de empreiteiros envolvidos em cada etapa.


Mais detalhes

Ainda para cumprimento da certificação LEED CI, todos os conceitos de economia de recursos naturais disponíveis no mercado brasileiro foram utilizados como torneiras com sensor, descargas com duplo fluxo, luminárias de alta eficiência e equipamentos com o selo Energy Star. Além disso, “toda madeira usada na obra é certificada, tintas e vernizes usados foram produzidos à base de água, os assentos possuem material reciclado na composição, o carpete usado possui produção sustentável, além do uso da luz natural e do controle setorizado de iluminação”, destaca Ivo Wohnrath. O acesso à paisagem urbana também é um fator a ser considerado, pois estabelece uma ligação real entre os empregados e o meio que os cerca, colaborando para a melhora nas condições de trabalho. Entre os primeiros contatos entre a Athié Wohnrath e a obra final, o processo levou dez meses, sendo quatro deles para a execução da obra. Por fim, após processo de verificação e auditoria do USGBC, a obra recebeu a certificação Silver, a primeira para CI (Commercial Interiors) na América Latina.

Créditos: Alexandre Negrini Turina

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