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Novas tecnologias na arquitetura e construção

14/04/10 - 03:39 | Atualizado em 14/04/10 - 05:28 Investir em inovação implica em redução de custos e sustentabilidade, num caminho sem volta

No século XXI, a construção civil entrou na era da tecnologia de ponta. Novos materiais e sistemas reduzem o tempo de obra e diminuem os custos finais proporcionando a uma maior parte da população acesso a moradias dignas e de baixo custo. Novas tecnologias vêm substituindo materiais e equipamentos tradicionais por outros alternativos proporcionando redução de custos, aumentando o conforto e preservando a natureza.

A expressão “Tecnologia = Técnica + Ciência”, coloca em termos bastante simples a relação entre esses três conceitos, ou seja, a tecnologia é a in­corporação do conhecimento científico ao domí­nio das técnicas. Após a segunda Guerra Mundial estabeleceu-se definitivamente a tecnologia como a conhecemos hoje em dia.
A importância da participação do projetista de sistemas prediais desde a etapa de concepção de um projeto é essencial, evitando que instalações mal projetadas inviabilizem um projeto. Itens que aparentemente não teriam a ver com a atividade, como a localização do terreno com face para apenas uma rua, podem onerar em até 20% o custo final da obra. Um grande empreendimento com face para várias ruas pode baratear o projeto de instalações por possibilitar até entradas individuais das conexões com os serviços públicos.

Entre as principais inovações, sobretudo em edifícios comerciais, estão os sistemas de transmissão de dados e voz. A tendência é que em cinco anos todos os sistemas sejam interligados por fibra ótica. Hoje, isso ainda é um problema porque alguns sistemas, como o de telefonia, resistem a ter uma interface com a fibra e ainda exigem os cabos de cobre; porém, muita inovação ainda virá nesta área. As tecnologias de automação, por exemplo, não param de se desenvolver, desde sensores de presença em áreas comuns até micro componentes mais eficientes para controle de acesso, segurança e proteção de dados e informações. Internet rápida sem fio e sistemas de identificação por vídeo, digital e voz também estão cada vez mais disponíveis.

Elevadores com drives regenerativos, lançados mun­dialmente no ano passado colaboram para o gerenciamento de energia. “A energia eletromagnética gerada durante a frenagem é armazenada num banco de capacitor”, explica Luiz Henrique Ceotto, diretor de construção e design da Tishman Speyer no Brasil, que destaca também os modelos cujo sistema faz a antecipação de chamada a partir da passagem do visitante pela catraca, que indica a melhor opção. Assim, o consumo é otimizado e a energia economizada é lançada na rede elétrica do edifício para ser reaproveitada em outro sistema, como o de iluminação ou de ar condicionado. Destaque também para os elevadores que dispensam as casas de máquinas, uma tendência mundial, adotados em praticamente todas as novas construções da Europa, gerando maior aproveitamento do espaço e valorizando a estética do edifício. Lançados no Brasil no ano 2000, hoje representam 30% das vendas no país.


Eficiência energética

Ela é a base para a inovação tecnológica nos setores ligados à construção civil. A Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco) prevê que projetos de eficiência energética devem retomar o crescimento em 2010 com um aumento de 35% comparado com 2009.

A retomada de projetos paralisados em 2009 impulsionará um mercado calculado em R$1 bilhão anuais em investimentos, segundo Maria Cecília Amaral, diretora executiva da entidade. O mercado de eficiência energética nacional cresceu 15% em 2009, atingindo um movimento de R$ 900 milhões, apesar da crise. Em 2008, o crescimento foi de 24% comparado com o ano anterior. “Muitas empresas colocaram em stand-by os projetos de eficiência energética que seriam realizados no começo de 2009, mas hoje a indústria está retomando o fôlego e acreditamos que, além de novos projetos, os que ficaram parados serão retomados”, disse. É o caso dos sistemas de ar condicionado prediais modernos. Segundo Ceotto, da Tishman Speyer, há uma tendência de investimento em sistemas de renovação interna do ar dos ambientes através de sensores de CO2, roda entálpica que funciona como recuperadora de energia térmica que é jogada fora do edifício pelo sistema de exaustão e transfere esta energia gasta através do sistema de ar condicionado, para tomada do ar externo, diminuindo a carga e chillers de alta performance.

Segundo técnicos da Abesco o valor de investimento médio dos projetos varia de R$ 60 mil a R$ 1,5 milhão em projetos de grande porte. “O momento é propício para a implementação de projetos, pois o potencial de ganho é muito alto”, disse José Starosta, presidente da Abesco. Segundo a entidade, o desperdício de energia elétrica no Brasil está estimado em cerca de R$ 17 bilhões por ano e o potencial de redução média do consumo de energia é de 15% para a in­dústria, 27% na área comercial e 45% nos edifícios públicos. Starosta deu como exemplo os Estados Unidos que vem investindo milhões em programas de eficiência energética, segundo ele, impulsionado pelo ex-presidente americano e ganhador do prêmio Nobel da Paz, Al Gore, que há anos alertou sobre os prejuízos financeiros da perda de energia elétrica no País.


A partir do chão

Luiz Henrique Ceotto, diretor de construção e design da Tishman Speyer no Brasil, destaca algumas inovações que já estão sendo uti­lizadas. Para as fundações, a estaca de hélice contínua já é uma tecnologia em operação, pois é moldada in loco por um trado contínuo com injeção de concreto através da haste central ao mesmo tempo em que faz a retirada do terreno existente. Para as estruturas prediais, lajes planas nervuradas com protensão não aderida; nas fachadas, destaque para as pré-fabricadas em concreto ou ainda o uso de alumínio e vidro e também de alumínio e pedra. Internamente, paredes em drywall, pisos elevados de no mínimo 15 cm em metal ou concreto também são tendências.

O reaproveitamento da água é outro item cujas inovações estão sendo assimiladas. Reservatórios para a água de chuvas e seu uso posterior em lavatórios e, noutro estágio, nos vasos sanitários, são realidade na maioria dos no­vos edifícios. E mais: “Com relação aos revestimentos internos, as inovações ficam por conta de produtos que facilitem a limpeza e não agridam o meio ambiente”, diz Ceotto, dando indícios de que a performance da inovação está ligada diretamente à sua du­rabilidade e baixa necessidade de manutenção.


Tecnologia verde

Responsabilidade ambiental tornou-se pré-requisito e parte in­tegrante de qualquer decisão ou projeto e o setor da construção civil está abraçando a idéia dos edifícios verdes como uma mola impulsionadora de novos negócios. É também um importante atrativo para a captação de clientes mais seletos e que se preocupam com o reflexo de suas vidas no ambiente que os cercam. Mesmo as mais conservadoras e mais reticentes aderiram às novas tecnologias da construção de edifícios verdes em seus empreendimentos.

Esse mesmo sucesso tornou bem claro que é possível conciliar a construção de edifícios verdes com bons lucros no ramo imobiliário. Mesmo que os edifícios verdes não sejam completamente certificados pelos órgãos competentes, a simples incorporação de alguns itens de sustentabilidade no canteiro de obras e no próprio prédio já possui um apelo de grande impacto para os clientes, cada vez mais sensíveis à onda sustentável. Os edifícios verdes são o desafio atual para que a construção civil mude a forma como é vista no mundo todo e passe a ser conhecida como uma amiga do meio ambiente.


Como devem ser as novas tecnologias aplicadas na construção civil


Integração com o ecossistema
A tecnologia deve exercer o menor impacto ambiental e favorecer a integração com o ecossistema;


Autonomia local
A tecnologia deve valer-se de matérias-primas e energias locais, favorecendo a autonomia local das regiões e dos países;


Baixo custo
A tecnologia, passado o período da inovação, deverá ser adquirida sem grandes dispêndios de capital;


Capacitação acessível
A tecnologia não requer níveis muito específicos de especialização da mão-de-obra;


Absorvedora de mão de obra
A tecnologia deve se utilizar dos recursos mais abundantes e no caso dos países desenvolvidos, um dos recursos mais abundante é a mão de obra;


Menos burocracia
A tecnologia é de domínio público não havendo preocupações com pagamento de patentes ou royalties;


Adaptabilidade e simplicidade
A tecnologia deve ser de fácil entendimento e absorção, sendo assimilada culturalmente com rapidez. Atualmente os critérios relacionados com o meio ambiente e a sustentabilidade têm sido particularmente enfocados.


Setor de revestimento cerâmico cresceu em 2009

As vendas de cerâmica para revestimento no mercado interno cresceram 5,21% em 2009, segundo dados da Anfacer (Associação Nacional dos fabricantes de Cerâmica para revestimento). Para 2010, a projeção da associação é de um crescimento ainda maior, de 8,47%. O crescimento de 2009 seguiu a média dos últimos anos, sendo o mercado interno o impulsionador do setor.

O mercado externo também será um foco no negócio dos produtores. A previsão é que as exportações de cerâmica de revestimento aumentem 3% em 2010.


Brasil terá primeira fábrica de painéis fotovoltaicos da américa latina

O Brasil vai ganhar a sua primeira fábrica de painéis e células fotovoltaicos, equipamentos utilizados para captação de energia solar. Fundada neste ano, a Esbra (Energia Solar Brasileira), deverá ter sua construção iniciada em fevereiro de 2010, no município de Horizonte, a 42 Km de fortaleza, no Ceará. O início da produção está previsto para agosto de 2011. Dividido em três fases, o empreendimento terá investimento total de aproximadamente R$ 73 milhões, mas inicialmente serão aplicados cerca de R$ 25 milhões, sendo R$ 16 milhões via financiamento obtido com o Banco do Nordeste (BNB) e R$ 9 milhões provenientes de recursos próprios. A carta consulta já foi aprovada pela instituição. Com este empreendimento, espera-se a expansão deste mercado e o barateamento dos custos destes equipamentos.


Selo PROCEL representa marco na evolução tecnológica

Redução do consumo de energia é apenas um dos objetivos do selo Procel, que tem o objetivo de avaliar a conformidade do nível de eficiência energética de edifícios comerciais, de serviços e públicos. Segundo a ge­rente da divisão de Projetos de Eficiência Energética em Edificações do Procel/Eletrobrás, Solange Nogueira Puente Santos, a importância do selo para a utilização de energias alternativas e para as construções sustentáveis, de acordo com normas de sustentabilidade ambiental vem crescendo. São avaliados os seguintes itens: iluminação, condicionamento de ar e envoltória da construção.

“Eficiência energética é fundamental ao debate sobre desenvolvimento sustentável e o Brasil se qualifica ao grupo de países capazes de avaliar energeticamente as edificações”, afirmou. Além da importância ambiental do selo, de acordo com Solange, é necessária a adesão de todos, envolvendo diversos setores da sociedade, entre entidades de classe e profissionais. “O selo significa uma mudança de cultura e uma interação entre diferentes categorias e setores”, disse.

O selo segue os princípios da Lei nº 10.295/2001 que dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso racional de Energia visando ao desenvolvimento da eficiência energética do país.


Construções verdes em evidência

As conclusões do primeiro relatório do programa de eficiência energética em construções, divulgado pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), revelam que as grandes empresas estão, cada vez mais, em busca da construção e desenvolvimento de novas técnicas sustentáveis. Isso porque, além da responsabilidade ambiental, os prédios verdes custam, em média, apenas 5% a mais que os comuns, valor compensado por uma considerável economia de recursos que, em geral, fica na casa dos 30%. Alinhada a esta tendência mundial, empresas nacionais especializadas na produção de cerâmicas investem em novas linhas de produtos. “Percebi o boom imobiliário mundial que acontecia em 2006 e me senti na obrigação de investir em produtos sustentáveis para colaborar com o meio ambiente”, afirmou o presidente de uma empresa do setor, José Lepri.

Sua previsão estava certa e nos últimos três anos tem crescido o interesse dos players envolvidos no mercado imobiliário por soluções mais inteligentes e sustentáveis. Isso fez com que grandes empresas passassem a investir e a procurar produtos e projetos amigos do meio ambiente. No fim do ano passado, por exemplo, a rede americana de fast food McDonald´s construiu o primeiro restaurante verde da companhia na América Latina. O empreendimento foi realizado aqui no Brasil, em Bertioga, litoral de São Paulo. Para isso procurou empresas que tivessem produtos de acordo com suas necessidades. A empresa de José Lepri, que possui uma linha completa de produtos considerados verdes, decorou todo o salão externo com um revestimento feito a partir da utilização de resíduos de lâmpadas fluorescentes recicladas.

Créditos: Alexandre Negrini Turina

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