No início do ano passado, a arquiteta Betty Birger foi convidada pelo Grupo Ultra com a missão de propor uma reforma para o hall de entrada de sua sede, localizada na Rua Brigadeiro Luiz Antonio, em São Paulo. Já na primeira visita, Betty percebeu que a solução poderia (e deveria) ser mais ampla.
“O espaço da recepção era pequeno e antigo e havia uma grande área a ser explorada ali mesmo, no térreo, com potencial para oferecer um grande espaço de convivência e integração”, destaca a arquiteta que atua há mais de 23 anos no mercado. Assim , a área do térreo de 1500m2 foi ocupada em toda a sua extensão, da avenida Brigadeiro Luiz Antonio até a outra entrada do prédio, na rua Arthur Prado, através de um boulevard arborizado e dotado de serviços e acessórios que foram criados para proporcionar um ambiente agradável e saudável para os funcionários das empresas do Grupo Ultra.
Flexibilidade também foi um dos conceitos que norteou o projeto. Logo na entrada , Betty criou um Espaço Multiuso para treinamentos, palestras, exibição de vídeos e workshops com formato semi circular, projetado com divisórias retráteis em policarbonato alveolar que apresentam a praticidade de liberar espaço quando necessário. Nestas divisórias foram aplicadas ilustrações que contam fatos marcantes da empresa e seus negócios. “As cadeiras que escolhemos para este espaço são empilháveis e de fácil movimentação e podem ser montadas em cima de praticáveis também empilháveis que ficam armazenados no depósito localizado atrás da recepção”, lembra Betty.
Passando pelo Espaço Multiuso chega-se ao Espaço de Convivência onde confortáveis sofás, mesas circulares e cadeiras compõem um ambiente aconchegante e descontraído, complementado por diversos vasos de fícus bola e bambu mossó, tudo propício ao uso cotidiano. Dentro da proposta de requalificação do novo espaço, foi criada uma cafeteria que fica estrategicamente localizada entre o lounge e a área externa, que era um antigo fosso entre os dois edifícios. Agora, dotada de mesas, cadeiras e plantas, está integrada ao espaço coberto, proporcionando a entrada de luz e ventilação natural. Grandes portas pivotantes de vidro e inox foram projetadas para controlar as mudanças climáticas.
O hall dos elevadores é outro ponto de destaque do projeto. “As paredes foram revestidas em mármore travertino nacional bruto, preservando a história do prédio.” Para o piso, Betty optou pelo porcelanato 80 x 80 cm com detalhes em granito verde ubatuba e mármore rosa cairo. A mistura conferiu uniformidade sem cair na monotonia.
Iluminação
Com um pé direito baixo, surgiu uma dificuldade para a arquiteta: o que fazer com a iluminação? Betty optou por um forro com 10 cm de rebaixo,somente para a passagem de tubulações e que pudesse abrigar uma solução discreta e eficiente, traduzida por grandes luminárias quadradasem inoxeacrílicoleitososendoqueparteda estrutura fica embutida no forro e a outra fica visível. Os pilares também foram utilizados como suporte para complementar a iluminação , através da instalação de arandelas que, projetando a luz no forro, espalham claridade por todo o ambiente.”Tudo foi pensado para ser claro funcional e sem excessos , respeitando a história do Grupo Ultra”, afirma. Aliás, a trajetória das empresas do grupo está toda lá, representada em grandes painéis com imagens representativas de cada década de história, até os dias de hoje.
O que não se vê
Pedido do cliente e preocupação constante em todos os projetos de Betty Birger, a segurança foi um elemento chave de todo o projeto . Além de receber um novo espaço confortável e aconchegante e dotado de serviços importantes do dia-a-dia, os funcionários e visitantes contam com todas as condições de acessibilidade como plataformas, rampas e banheiros adaptados.
Um projeto assim, com tantos detalhes e diferenciais deve ter sido executado num prazo longo. Betty explica:“Como o projeto era muito diferente da idéia inicial do Grupo Ultra, o que acabou demorando mais foi o processo de aprovação, que levou quase 8 meses e contou com o envolvimento e participação de todas as empresas no processo.” Após a aprovação, foram mais 4 meses de obras, com um detalhe logístico importante: “o prédio funcionou normalmente e a cada nova etapa executada da obra criávamos corredores alternativos e exclusivos de acessos; no final, em dezembro do ano passado, ninguém ainda tinha visto a obra por inteiro”, ampliando a surpresa na inauguração.
Frutos colhidos
A receptividade da obra foi tamanha que Betty agora está reformulando o hall dos elevadores dos demais andares.“Creio que a chave do sucesso deste projeto é que ele foi pensado desde o início como um projeto de revitalização não somente do espaço mas também das pessoas e de suas relações”, finaliza.