A pausa para o café já é um hábito na cultura brasileira. É um momento perfeito para um break no trabalho, um papinho no meio do dia, um encontro com amigos ou até mesmo para um happy hour.
O café é uma bebida que pode ser servida quente, gelada, com leite ou até mesmo batida. Além dos diferentes grãos, escolhidos de acordo com o blend que é feito com eles e dos tradicionais acompanhamentos como o brownie, o croissant e o pão de queijo, o café vem acompanhado com algo mais.
Na zona sul de São Paulo, podemos escolher entre as inúmeras opções de casas e acompanhamentos: na entrada do cinema, nas livrarias, na hora das compras ou até mesmo em um momento mais introspectivo, conectado a internet. Hoje, as cafeterias transcendem o próprio nome e são um refugio ao burburinho dos restaurantes.
São casas aconchegantes, geralmente mobiliadas com sofá, jardim de inverno, mesinha de canto, decoração impecável e sempre com o aroma do café.
Uma pausa para a história do café
Talvez você já tenha ouvido algumas lendas antigas sobre cabras pastando nas montanhas e comendo os frutos do cafeeiro e, em seguida, ficando saltitantes devido as propriedades estimulantes do café. O que se sabe, ao certo, é que o café é uma planta nativa da Etiópia e que seja conhecida a mais de mil anos no Médio Oriente, especialmente em Kaffa, dai o nome Café. A medida que o café foi se popularizando, os mais abastados tinham salas especiais para consumir a bebida. A primeira abriu em Meca, no final do século XV, e embora originariamente fossem locais de reuniões de religiosos, esses amplos salões onde os clientes se sentavam em esteiras de palhas ou colchões sobre o chão, rapidamente se tornaram centros de musica, dança, jogos de xadrez, gamão e conversas para se fazer negócios. O continente Europeu começou a saborear essa bebida no inicio do século XVI, mas a produção ainda era monopólio dos Árabes. Enquanto isso na europa, comerciantes da Holanda, Alemanha e Itália estavam certamente exportando grãos e tentando introduzir a lavoura em suas colônias.Foram os holandeses que conseguiram as primeiras mudas e junto com os franceses fizeram do café uma das bebidas mais consumidas no velho continente. O mercado consumidor em crescimento fez com que o café chegasse nos países africanos e no Novo Mundo. Esses preciosos grãos vieram para o Brasil através das Guianas. Os seus frutos renderam um verdadeiro legado econômico e cultural para o país, confundindo-se em muitos momentos com a própria história do Brasil e dos brasileiros.
Para bebidas especiais, lugares igualmente especiais
São várias as opções para o cafezinho do dia a dia. Do moderno ao clássico, de grandes redes a ambientes mais caseiros, sem deixar de lado o requinte, o lugar fica ao gosto do freguês.
Café na rua da moda
Na rua mais badalada de São Paulo, o Oscar Café é uma mistura de bistrô informal com a sala de visitas de uma casa moderna e confortável. São dois ambientes espaçosos e espelhados, com fumoir, jardim de inverno e uma adega de vinho cheia de charme. A arquitetura acompanha o estilo contemporâneo num flerte sutil com o rústico e o aconchegante. O projeto é assinado pelos arquitetos Antonio Ferreira Jr. E Mario Celso Bernardes. Materiais modernos como a cerâmica italiana compõem a fachada, convivendo em perfeita harmonia com a madeira de demolição que cobre o piso. A proprietária, Maria Alice Pereira, adora mosaico e em uma das paredes do café uma combinação perfeita de publicidades antigas, fotografias, cartões e souvenir de viagens. No cardápio, uma auto- referência a rua. E o grão escolhido pelo Oscar é o Daterra Bourbon, do Ateliê do café – 100%arábica.OscarFreire,727- Jardins
Com o sabor do café da sua casa
O ambiente do Café Badaró é bastante intimista. O lugar foi pensado e planejado cuidadosamente pela proprietária, Fabiana Seccomandi.
Com espelhos nas paredes para aumentar o espaço da loja, o cliente senta e espera seu café. São dois ambientes; o interno, mais aconchegante e o externo, na calçada da alameda jaú.
O grão vem da fazenda Pessegueiro e os acompanhamentos, bolos e doces, são feitos na própria casa. Alameda Santos, 820 – Jardins.
O charme dos cafés-livrarias é imbatível e não é diferente na loja do Fran’s Café, na livraria FNAC. Um verdadeiro oásis para os amantes da literatura e das artes. O cliente pode saborear um café, ler um livro e ainda ver uma exposição itinerante. No espaço, uma simbiose perfeita entre a arquitetura e decoração do café com a livraria. Av. Paulista, 301- Jardins
Antes da sessão começar
Para quem quer ir ao cinema, o café do HSBC Belas Artes é uma boa pedida. É um espaço propício para um papo descontraído, um encontro entre amigos ou um café antes da sessão começar. Nas dependências do cinema, uma mistura de cores fortes com o preto e o branco. Uma bancada enorme divide a sala, com bancos em volta. Sem contar a decoração de cartazes de filmes, do próprio espaço, que deixa o lugar ainda mais charmoso. Rua da Consolação, 2.423 Paulista/Jardins
Café em grande estilo
Um lugar especial, muito mais que uma cafeteria, cujo ambiente proporciona a possibilidade de se vivenciar uma experiência única. O Octavio Café é um espaço interativo, criado para agradar a todos os sentidos. Amplo, de arquitetura moderna, dispõe de equipamentos multimídia, projeções e coffee meeting. Um lugar ideal para fazer reuniões, saborear um cardápio diferenciado e experimentar um café premium, que antes mesmo de seu lançamento no mercado foi o 1o colocado no Campeonato Brasileiro de Baristas (2006) e o mais destacado no World Barista Championship-Tokyo (2007). O Café Octavio é um espaço que traduz o conceito da marca, símbolo da força do café brasileiro.
Muito além do café...
Do casamento de um neozelandês com uma brasileira nasceu o Santo Grão. Uma empresa onde os colaboradores podem se tornar sócios e empreendedores de novas casas Santo Grão. Já existem 3 casas em São Paulo e, em 2008, a abertura de uma nova loja. Nesse ambiente clássico e confortável, o café é uma desculpa para o encontro acontecer. Mesinhas de canto propiciam um momento para o trabalho ou uma leitura descompromissada e para quem quer aproveitar o movimento da rua, o terraço. A arquitetura foi pensada idealizadores do café, Marco Kerkmeester e Renata Esteve, e o arquiteto Jean Jaques. Na entrada do Santo Grão, um balcão feito para drinks e misturas e nos fundos da loja, um cantinho especial, para os apreciadores dos grãos. O Barista fica do lado da torradeira e o café é torrado e embalado ali mesmo, na frente dos clientes. Rua Oscar Freire 413 - Jardins
Em clima portenho
O Havanna Café recria o clima dos cafés argentinos. Para quem quer relembrar uma viagem a passeio ou a trabalho, o espaço e um pedacinho de Buenos Aires. Para ajudar na ambientação, o uso de ícones como a coroa, a cor amarela e a música Portenha. O café é servido na mesa, a iluminação é suave, os sofás são confortáveis e o cliente tem acesso à internet. Tudo isso acompanhado dos deliciosos alfajores e do saboroso doce de leite, especialidade da casa. Rua Bela Cintra – 1829 - Jardins
Enquanto isso... O mercado das cafeterias segue aquecido.
O que parecia ser modismo firmou-se e hoje é uma boa opção de negocio. O aumento do consumo do café justificou a diversificação, o investimento em blends de alto nível, o treinamento de pessoal e as constantes modernizações. O Brasil é um dos principais produtores e exportadores de café e está em segundo lugar como consumidor, atrás apenas dos EUA. A estimativa é que funcionem aproximadamente 2,5 mil cafeterias no País, movimentando um mercado superior a 70 milhões por mês. A expansão foi enorme nos últimos 5 anos e promete continuar a crescer. O potencial de mercado brasileiro atraiu redes com a Nespresso, o Havanna Café e a maior rede de cafés americana Starbucks, dando animo ao mercado e estimulando novos investimentos.
A melhoria da qualidade dos grãos vem impulsionando o crescimento do mercado de cafeterias no Brasil, na avaliação de Vanessa Mills, gerente do Santo Grão. “O público do café só tem crescido. A chegada de novas franquias é uma abertura de mercado”. O mesmo pensa o gerente e Barista do Fran’s Café.“A vinda da concorrente não é uma ameaça, é um estimulo ao nosso setor”.
Os clientes estão mais exigentes e buscam conhecer o que estão bebendo.“É uma mudança de hábito do consumidor e isso é muito bom”, diz a gerente do Oscar Café, Andréia Rocha.
Viviane Álvares Perez, gerente de marketing do Havanna Café, acredita que o hábito se popularizou e agora o consumidor e mais preparado. “Esse hábito esta cada vez mais difundido. Hoje existem inúmeras cafeterias agradáveis que servem produtos de qualidade para um público cada vez mais exigente”.
Para se adaptar ao mercado brasileiro, a maior rede de cafeterias do mundo, Starbucks, incorporou ao seu cardápio pães de queijo, muffins salgados e croissantes de catupiry, em um esquema Food Service. “Entre os acompanhamentos, o pão de queijo é o líder de venda. Uma de nossas maiores preocupações foi trazer produtos que os clientes fizessem uma ligação imediata com o Brasil. Nós também oferecemos o “Brasil Blend”, um café especialmente elaborado para a chegada da Starbucks no país”, diz Ricardo Carvalheira, Diretor de Operações da Starbucks Brasil. Ricardo também fala da boa recepção da Starbucks entre os brasileiros, “Desde dezembro de 2006, quando a primeira loja foi inaugurada, mais de um milhão de pessoas já nos visitaram. E essa boa recepção já nos permite criar a primeira loja em campinas, agora em junho”. Fabiana Seccomandi, proprietária do Café Badaró, acha que o apelo da franquia são as misturas e os drinks. Segundo ela, a chegada da rede não atrapalhou o seu movimento. Fabiana ainda aposta no ambiente caseiro, intimista. “O cliente espera o café na mesa e pede bolos e doces que são feitos aqui mesmo”.
O café do dia a dia ganhou requinte, o mercado segue aquecido e o publico só cresce. São várias opções para diferentes públicos. As cafeterias oferecem aos seus saboreadores grãos de boa qualidade e diferentes blends.
Uma opção de investimento
A pausa na hora do trabalho para um cafezinho fez com que várias empresas investissem nesse setor.As soluções de vending machines estão cada vez mais presentes em escritórios, hospitais, universidades, centros comerciais e em outros estabelecimentos de grande circulação. A utilização dessas máquinas oferecem comodidade, facilidade e maior rapidez no preparo do café. Além da economia para as empresas, que substituem a manutenção de uma copa por esse serviço.
São várias opções...
Comodato
O pagamento é mensal de acordo com as doses consumidas, que são checadas no sistema eletrônico.
Locação
A máquina é disponibilizada através de um pagamento de aluguel mensal, independente do consumo.
Parceria
A máquina funciona no modelo vending machine e as vendas são divididas entre as duas empresas.
Na hora da escolha
Inúmeras espécies de café são cultivados no mundo, embora no Brasil, existam apenas duas: Café Arábica (Cofeea Arábica) e Café Robusto (Conillon). Essas duas espécies, por sua vez, tem um grande número de variedades e linhagens.
Pó de Café
Esse tipo pode ser torrado ou moído e dependendo do grau de moagem pode ser feito para preparar o café de coador ou expresso.
Grãos de Café Torrado
Eles são torrados, mas não moídos. Os apreciadores de café fresco sempre o utilizam.
Café Solúvel
Os grãos são torrados e moídos , depois seus sólidos solúveis são extraídos e solubilizados, resultando o produto na forma de grânulos ou pó.
Café Gourmet
É um indicação comercial que o produto e de melhor qualidade dentro de uma marca ou categoria.
Café Aromatizado
Café com adição de aroma.
Café Orgânico
Produzidos em lavouras sem o uso de agrotóxicos.
Café Descafeinado
A cafeína é extraída dos grãos verdes de café, antes deles serem torrados.
Café Percolado
A água passa pelo café torrado e moído, extraindo- lhe parte das substâncias que irão compor a bebida. Pode ser frio ou quente, sem pressão e com filtro.
Café Espresso
O café percolado é quente, mas sob pressão em máquina apropriada.
Café instantâneo
Também chamado de café solúvel, os grânulos de café preparados industrialmente são dissolvidos em água fervente.