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Divisórias que unem

18/11/09 - 04:02 | Atualizado em 18/11/09 - 04:02 Mobilidade e flexibilidade são tendências para equipamentos que dividem para integrar pessoas e processos

Pense bem antes de fazer um furo na parede. Se a preocupação no passado girava em torno de aspectos técnicos - atingir um cano de água, a fiação elétrica, por exemplo – hoje a preocupação é outra. Mobilidade e flexibilidade de layouts são aspectos cada vez mais decisivos em projetos arquitetônicos corporativos, característica de uma realidade que exige bom gosto e funcionalidade, sobretudo em mobiliário empresarial.

Além de materiais mais leves e tecnológicos, um caminho certo é optar por divisórias de ambientes modulares que se adaptem às diferentes necessidades do dia a dia e que facilmente podem ser transportadas. São muitas as tendências apontadas pelas empresas, mas existe um ponto para o qual todas convergem: a relação custo/benefício. Pode parecer lugar comum, mas como as divisórias estão intimamente ligadas com a criação de espaços interiores, é inevitável não recorrer a esta relação. Num mercado agressivo, de forte concorrência, variado e sobretudo em crescimento, as tendências e o design ditam os próximos passos, mas precisam oferecer um bom preço final.

O fato de os clientes estarem mais esclarecidos também influencia as tendências, bem como o favorecimento da imagem face à qualidade, acompanhando as tendências indicadas por designers e arquitetos. As palavras chave são versatilidade e capacidade de resposta imediata na execução dos serviços. Outros aspectos como a qualidade dos materiais,capacidade acústica e resistência ao fogo são cada vez mais levadas em consideração. As empresas – normalmente os clientes – estão cada vez mais informados quanto aos benefícios e influenciam as tendências. Quanto aos materiais, as soluções em vidro com alta capacidade acústica são cada vez mais procuradas, graças à idéia de delimitar espaços a nível físico sem que haja uma delimitação visual. As empresas também procuram mais proximidade e envolvimento entre os seus colaboradores e uma solução em vidro dá, ao mesmo tempo, a privacidade necessária e o envolvimento visual esperado.

Além das divisórias em vidro, o aço e o alumínio são materiais que parecem agradar a todos neste momento. O sucesso do aço em divisórias acompanha as tendências dos materiais utilizados no exterior dos edifícios. O mercado, de uma maneira geral, procura uma imagem clean no interior dos escritórios com preferência na utilização de vidro ou materiais que minimizem o uso de iluminação artificial, tornando o ambiente de trabalho o mais acolhedor possível. Nesse sentido, os projetos de divisórias incluem cada vez mais a modularidade de vidros, mesclado com outros materiais, não descuidando de um bom isolamento acústico para um melhor ambiente de trabalho.

Os fabricantes apontam como tendência o uso de materiais que transmitam discrição, com linhas retas, arestas e ângulos marcados. Os tons que marcam os projetos no exterior, principalmente na Europa, são o dourado e o ônix com acabamento polido e acetinado. Escritórios do tipo open space são cada vez mais usados, aumentando a importância das divisórias, elemento cada vez mais fundamental na arquitetura de interiores.


Do piso ao teto

Ao invés de erguer uma parede, opte pela divisória piso- teto. Há desde as mais simples, padronizadas, como os painéis de divisórias navais e o drywall, encontrados prontos e montados conforme projeto, até as mais específicas, como as acústicas, que normalmente utilizam vidro e madeira e são fornecidas mediante o projeto de interiores. Algumas divisórias usam persianas entre vidros e películas jateadas com listras ou lisas.

O sistema de fixação, em geral, é formado por estruturas de alumínio, o que proporciona o saque frontal dos painéis de fechamento e, assim, facilita o remanejamento e a manutenção da instalação elétrica e de telefonia que podem passar internamente pelos painéis. O acabamento dos perfis de alumínio geralmente é anodizado acetinado, sendo comum também a utilização de alumínio polido e pintura epóxi. Thiago Rodrigues, arquiteto do escritório Rocco Associados, indica o uso da divisória piso-teto para compor salas de reunião,“cuja acústica deve ser perfeita, ou locais onde são tratados assuntos sigilosos”, destaca.

Ao contrário da divisória do tipo painel, que tem um caráter predominante de móvel com altura limitada, a do tipo piso-teto é um elemento que adota a função da parede. Isso faz com que tenham exigências maiores, visto que não apenas dividem como recriam ambientes fechados que podem ter luminosidade, ventilação e saídas prejudicadas se não forem bem especificadas. Além disso, estes tipos devem responder a requisitos acústicos, térmicos, de luminosidade e principalmente de prevenção à propagação de incêndio, de vapores tóxicos e na preservação de rotas de fuga. No entanto, de acordo com o objetivo da empresa e do arquiteto, a divisória piso teto pode ser substituída pela divisória tipo painel, conforme o quadro.


PRINCIPAIS APLICAÇÕES DAS DIVISÓRIAS CONFORME SUA ALTURA

Baixa - Com até 90 cm, de privacidade baixa e alta visibilidade do ambiente. É uma tendência para escritórios open space.

Média - Com até 140 cm, possui privacidade parcial e visibilidade do ambiente apenas quando o usuário fica de pé. Atende a empresas que querem oferecer privacidade sem isolamento das equipes.

Alta - Com até 180 cm, a privacidade é quase total, e o usuário só estabelece contato visual com o ambiente ao se deslocar.

Extra Alta - Acimade180cm.Privacidadetotal,semcontatovisual.Recomenda-se,nestescasos, avaliar o uso da divisória piso teto.


Conforto acústico

“A acústica e a arquitetura tornam-se a cada dia mais interligadas durante o projeto e a construção. A maioria dos problemas de ondem acústica poderiam ser solucionados durante o projeto”, afirma a engenheira Norma Batista, mestre em conforto ambiental.

Há padrões para a capacidade de atenuação de ruídos, definidos por norma, e as divisórias são essenciais para o conforto auditivo. Uma divisória é classificada como fraca, por exemplo, quando não é capaz de barrar sons abaixo de 30 decibéis. Isso corresponde a uma conversação normal em voz baixa. Já a divisória considerada razoável é capaz de atenuar sons entre 30 e 35 decibéis, ou seja, a conversação normal é razoavelmente entendida, mas em voz alta é totalmente percebida. Uma boa divisória é aquela que, no mínimo, atenua sons entre 35 e 40 decibéis (conversação alta com baixo índice de compreensão). Mas as excelentes são isolantes de sons acima dos 50 decibéis, ou seja, uma conversação em tom de voz bastante alterado (85 decibéis) torna-se fracamente audível e com baixo índice de compreensão.

Para escritórios, a especialista lembra que é preciso estudar bem os layouts dispondo grupos em ambientes próximos de outros que se interrelacionam no dia a dia, além de observar junto aos fabricantes os níveis de absorção de ruídos das divisórias a serem instaladas.

VOL PRIVACIDADE ALCANÇADA (DBA)
25Conversa normal facilmente entendível
30Conversa normal audível, mas ininteligível
35Conversa alta entendível
40Conversa alta audível, mas ininteligível
45Conversa alta pouco audível
50Grito pouco audível
55Grito não audível


Normas

A NBR 15141, de junho de 2004, é a mais recente delas. A norma trata das divisórias modulares do tipo piso- teto em escritórios e define os requisitos mínimos de desempenho relacionados à dimensão, classificação e aos métodos de ensaio. Em fevereiro de 2008, a pedido da ABNT, o comitê de normas se reuniu e concluiu a primeira revisão da NBR 15141, que substituiu a antiga norma para divisórias leves. Há também a NBR 13964, em referência a divisórias que não se estendem do piso ao teto no ambiente em que são instaladas. Ambas podem ser adquiridas diretamente pelo site da ABNT – www.abnt.org.br. Abaixo, um resumo das modificações contempladas pela nova NBR 15141:

A NBR 15141, revisada e válida a partir de 21 de fevereiro de 2008, especifica as características físicas e dimensionais e classifica as divisórias modulares removíveis tipo piso-teto para escritório, bem como estabelece os métodos para a determinação de sua resistência.A expressão“divisória modular removível tipo piso-teto” designa todas as divisórias que se estendem do piso ao forro ou teto, no ambiente onde são utilizadas, e que são projetadas e construídas segundo módulos combináveis entre si.


Para prevenir

Os edifícios de escritório estão enquadrados em categoria intermediária de risco. As exigências técnicas estão associados à posição dos materiais nos ambientes e esse posicionamento se divide, basicamente, em três classes: Piso, Paredes e Divisórias e, por último, Teto e Forro. No caso de edifícios de escritórios as exigências são menos rigorosas para os materiais aplicados nos pisos e igualmente rigorosas para paredes e divisórias e tetos e coberturas.

De acordo com Antonio Fernando Berto, engenheiro civil do Laboratório de Segurança ao Fogo, IPT-USP, as divisórias e as meias-divisórias em edifícios de escritórios devem ter seus materiais constituintes controlados sobretudo sob o ponto da reação ao fogo. Para tanto, os materiais devem ser avaliados por meio de dois métodos de ensaio: o ABNT NBR 9442 – Determinação do Índice de Propagação Superficial de Chama pelo Método do Painel Radiante, apresentando o índice Ip £ 25; e o ASTM E 662 – “Standard test Method for Specific Optical Density of Smoke Generated by Solid Materials”, apresentando o índice Dm £ 450. “O Laboratório de Segurança ao Fogo que integra o Centro Tecnológico do Ambiente Construído do IPT realiza correntemente esses ensaios”, destaca o especialista.

O arquiteto,ao especificar as divisórias ou meias-divisórias, deve selecionar aquelas que comprovadamente atendam a tais exigências.“Esta comprovação deve ser feita pelos fabricantes dos painéis que compõem as divisórias e meias-divisórias e divulgadas nos respectivos catálogos e/ou outros meios técnicos”, afirma Berto. Os laudos ou relatórios dos ensaios comprobatórios devem ser postos à disposição dos arquitetos para serem integrados à documentação relativa à segurança contra o incêndio da edificação.

Beleza, inovação, flexibilidade e, não menos importante, segurança, devem andar juntos num projeto para interiores, principalmente para o setor corporativo.

Créditos: Flex Editora

TAGS: Credibilidade, Arquitetura, Divisórias