Em uma definição simples e sintética, a fachada nada mais seria do que a simples delimitação entre as áreas internas de uma edificação e o mundo exterior. Mas é exatamente este aspecto que a transforma em um elemento de grande importância e tensão dentro do conjunto das decisões de projeto.
Fachada vem do Latim Face, que significa “rosto” e assim como no ser humano, onde a face gera a impressão que se tem das pessoas, em Arquitetura, a Fachada também cria a atmosfera correspondente. Está diretamente relacionada à época, com os conhecimentos tecnológicos, a regionalidade com os meios e matérias primas disponíveis e finalmente a cultura. De acordo com o arquiteto Roberto Candusso, da Candusso Arquitetos Associados S/C Ltda, as fachadas devem ser de material mais sólido e duradouro. A pedra foi à base de todas as grandes obras do passado, também as únicas que sobreviveram ao tempo, empilhando blocos de granito em forma de paredes, colunas, traves etc. Construíram pirâmides, templos, castelos e monumentos com altíssimo custo de mão de obra, quase sempre escrava ou explorada, condição exclusiva dos Faraós, Reis e Sacerdotes. Frisos, Cornija, Capitéis, Timpanos, Festões, Clavas e outros itens, são marcas evidentes das técnicas de “Cantaria”, tornaram-se sinônimo de status social, “não sou o rei, mas a minha mansão possui os símbolos do meu Sucesso”! Nessa época, não importava se fosse imitação de isopor, contanto que estivesse evidente.
Candusso diz que formas de expressão arquitetônica desenvolvida há milhares de anos vem sendo revistas, reinventada sistematicamente ao longo dos séculos, com vários nomes.
O neoclássico, espelho atual destas vaidades, despencou há tempos no rol do maneirismo, de tão repetido, e já próximo a mais um ostracismo, promete mais um breve período de aceitação e como todo maneirismo, tende a desagradar em curto espaço de tempo.
Outra face destas faces é o regionalismo, os estilos importados de outras culturas, como por exemplo, o estilo mediterrâneo, o vitoriano, o normando, o tailandês e outros.
Fachadas da área educacional
A beleza e o estilo ganham o centro das atenções no mundo de hoje e influenciam a economia, o comportamento e a cultura. Oscar Wilde (1854-1900), já em sua época, afirmou: “Só as pessoas fúteis não fazem julgamentos baseados na aparência. O verdadeiro mistério do mundo são as coisas visíveis, não as invisíveis”. Os gregos é que associaram a ética com a estética, ou seja: ser bondoso é bonito, ser maldoso é feio. Ser honesto é bonito, ser desonesto é feio etc.
De acordo com o arquiteto Sebastião Lopes, da Arqsol Arquitetura e Tecnologia Ltda., a arquitetura de um prédio educacional, não def ine a qualidade do seu ensino, mas é a imagem que a sociedade tem da instituição. A arquitetura seria como a “roupa” da instituição. Se ela se “veste” como um “mendigo”, a sociedade não lhe dará valor. “Uma fachada bonita e contemporânea agrega um valor expressivo ao prédio educacional, aumentando a sua visibilidade e atratividade”, garante Lopes.
Um edifício educacional tem um caráter próprio. Uma igreja tem que ser uma igreja, um presídio tem que ser parecido com um presídio. Assim sendo, uma escola tem que parecer uma escola. A fachada deve transmitir acolhimento, segurança, proteção, transparência, alegria, hierarquia, contemporaneidade, juventude, inovação e socialização.
Existem várias opções de materiais no mercado para serem utilizados nas fachadas, como o alumínio, o aço, vários tipos de vidros, TS, granito, placas cimentícias, cerâmica, pintura acrílica e texturas, brises, concreto, alvenaria etc, que podem ser usados para transmitir os valores acima citados. “Cabe ao arquiteto escolher a que melhor atende o seu propósito e especif içar o material que for adequado”, diz Lopes. As novas tecnologias para ambientes educacionais, segundo Lopes, são a “pele de vidro”, a lâmina de alumínio (natural ou colorido), o aço inox ou titânio (fosco ou brilhante, liso ou escovado, natural ou colorido). Novos tipos de revestimentos cerâmicos (pastilha ou não), plásticos, fibra de vidro etc. “O mais importante é especificar o material em função do objetivo a ser alcançado”.
Depende da intenção do arquiteto a liberdade de criar e inovar deve estar presente em todas as propostas arquitetônicas. Lopes acredita que uma escola não deve atender “tendências” do mercado. “O seu requisito principal é que ela seja um espaço destinado à aprendizagem”.
Como é um edifício social, deve estar sempre em conformidade com a sociedade onde está inserido.
Todo edifício transmite uma mensagem. O edifício escolar deve transmitir mensagens adequadas a sua função. Uma escola não deve ter muros, cerca elétrica ou uma vegetação agressiva. Estes revestimentos são próprios de um presídio.
“O design é tudo aquilo que torna uma coisa cotidiana mais usável ou desejável. Eu diria que viveremos daqui para frente em um mundo em que a forma das coisas adquirirá mais e mais poder”, afirma Tom Peters e também Ruy Ohtake: “O grande desafio do arquiteto contemporâneo é construir obras capazes de atrair cada vez mais pessoas”. Portanto, para tornar o prédio escolar ou universitário mais viável, desejável e capaz de atrair cada vez mais pessoas é preciso se preocupar com a estética.
A arquitetura de uma escola serve para que os seus usuários, professores, alunos, funcionários e pais de alunos, se orgulhem da mesma e sintam-se mais felizes dentro dela.
Para Lopes, um retrofit possui antecedentes formais que, muitas vezes, não podem ser alterados. “Mas uma obra nova se oferece aberta para diferentes propostas”.
Lopes explica que os edifícios educacionais mais antigos traduzem na sua arquitetura um modelo educacional que é totalmente inadequado aos valores contemporâneos. “Se a educação mudou, para que não mudar a arquitetura que abriga esta nova educação”, interroga. Hoje não faz sentido, escolas só para homens ou só para mulheres.
“Clausura, portas nos corredores, salas sem visores etc. só espantam e distanciam alunos e pais de alunos”, acredita.
Como exemplo de mudança de fachada e crescimento no número de alunos do Colégio Magnum, de Belo Horizonte, projetado pela Arqsol, tinha 200 alunos antes da nova fachada e atualmente 4.000 alunos em dois turnos. O Colégio Santo Agostinho, também de Belo Horizonte, tinha 1.200 alunos, e hoje 3.800 alunos. A Universidade Católica de Brasília tinha 3.000 alunos, e hoje tem 30.000 alunos. Pela atratividade de seu design, todas essas obras evoluíram em qualidade e quantidade de cursos, também têm uma demanda reprimida muito grande.
“O mais importante é especificar o material em função do objetivo a ser alcançado”, afirma o arquiteto Sebastião Lopes, da Arqsol Arquitetura.
“A fachada é a membrana que separa o ambiente externo do interno, mas é importante pensar também na estética”, conta Aflalo.
“Cabe ao arquiteto escolher a fachada que melhor atende o seu propósito e especificar o material que for adequado”, garante Sebastião Lopes.
Uma fachada desatualizada em ambientes escolares significa falta de atratividade e conseqüentemente, ausência de clientes. “Hoje há uma procura cada vez maior pela beleza, as pessoas querem lugares bonitos para morar e visitar”, Rui Ohtake.
Shopping
Segundo o arquiteto Antônio Paulo Cordeiro, da Coutinho, Diegues, Cordeiro Arquitetos Ltda., em edificações comerciais, como os Shoppings Centers, as fachadas tendem a concentrar um papel institucional muito forte, onde dois conceitos importantíssimos devem estar embutidos: a relação com o público alvo a que se destina o empreendimento, sendo este possivelmente caracterizado por parâmetros tais como faixa etária, de renda etc.; e a sinalização clara sobre o que é realmente aquela edificação e o que encontramos lá dentro como experiência de espaço construído ou arquitetônico.
As fachadas não são, ou pelo menos não deveriam ser, concebidas em separado no bojo do processo de projeto. “Neste caso elas se transformariam em meras vitrines para novos materiais ou até para alguma tecnologia fantástica de última geração”. “Pior ainda se forem entendidas apenas como instrumento de enquadramento gratuito em um novo estilo ou tendência”, diz Cordeiro.
Na prática, por ser um item onde geralmente encontra-se uma grande concentração de capital a ser empregado, e para que estes sejam bem administrados pelo arquiteto, é importante uma análise cuidadosa das características da edificação.
Centros Comerciais predominan- temente horizontais, com perímetros, às vezes, muito longos, vão eleger pontos de concentração das atenções, e também dos investimentos. Outras construções mais verticalizadas podem sugerir uma maior industrialização de seus componentes.
Questões diversas vão aparecer para as que podem ser observadas à grande ou curta distância, para as que são independentes em seu sítio, ou para aquelas constrangidas entre outras edificações, caracterizando um contínuo edificado.
Por entender que a fachada dos Shoppings e suas áreas adjacentes são percebidas como este grande palco de comunicação, Cordeiro diz que sempre tem a preocupação, quase obsessiva, com as relações entre o novo edifício e o contexto urbano em que ele vai se inserir. “Mesmo sabendo que uma determinada arquitetura não estará traduzida unicamente na(s) fachada(s), e sim pelo conjunto dos espaços, suas articulações e outras escolhas, não podemos negar que, para o público não especializado, a balança tende a pender para o lado em que a fachada pode assumir a responsabilidade de traduzir ou descrever um determinado partido ou linguagem arquitetônica”, acredita Cordeiro.
“Mesmo sabendo que uma determinada arquitetura não estará traduzida unicamente na fachada, e sim pelo conjunto dos espaços, suas articulações e outras escolhas, não podemos negar que para o público não especializado, a balança tende a pender para o lado em que a fachada pode assumir a responsabilidade de traduzir ou descrever um determinado partido ou linguagem arquitetônica”, conta o arquiteto Antonio Paulo Cordeiro.
Edifícios Comerciais
De acordo com o arquiteto Roberto Aflalo, da Aflalo & Gasperini Arquitetos Ltda., existe atualmente uma preocupação com a qualidade ambiental, qualidade térmica, iluminação e a qualidade do ar. “A fachada é a membrana que separa o ambiente externo do interno, mas é importante pensar também na estética”, conta Aflalo.
Para se trabalhar a fachada de um edifício comercial existem alguns pontos relevantes, como a localização, em que cidade o prédio está localizado. “A fachada é como uma forma de expressão da empresa, um cartão de visitas, reflete um momento cultura e tecnológico”. Para os edifícios comerciais, Aflalo destaca alguns sistemas atualmente utilizados: Os Sistemas Unitizados, que emprega partes inteiras da fachada que são construídas fora do edifício. A fachada é levada como um quebra- cabeça para a obra, já pronta. Dentro desse requadro podem ser utilizados pedras, granitos, alumínio etc. O Sistema pré-moldado é constituído por placas pré-moldadas, compõe partes da fachada e os espaços vazios são preenchidos por caixilhos com vidro; As Fachadas Cortina, são perfis de alumínio que correm pelo edifício, sobre ele agregam requadros de alumínio com vidro.
Segundo Aflalo, a tendência em fachadas de edifícios comerciais está relacionada às pré-fabricadas, por ser feito paralelamente à construção. “O acabamento é muito bom”, garante. E o prazo de fechamento do edifício também é superior. O custo é compatível com projetos de alta qualidade, mas normalmente é utilizado em edificações de alto padrão.
Uma boa fachada de um edifício comercial deve garantir boa iluminação, controlar a iluminação excessiva, bloquear a penetração do calor externo ou radiação no ambiente interno.
A segurança é um ponto fundamenta na implantação de uma fachada de um edifício comercial, deve-se seguir as normas exigidas pelos bombeiros e organizações de segurança. Os vidros devem ser laminados, por exemplo.
Em edifícios comerciais, o retrofit é bastante utilizado, para Aflao existe uma grande diferença em trabalhar algo já existente e algo novo. “No retrof it sempre tem o imponderável, por mais que façamos levantamentos da antiga incorporação, pode surgir o inesperado, limitações das estruturas”, garante. O novo edifício tem toda a liberdade de criação, basta levar em consideração a expectativa do programa e o orçamento.
Aflalo exemplifica uma mudança da empresa por conta de sua fachada, o retrofit da IBM era composto de caixilhos de bronze com performance diferente da década de 70, “nesse período a tecnologia avançou muito, substituímos esse material por um trabalho de mudança dos vidros por uma fachada atual, passou a ser cinza azulado, conferiu ao prédio mais credibilidade e beleza ao ambiente”, relembra.
Um edifício comercial com uma fachada desatualizada pode denegrir a imagem constitucional da empresa. “Há uma perda de valor mexendo com a imagem da empresa”, finaliza Aflalo.
Clássico ou moderno, sóbrio ou arrojado, o inox tem muitas face. Uma tendência crescente na arquitetura mundial, o uso deste material é favorecido pelos baixos custos de manutenção e pela grande versatilidade de utilização. Os diferentes acabamentos do inox ArcellorMittal Inox Brasil oferecem aos arquitetos liberdade para criar diversas concepções de fachadas. Superfícies espelhadas, lixadas ou coloridas são possibilidades viáveis e de grande impacto e pode ser aplicado em superfícies planas e não-planas, o que amplia mais o leque de possibilidades de criação.
TecBond que é um ACM (Aluminium Composite Panel) ou Chapa de Alumínio Composto especial para fachadas conferindo um excelente acabamento, em uma apresentação moderna e durável que cumprem os mais rigorosos testes de normas de mercados internacionais DIN e ASTM. Além de ser um material de fino acabamento, sua instalação é limpa e fácil, além de muito rápida, permitem acabamentos em construções corporativas e residenciais, retrofits em arquiteturas já existentes, e construção de fachadas comerciais e corporativas que valorizam a marca e a arquitetura sem negligenciar a Lei Cidade Limpa. Está disponível em diversas cores tanto para aplicações interiores quanto exteriores. Além de alguns acabamentos especiais tais como espelhado e simulação de madeira. Pode ser encontrado em diferentes espessuras, e tamanhos de chapas. O TecBond foi lançado há 3 anos, e vem tendo sucesso absoluto em todas as 16 filiais de vendas da Day Brasil.
Perfil
Sebastião Lopes
Com 35 anos de profissão, é formado pela Escola de Arquitetura - UFMG. Planejamento e projetos de universidades, escolas e colégios públicos e privados, são a sua especialidade. É consultor do MEC, UNESCO, BID e Fundação João Pinheiro.
Candusso Arquitetos
O escritório foi fundado em 1976. Os sócios, Roberto Candusso e Renato Candusso, lideram hoje uma equipe de mais de 50 profissionais altamente que se dividem em oito equipes: criação, projeto legal, execução, maquete eletrônica, habpop, projetos especiais, administração e colaboradores, e juntos, já desenvolveram mais de 1.300 projetos de sucesso nos mais diversos seguimentos da arquitetura, entre eles, residências unifamiliares, condomínios horizontais, edifícios residenciais, edifícios comerciais, shopping, retrofit, hotelaria e loteamentos por todo Brasil.
Roberto Claudio dos Santos Aflalo Filho
Formou-se em 1976 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, com mestrado em arquitetura pela Universidade de Harvard, EUA. É Professor Adjunto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UNIP e um dos sócios da Aflalo & Gasperini Ltda. é arquiteto formado pela FAU-UFRJ em 1978, onde leciona nas disciplinas de Projeto do Departamento de Planejamento de Arquitetura desde 1979. É sócio do escritório Coutinho, Diegues, Cordeiro Arquitetos, com sede no Rio de Janeiro, que se notabilizou pela produção de projetos marcantes de centros de compras e edificações comerciais, atualmente dedica atenção especial aos projetos institucionais e corporativos.
Antonio Paulo Cordeiro