O Bank of China, um dos quatro bancos comerciais estatais chineses, inaugura seu primeiro escritório no Brasil. A filial é a primeira na América Latina.
Segundo o diretor-geral da instituição, Zhang Jianhua, a decisão de abrir operações no Brasil foi tomada no ano passado e autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no começo deste mês. O banco tem presença em 27 países e regiões, e mantém 600 operações no exterior.
A China é o segundo maior fornecedor comercial do Brasil, atrás apenas dos Estados Unidos, e o terceiro principal destino das exportações brasileiras, atrás dos americanos e da Argentina.
Em 2007, o volume comercial entre os dois países chegou a US$ 23,367 bilhões, após registrar um aumento anualizado de 42,55%, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
O primeiro escritório do Bank of China na América do Sul busca fomentar negócios com empresas chinesas instaladas no Brasil, assim como empresas brasileiras que investem na parceria comercial com a China. O escritório foi entregue em junho de 2008.
O Bank of China necessitava da implantação de duas operações distintas: o salão de operações do segmento “corporate” e uma agência de atendimento para operações de câmbio e transferências de valores. A segurança interna e de dados foi um aspecto primordial do projeto.
Projetado para o desenvolvimento
De acordo com o arquiteto Marco André Benjamin, da MB Arquitetura, ambas as operações são acessadas por uma recepção única. Por discrição, as medidas de segurança e contenção foram embutidas em um pórtico de vidro argentato. “Na extremidade oposta do hall de elevadores este mesmo vidro foi utilizado para emoldurar um grande logotipo da empresa a frente de uma fachada em vidro, aonde o fundo vazado do vidro cria um efeito de “back light” com a iluminação daquela fachada”, conta. A logomarca também é destacada com iluminação pontual junto à recepção.
O acesso à agência, através de um portal revestido em bambu, remete a um acabamento secular chinês mantendo, contudo, as características de modernidade do projeto. As portas de vidro blindado são operadas por leitoras digitais ou controle remoto.
O salão de operações centraliza todo o restante do ambiente, ladeado pelas salas de diretoria, salas técnicas e salas de reuniões, minimizando a necessidade de circulações e otimizando a ocupação do espaço.
Antecedendo o salão, uma área de espera para salas de reunião “Vip” também é revestida com o bambu. Todas as salas são fechadas por divisórias acústicas de vidro duplo o que permite uma ótima transmissão de iluminação natural, aumentando a percepção do espaço físico do escritório. “Este efeito também é reforçado pelo paisagismo executado na área externa à frente do salão de operações”, diz Benjamin.
O pavimento possui área total de 1.000m2, sendo 500m2 de área interna e 500m2 de terraço externo. Trinta e quatro pessoas trabalham no novo espaço, entre as áreas “Corporate”, Tesouraria, Contabilidade, Gerenciamento de Risco e “Back-Office”.
O projeto, assim como a decoração que é elaborada pelo próprio escritório, segue linhas contemporâneas que se enquadram com a modernidade do edifício Santa Catarina. A execução de obra levou 45 dias para sua conclusão, dentro do prazo estimado.
Segundo Benjamin, o edifício, na Avenida Paulista, é um dos mais modernos de São Paulo. Localizado no trecho da avenida mais próximo do bairro do Paraíso, foi projetado por Ruy Ohtake e utiliza a volumetria e o coroamento como elementos para destacar-se no entorno. O recuo na porção inferior da edificação pretende evidenciar o esforço da estrutura, com apenas quatro pilares e vãos de 20 metros.
Os projetos de novos edifícios comerciais na Paulista, depois que a avenida perdeu o título de centro financeiro da cidade, ficaram muito simples. Até mesmo exemplares neoclássicos já ocupam alguns terrenos. Contudo, a via ainda guarda parte de seu charme, como um dos símbolos da capital. Por isso, qualquer coisa que ali for edificada ganha justificado destaque, pois, imagina-se, construtores e incorporadores devem adotar projetos diferenciados, tal como se a avenida fosse uma vitrine.
"Conseguimos implementar o projeto com aumento do controle térmico e total isolamento acústico entre as salas, um caso ímpar dentro dos projetos executados neste edifício", orgulha-se Benjamin.
A tecnologia implantada de forro gelado e extração de fumaça foi o maior desafio técnico do projeto, principalmente pela demanda de privacidade do cliente. “Conseguimos implementar o projeto com aumento do controle térmico e total isolamento acústico entre as salas, um caso ímpar dentro dos projetos executados neste edifício”, orgulha-se Benjamin. Outro desafio foi a coordenação do projeto com equipes do Banco da China em Pequim e Nova York.
Além das operações desempenhadas no salão central, salas fechadas na periferia abrigam a sala do CEO, CFO, COO e “Compliance”, além das salas do CPD, sala de treinamento e salas de atendimento.
A modulação do acesso foi idealizada para permitir a acessibilidade de pessoas com cadeiras de roda, sem prejuízo da segurança. “No subsolo foi instalado um gerador para alimentação de toda a rede estabilizada do escritório”, finaliza Benjamin.