Unificar a sede das duas principais empresas do grupo Accor no Brasil. Este foi o desafio proposto ao escritório de arquitetura Edo Rocha Espaços Corporativos em meados de 2003. De lá para cá muita coisa aconteceu e o projeto correu sem pressa. Com a tomada de decisão definitiva acontecendo em 2007, foi realizado um estudo detalhado das necessidades da Accor Service e da Accor Hotelaria e agora a nova sede está em funcionamento na torre dois do complexo WT Nações Unidas, em São Paulo.
A nova sede ocupa os doze andares do prédio, criando uma forte imagem de unidade corporativa, integrando escritórios, salas de reunião, auditório e uma recepção única, além de um restaurante para os aproximadamente mil funcionários e demais áreas de apoio.
De acordo com a arquiteta Isabella de Almeida, do escritório Edo Rocha, o projeto envolveu inúmeros desafios, entre eles, unir em um mesmo espaço duas empresas distintas, com administração independente e políticas internas diferentes. A solução foi criar espaços comuns, com uma linguagem única, como a recepção, a Central de Processamento de Dados e o restaurante, mantendo a individualidade das duas empresas nos andares destinados aos escritórios. “A Accor Service reformulou todo o mobiliário e a Hotelaria optou por manter o mobiliário já existente.
Mesmo com a linguagem única no acabamento das salas, a questão da decoração diferente manteve a identidade das duas empresas”, ressalta Isabella.
Outro desafio foi criar um padrão para a comunicação interna das duas empresas, característica muito forte nos sites anteriores.“Optamos por criar um espaço na entrada de cada andar com coffee break, televisão e um grande painel para comunicados e informes corporativos e para os funcionários.” Ainda de acordo com Isabella, a solução racionalizou a questão, possibilitando um organização das mensagens e a eliminação da poluição visual. Outro desafio, conforme Isabella, foi buscar soluções para atender todas as demandas de um cliente que está vivendo um momento de dança.
A implantação de grandes espaços no lugar de salas no caso da Accor Service é um destaque neste sentido. “Eles estavam acostumados com a divisão em salas e a proposta foi abrir grandes espaços de trabalho. Este tipo de mudança cria impacto nos profissionais em um primeiro momento, mas quando eles percebem as possibilidades de interação, o novo conceito é absorvido de forma positiva”, esclarece.
Nossa sede tem que brilhar, mas não somos ouro
A filosofia de não parecer luxuoso e de fugir da ostentação foi o ponto forte na decoração e no acabamento final do prédio. Foram utilizados materiais, peças de decoração e mobiliário de padrão médio, com foco na funcionalidade e durabilidade, o luxo foi evitado em todos os espaços.
“A recepção é o único local onde foram utilizados materiais, móveis e peças de decoração um pouco mais luxuosos, ainda sim, a linguagem adotada segue a mesma linha dos demais espaços.”
O vermelho e o verde imperam em todos os andares, com exceção do restaurante onde a madeira e materiais simulando madeira foram usados para aquecer o ambiente, combinados com as cores alaranjadas e tons de verde, quebrando a seriedade da madeira.
A intenção foi criar um espaço alegre, quente e o mais distante possível do tradicional restaurante de empresa.
O prédio ideal
Por uma feliz coincidência, quando iniciaram a busca por um prédio que atendesse as expectativas do projeto, a Accor encontrou o empreendimento da W Torres reunindo todas as diretrizes: localizado na marginal, com acesso fácil para o aeroporto e disponibilidade de transporte público. O prédio ainda estava em construção e o projeto arquitetônico era da Edo Rocha o que facilitava a realização do projeto de ocupação do espaço.
A dúvida era ocupar cinco ou seis andares da Torre Um, com lajes mais amplas ou a Torre Dois, com andares menores, mas que poderia ser ocupada em sua totalidade. A segunda idéia foi a escolhida, uma vez que deixa clara a idéia de unidade da empresa e a possibilidade de criar uma identidade desde o primeiro andar até a cobertura.
Para o engenheiro Marcos Mendes, da ACE Engenharia, responsável pelo andamento da obra, a escolha contribuiu para a qualidade da execução, uma vez que a concepção inicial do prédio contemplava todas as soluções tecnológicas necessárias para a instalação das empresas, utilizando conceitos modernos desde a infra- estrutura até as instalações elétricas e de ar-condicionado.
“São 10 mil metros quadrados de área e os andares foram sendo liberados de forma escalonada. Ganhamos um tempo precioso ao iniciar a intervenção antes da construtora finalizar o andar, adaptando soluções de acordo com o projeto de ocupação”, esclarece Marcos.
O maior desafio foi unir em um mesmo espaço duas empresas distintas, com administração independente e políticas internas diferentes, diz Isabella de Almeida, do escritório Edo Rocha espaços corporativos
A coordenação da obra, de acordo com Marcos foi um pouco prejudicada pela iniciativa de repartir alguns serviços, com contratações diretas feitas pelos clientes para determinadas partes da obra. “Acabou criando alguns buracos negros no andamento, mas nós tiramos de letra, encontrando soluções quando o problema se apresentava. Não foi critico, mas dificultou o andamento do trabalho concluindo com cento e vinte dias”, finaliza.
Nos três primeiros andares ficaram as áreas comuns às duas empresas, do quarto ao oitavo andar foram criados os escritórios da Accor Service, incluindo as salas da diretoria e do nono até o décimo primeiro foram instalados os escritórios da Accor Hotelaria, incluindo a diretoria. No último andar foi implantado um salão de eventos comum às duas empresas.