Ecobox é um edifício de arquitetura bioclimática que consegue uma economia de 71% do consumo de energia. Foram criadas para explorar os limites da Arquitetura e da tecnologia na construção de um futuro sustentável.
No início do século XXI, estamos vivendo umas das transformações mais profundas e aceleradas da história da humanidade que está afetando de forma decisiva também a economia, a política, a sociedade e naturalmente o ambiente em que vivemos.
A inovação tecnológica, o desenvolvimento das telecomunicações e Internet, estão propiciando a emergência de uma nova ordem econômica internacional, que muitos chamam de globalização e que se reforça com a progressiva revolução das barreiras comercias, a informação de grandes blocos econômicos e a expansão dos mercados.
O “habitat” da organização são as cidades e os sistemas das cidades. Hoje em dia, aproximadamente 50% da população mundial é urbana, mas em 2025, 75% da população mundial viverá em cidades. Nos próximos 25 anos, quase 2000 milhões de pessoas nascerão ou passarão a viver nas cidades especialmente nas grandes regiões de países em vias de desenvolvimento.
Dar uma resposta coerente aos problemas e às oportunidades das cidades do século XXI, se converte em um tema central, não só desde o ponto de vista urbanístico e territorial, mas também desde o ponto de vista político, econômico, social e cultural.
O desafio da energia e da sustentabilidade
A energia tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento e declínio das civilizações. Vivemos em uma etapa de um crescimento demográfico, econômico e urbano sem precedentes, com alguns níveis de consumo de energia crescentes baseados principalmente em energias fósseis e renováveis.
Alguns especialistas mundiais em geologia, sugeriram que a produção global de petróleo cru em extração por métodos convencionais, poderia chegar ao limite antes do ano de 2010 e no mais tardar em 2020.Tendo em conta a crescente demanda de petróleo tanto nos países desenvolvidos, como naqueles em vias de
desenvolvimento, é previsível que o petróleo se converta em um fator de tensão internacional no primeiro trimestre do século XXI.
No início do século XX, o petróleo gerava menos de 4% da energia mundial.
Atualmente os combustíveis fósseis cobrem quase 80% das necessidades energéticas do mundo. A energia hidroelétrica e atômica, representa em torno de 15% e as energias renováveis, solar, eólica, geotérmica, etc., crescem em ritmo forte sem que se espere um horizonte de capacidade para substituir a dos combustíveis sólidos.
Nesse contexto, tem surgido em nosssa sociedade uma nova sensibilidade e uma nova ética com respeito a relação entre homem e a natureza que vem alcançando cada vez mais protagonismo e que avançam na linha de sustentabilidade e coerência de nosso desenvolvimento econômico. Apostar em novos critérios de desenvolvimento sustentável é uma idéia estendida e aceita cada vez por mais pessoas, desde a arquitetura e o urbanismo, pode-se contribuir em grande medida para a conquista desses objetivos.
A cidade gera uma parte significativa do consumo de energia e do impacto que produz nossa sociedade sobre o meio ambiente.
É fundamental reduzir os atuais níveis de consumo energético, substituir na medida do possível, as energias fósseis por renováveis, utilizar materiais saudáveis, escolher produtos menos contaminantes, projetar sistemas de mobilidade sustentável e evitar tudo o que significaria uma degradação de nosso meio.
Contudo, a intensa atividade de construção que se pode observar na atualidade em nosso meio, se desenvolve habitualmente desde critérios orientados unicamente a maximizar o benefício econômico, com escassa sensibilidade que havia em torno das grandes deficiências de matéria de inovação.
Na Fundação Metrópoli estamos investigando novas linhas de trabalho na matéria de:“Green Technologies”, “Arquitetura Bioclimática” e “ Eco-urbanismo”.
São novos caminhos, experimentais algumas vezes, que estão na consciência do resto de nossa geração em matéria de energia e desenvolvimento sustentável. O Edifício EcoBox, é um exemplo disso.
Ecobox Um espaço para a inovação e a criatividade
A fundação Metrópoli é uma instituição internacional com sede na Espanha, cujo objetivo é contribuir para a inovação e desenvolvimentro das cidades e territórios desde uma perspectiva internacional.
Ecobox, é um edifício sede da fundação Metrópoli em Acobendas (Madrid), que foi criado com caráter experimental, integrando critérios fundamentais.
A criação de um lugar para a inovação , criatividade e o compromisso bioclimático. O design do edifício se inspira em critérios arquitetônicos de sustentabilidade, utilizando as mais avançadas tecnologias bioclimáticas.
O Ecobox, é um experimento que aposta na inovação e pretende promover uma nova cultura da relação entre homem e o seu meio.
Toda essa concepção do edifício se inspira em critérios de economia de energia, fontes de energia renováveis e construção saudável.
A filosofia do Ecobox, em sintonia com a própria fundação, expressa um compromisso com a criatividade e com a construção de um futuro sustentável para o ser humano, para as cidades e nosso pequeno planeta.
Componentes bioclimáticos do edifício.
A orientação do edifício. É condicionado pelos seus próprios terrenos envolventes e tem permitido o design dos subterrâneos e o conceito total do edifício em relação à um diálogo inteligente com aquecimento solar.
Os captadores solares
São vãos que permitem a maior entrada de luz e energia no inverno, garantindo proteção da radiação solar direta no verão através de aletas com ângulos previamente calculados.
Os armazéns energéticos
Situam-se debaixo do edifício, em muros e na cobertura. São massas de cascalho que fornecem uma grande inércia térmica ao edifício e atuam como acumuladores de energia, frio ou calor, dependendo da época do ano, e transmissores de energia aos espaços anteriores quando as necessidades climáticas requerem e conseguindo assim, condições naturais ótimas de conforto.
A ventilação e a energia geotérmica
O ar exterior é introduzido no edifício por meio de cilindros de impulsão e uma grande bobina que interage com o principal armazém energético situado debaixo do edifício.
Um sistema de dutos de ventilação permite, no verão, a recarga térmica dos cascalhos situadas nos muros do edifício.
Outro sistema de dutos, introduz o ar exterior dentro do edifício à uma temperatura de maior conforto tanto no verão quanto no inverno. A temperatura do subsolo em Madrid é de 15 graus permanentemente ao longo do ano.
O efeito Chaminé do salão e as janelas motorizadas
A ventilação do edifício se produz introduzindo desde o ar exterior pré-tratado com energia geotérmica. Quando o ar se aquece no verão, as partes altas do salão, janelas se abrem automaticamente, gerando um efeito chaminé que ajuda à ventilação global do edifício, mantendo o conforto térmico.
Painéis Fotovoltaicos
São 24 módulos glass-glass, capazes de produzir energia elétrica para vários espaços no edifício.
Os painéis solares térmicos e a máquina de absorção
A instalação dispõe de 72m2 de coletores solares de alta tecnologia colocados na cobertura do edifício.
Estes coletores aquecem a água, que se acumula nos grandes tanques solares de 6.000 litros.
A máquina de absorção aproveita da energia da água quente geração de água fria com painéis solares que satisfaçam todos os seus desempenhos no verão.
Piso radiante para o Inverno
Um sistema de pisos radiantes permite uma distribuição muito homogênea das temperaturas do edifício. A mesma instalação de tubos que esquenta o edifício no inverno, utiliza-se para refrigerá-lo no verão com água fria gerada pela máquina de absorção.
No inverno ativam-se os pisos e no verão, os tetos com objetivo de otimizar o movimento do ar dentro do edifício.
Tetos Frios para o Verão
A água fria gerada pela máquina de absorção e acumulação dos grandes tanques, distribui-se pela cobertura e pelos pisos das diferentes dependências do edifício sem nunca deixar a temperatura do orvalho condensar.
Os ventiladores alimentados com energia fotovoltaica permitem desastratificar as temperaturas e melhoram a sensação térmica no verão.
Sistemas inteligentes de monitorização
Foi desenvolvido um sistema eletrônico que questiona a climatização do edifício em função das demandas anteriores, condições térmicas exteriores e da energia solar acumulada nos tanques da cobertura. O objetivo é otimizar o conforto e minimizar o uso de energias não-renováveis. O sistema permite controle remoto através da Internet.
Um conceito arquitetônico Inovador
A concepção do edifício nos seus aspectos funcionais e compósitos responde ao conceito de arquitetura experimental bioclimática.
Cada um dos componentes bioclimáticos, foram expressos de maneira direta com um critério de “sinceridade construtiva”.
O Edifício está totalmente modulado e seu espaço interior permite usos e compartimentos flexíveis e diversos. O seu conjunto constitui uma única unidade térmica e porque os espaços estão interconectados tem a possibilidade de usá-los de forma muito flexível.
O que temos denominado eco-tecnologia inclui a re-interpretação de algumas soluções bioclimáticas da edificação tradicional sobre tudo o que tem a haver com a inércia térmica, orientações, sistemas de ventilação e refrigeração, mas foi integrada também a tecnologia de última geração, orientada ao acervo energético e a utilização e fontes de energia alternativa.
O sistema de climatização do edifício consegue excepcionais níveis de conforto térmico sem necessidade de utilizar uma instalação convencional de ar condicionado.
Os materiais selecionados para o edifício estão em consonância com a tecnologia bioclimática utilizada. Foram utilizados materiais não contaminantes e que incorporam pouca energia em sua fabricação.
Afinal, Ecobox é um resultado de um esforço de inovação na matéria de arquitetura bioclimática, um exercício de investigação aplicada com resultados constatados, que demonstram que existem caminhos novos para chegar a construir um futuro sustentável para a nossa sociedade.