Tokyo sempre esteve em constante mutação em sua paisagem urbana, entre tradicionais templos xintoístas, ruas desconexas que intercruzam num emaranhados quarteirões de formas irregulares, casas de madeiras contrastam-se com o tradicional e moderno; o surgimento de arrojado mega empreendimento vem simbolizando uma nova fase do mercado de novos empreendimentos imobilários japonês.
É curioso entender as transformações radicais presentes em Tokyo, a eficiência na fina arte de construir canteiros de obras colossais que os japoneses executam com a mais alta tecnologia e knowhow apurado numa velocidade ímpar.
Inaugurado em setembro de 2003 sob um custo de mais de 4 bilhões de dólares segundo dados da incorporadora Mori Building, o mega empreendimento Roppongi Hills até então considerado o maior empreendimento urbano já realizado no Japão, foi o pioneiro de uma série de mega empreendimentos que estavam por vir na capital japonesa.
Com uma área aproximadamente de 11 hectares, Roppongi Hills é composto por torre de escritórios, hotel categoria cinco estrela Grand Hyatt, shopping center, museu, cinemas, estúdio de tv, templo, galeria de arte, apartamentos residenciais com 800 unidades e um parque totalizando uma área construída de 729.000 m2. Aberto em abril de 2008, um dos grandes atrativos é um observatório a céu aberto no topo do edifício comercial a 250 metros de altura onde é possível avistar uma bela visão geral do skyline de Tokyo. Outra grande atração é um espaço ao ar livre com uma inovadora cobertura suspensa metálica high-tech chamada Roppongi Hills Arena, área destinada para realizações de eventos, concertos, exposições entre outros para o público em geral.
O bairro comercial de Roppongi é conhecido principalmente pela grande concentração de bares, pubs, clubes, restaurantes da cidade e pela sua agitada vida noturna. O complexo Roppongi Hills criou um novo pólo comercial e cultural da mais sofisticada opções de lazer e entretenimento, que atrai um público nada menos que 40 milhões de visitantes desde a sua inauguração, segundo informações da Mori Building.
Os japoneses na realidade buscaram criar uma nova identidade para a região de Roppongi, uma nova imagem atrativa e ao mesmo tempo acolhedora para a cidade. A chegada do mais novo empreendimento Tokyo Midtown, um dos maiores projetos de renovação urbana do mundo a poucas quadras de Roppongi Hills, celebra o fortalecimento do bairro de Roppongi com a intenção em transformar a região numa Manhattan japonesa. A mídia evoca a idéia de “Tokyo Midtown”, sobre as ruas e avenidas arborizadas e bem planejadas com vitrines de lojas de alto luxo como nas principais avenidas de Manhattan, em New York.
Tokyo Midtown
Com uma área de 569 mil m2, o empreendimento Mitsui Fudosan contratou a experiente empresa de projetos Skidmore, Owings & Merril (SOM) de New York e mais outras seis empresas de arquitetura de ponta japonesa, para repaginar este novo mega empreendimento imobiliário sob um custo de três bilhões de dólares segundo fonte da Mitsui Fudosan. Concebida para impressionar, grandiosa e imponente assim como Roppongi Hills, o novo complexo consiste num edifício principal de escritórios de 54 andares que passa a ser o edifício mais alto de Tokyo (248 metros de altura), um hotel cinco estrelas da rede internacional Ritz-Carlton, apartamentos residenciais, shopping center, restaurantes, museu de arte, estúdio de rádio e um grande parquet típico japonês.
Anexo ao complexo, localiza o museu de design idealizado pelo estilista Issey Miyake, ícone da moda japonesa e projetado pelo badalado arquiteto Tadao Ando, o museu é uma das grandes atrações de eventos culturais e moda.
A preocupação sustentável é levada em consideração em todo empreendimento como o reuso de água de chuva, placas solares entre outros fatores para a obtenção da redução de energia. A presença de grandes áreas verdes nos complexos não só servem para compensar a alta taxa de ocupação do solo mas também para proporcionar um espaço ecologicamente correto para os usuários. Algumas implicações de aprovação de projeto de Tokyo Midtown como a metragem média de 4.320 metros quadrados para cada pavimento tipo e regulametações do limite da altura do edifício foram negociadas por ambas as partes no que resultou numa maior área verde adicionado ao complexo, um espaço de jardim oriental para meditação. Com uma área de 40 mil metros quadrados, o parque oriental de Tokyo Midtown insere perfeitamente na rigidez dos traçados contemporâneos nas fachadas do novo complexo. Os parques também são bem freqüentados pelos japoneses devido a sua falta de espaço ao ar livre em suas residências e também na cidade de Tokyo.
Existem outros novos empreendimentos de escala menor lançados em Tokyo, complexos como torres comerciais, residenciais, shopping center e áreas de lazer tais como Izumi Garden localizado na região de alto poder aquisitivo em Aoyama e recentemente a inauguração do complexo Tsurumi Island na região portuária da cidade, cujo planejamento urbano está inserido no projeto da nova reurbanização da região portuária visando já a candidatura de Tokyo para os jogos olímpicos de 2016.
A presença de grandes “elefantes brancos” no cenário da cidade, não parece perturbar o cenário frenético da cidade em mutação e parece algo comum para o cenário da vida dos japoneses. Vale lembrar que o metro quadrado de Tokyo, um dos mais caro do mundo está cada vez mais valioso e restrito. O alvorecer destas gigantes bolhas de empreendimentos que vai demarcando um novo conceito na capital japonesa é bem absorvido pela comunidade nipônica cujo símbolo do alto consumo sempre reinou em Tokyo, onde o entretenimento local é consumir o que há de mais inovador.
Referência brasileira na arquitetura japonesa
Emerson Kodama, arquiteto formado pela Universidade Mackenzie, 8 anos de experiência em projetos residenciais, comerciais, industrial e interiores e participação em projetos e obras internacionais em Tokyo e Nova Iorque. Atualmente pesquisador em Arquitetura sustentável no Japão pela University of Tokyo.