Na onda do desenvolvimento sustentável, do aquecimento global e da preservação dos recursos naturais do planeta, muitas empresas tem adotado o termo “sustentabilidade” em seus empreendimentos. Mas, até onde isso é real de fato e, principalmente, possível? Nesta matéria, você verá as verdades dentro do tema em projetos de arquitetura e urbanismo.
há um ganho enorme para a natureza. A exemplo disso, ele mostra uma maneira interessante de lidar com a iluminação.“Com um sensor de luminária a um raio de quatro a cinco metros da janela, conforme vai escurecendo, a intensidade da luz aumenta e, quando clareia, ela diminui. Não há necessidade de deixar uma luminária acessa 100% do dia. Esse tipo de conceito numa construção faz toda a diferença, pois acaba economizando água e luz e preservando o meio ambiente”.
Certificação sustentável
Para dizer se uma obra é ou não sustentável, ela precisa estar certificada no LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), que é uma sistematização para a sustentabilidade da construção. Ela é se divide em oito partes de acordo com o tipo de atividade:
1. Para construções comerciais novas ou grandes reformas
2. Para projetos condominiais, campus universitários, instalações governamentais, renovação urbana com vários edifícios numa mesma administração;
3. Para operação e manutenção de edifícios existentes;
4. Para projetos de interiores de escritórios de alta performance;
5. Para projeto e construção de edifícios de escritórios de grandes lajes com entrega apenas de “núcleo e fachada”;
6. Para projeto e construção de edifícios residenciais;
7. Desenvolvimento de loteamentos de urbanismo e equipamentos comunitários; 8.Para projetos escolares em desenvolvimento.
Segundo Ceotto, uma construção com esse rótulo é também chamada de “Edifício verde”, por atender a critérios rigorosos de preocupação ambiental.“Nos EUA se ganha ponto por ser sustentável, como ao criar um projeto com vaga para carro com combustível alternativo e bicicletário. Embora o LEED seja um índice americano, ele corresponde em 80% com as prioridades brasileiras, o que contribui para direcionar as obras no país”.
Para cumprir o LEED, no entanto, a empresa precisa estar atenta desde a fase de ocupação do terreno até a finalização da obra.“Uma ocupação sustentável é muito mais uma construção que fica próxima do metrô ou de um ponto de ônibus, do que uma que não, onde todo mundo terá que ir de carro, consumindo combustível e poluindo o ar”, explica Mantovenni Neto.
A certificação também prevê o consumo no uso de energia dentro do escritório, com a separação na leitura de energia de todos os locais e equipamentos. “Desta forma, é possível detectar onde é a área que está gastando mais e precisa ser trabalhada. Ao invés de deixar um andar inteiro aceso para duas pessoas do financeiro, que vão trabalhar até mais tarde, fica apenas a célula em que elas estão”, ressalta Mantovanni Neto.
De acordo com Ceotto, hoje o LEED é empregado em edifícios novos e empresas líderes de mercado. “Elas devem ser exemplos para outras, assim como para fornecedores, para que eles comecem também a produzir conceitos de sustentabilidade em seus produtos”.
Quanto custa ser socialmente responsável?
Uma obra sustentável não aumenta mais do que 5% uma obra, segundo Mantovanni Neto. Quando se fala que uma construção é sustentável significa também que ela gasta bem menos energia e água. Essa diferença é rapidamente paga apenas com a diminuição da conta de água e luz. “É uma economia permanente. O condomínio,inclusive,de um prédio sustentável é mais barato do que um padrão”.
Além disso, é possível atuar com reaproveitamento de matéria-prima, como é o caso de Andrea Maria Garcia de Mesquita, arquiteta, decoradora e paisagista da AGM Arquitetura e Decoração. “Nos projetos da empresa, aproveitamos tanto o material que já está no local, como o que é utilizado na obra. A exemplo disso, ao invés de comprar um porta nova, cortar outra árvore, é possível reciclar com pintura, reforma, entre outros recursos”, explica.
“Acho que é uma necessidade trabalhar dentro dos conceitos da sustentabilidade atualmente, diz Mantovanni Neto.
Para Ceotto, é também um trabalho de conscientização ecológica. “Na questão do Green Building é preciso criar uma tecnologia de baixo custo e pouca manutenção, ou seja, mais econômica. Compensa investir na sustentabilidade, por isso é importante mostrar para as pessoas que essa realidade é possível”.
Hoje, prédios modernos, que tem certificação LEED, usam água da chuva na descarga e para irrigação. Ao invés de mandar essa água embora, ela é reutilizada, gerando economia de água fluvial do planeta e financeira para os prédios comerciais e residenciais.
“Acho que é uma necessidade trabalhar dentro dos conceitos da sustentabilidade atualmente. É uma obrigação nossa, como arquitetos, pensar no meio ambiente mesmo. Ele é a casa onde a gente vive”, diz Mantovanni Neto.
De uma forma ou de outra, tudo vem da natureza.A diferença está em saber analisar e utilizar cada recurso. Veja como:
- Fonte renovável: madeira, bambu, etc.
- Fonte não-renovável e limitada: petróleo, minério de ferro.
- Fonte abundante: terra e argila.
- Fonte rara: metais preciosos.
“Os materiais renováveis são mais sustentáveis, como é o caso o bambu, que cresce rápido”, diz Mantovanni Neto. “No caso da madeira é importante verificar se tem certificações ambientais que garantam a sua procedência também”, completa.
Uma consideração importante, segundo Ceotto, é a escolha dos materiais. Deve-se dar preferência a produtos que não utilizem substâncias tóxicas, perigosas e poluentes, ou ainda que estejam abaixo do nível normativo, como CFCs, HCFCS, asbestos, chumbo, organoclorados, compostos orgânicos voláteis, CO, O3, Nox e Sox.
Outro aspecto a observar é se a produção está sendo feita com energia renovável, não poluente e com baixo consumo. “Muitas construtoras só deixam modificar e personalizar o apartamento depois que a pessoa recebe a chave. Isso gera um desperdício desnecessário de materiais, pois muita gente quebra e jogo fora pisos e azulejos novinhos”, destaca Mesquita.
“No caso da madeira é importante verificar se tem certificações ambientais que garantam a sua procedência também”, diz Mantovanni Neto
Linha do tempo: Arquitetura sustentável na história
Leopoldo Bastos e Cláudia Barroso Krause, professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro apresentam interessante histórico sobre a evolução da arquitetura até a era da sustentabilidade. Confira!
ROMA ANTIGA
Vitrubius: o sol e o vento tinham um papel primordial na escolha da implantação das cidades - Século I a.c.
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Carvão mineral, ferro, aço, gás, petróleo. Aqui os ciclos naturais são interrompidos – Séc. XIX
MULTIPLICAÇÃO DA ILUMINAÇÃO ELÉTRICA
Sistemas articificiais e elevador. Multiplicam-se os custos energéticos da edificação – Séc. XX.
CRISE DO PETRÓLEO
Retorna a busca da humanidade por sistemas passivos e aproveitamento do clima e da natureza – Década de 70
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Garantir as necessidades do presente sem comprometer as futuras gerações – Década de 90 (marco 92)
AS CONSTRUÇÕES MUDAM O HABITAT
Nas áreas urbanas e rurais. As obras também consomem recursos e geram resíduos em proporções superiores a maioria das outras atividades econômicas. Alguns desses efeitos são transitórios (ruído e poeira). Já outros são persistentes, como os do CO2 de combustão liberado na atmosfera. – Década de 90.
PROTOCOLO DE KYOTO SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Os edifícios novos devem reduzir 40% das emissões de CO2 – Anos: 92, 97 e 99.
AGENDA 21
Plano de ação global para a construção civil que prevê medidas de impactos ambientais por meio de alterações na forma como as obras são projetas, construídas e gerenciadas ao longo do tempo – Ano: 96.
ARQUITETURA ECO-EFICIENTE
Uso de fontes alternativas de energia, qualidade de água e gestão de recursos naturais – Década de 90.
ARQUITETURA SUSTENTÁVEL
Lucratividade através do uso eficiente dos recursos, efeitos prejudiciais ao meio ambiente são evitados, resposta aos atores sociais envolvidos (satisfação do cliente, fornecedor, funcionários e comunidade).