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Sem solução

06/11/09 - 05:12 | Atualizado em 06/11/09 - 05:12 Tráfego em São Paulo

Além desta, políticas urbanísticas quanto ao uso do sistema viário visando a disciplina do uso de veículos, impedindo viagens desnecessárias e definindo condições até para a aquisição de veículos por moradores da cidade, integram um conjunto de possíveis alternativas.

É bom que se diga porém que tais políticas não resolvem o problema, apenas diminuem sua intensidade, mas a custo muito inferiores do que as tais intervenções urbanas caríssimas e de baixo nível de resultados.

Todas estas soluções mitigadoras porem tem um entrave em comum.

Não são populares ou populistas, o que vale dizer necessitariam governantes que assumam a reação negativa inicial que elas provocariam.

Outro dia, vendo televisão, tive a oportunidade de ouvir da boca do conhecido comentarista Joelmir Betting, a seguinte frase sobre a questão do trânsito em São Paulo: “O problema não é o excesso de carros, mas a falta de ruas....”

Com sua fina percepção, Joelmir acertou em cheio, - com esta frase aparentemente acaciana, - a razão maior dos problemas que temos; a verdade é que um sistema viário deficiente e mal utilizado é a principal causa desta situação; e a razão pela qual simples intervenções cirúrgicas, como as que tem sido a forma de ação dos sucessivos prefeitos de nosso Município, nada mais fazem do que transferir engarrafamentos de um ponto para outro.


Deficiente é obvio; mas mal utilizado, perguntarão alguns?

Sim, e a simples observação nos leva a constatar que boa parte deste sistema é utilizado simplesmente como estacionamento, e não como via de circulação de veículos.

De fato, falta-nos uma política de estacionamentos, que substitua a total permissividade hoje existente, por uma proposta mais coerente com as necessidades da cidade. E não me venham falar das zonas azuis, propostas inicialmente como solução ao problema exclusivamente da zona do centro velho, transformadas mais tarde em proposta fiscalista totalmente desvinculada de qualquer finalidade urbanística, e aplicada irracionalmente em todo e qualquer ponto da cidade.

O certo é que as obras ou simples medidas de trânsito até agora propostas, tem se revelado inócuas ou trazido no seu bojo efeitos perversos, tais como o aumento de veículos de um só proprietário para fazer frente ao rodízio, para gáudio dos fabricantes de automóveis; que certamente torceriam o nariz a qualquer proposta de contingenciamento a aquisição de um veículo a, por exemplo, existência prévia de uma vaga para abrigá-lo.

Enfim, eu sempre fui um otimista; quem sabe agora, com a ameaça de uma total paralisação do tráfego, nossos presente e futuros dirigentes não acordam para este tipo de medidas urbanísticas restritivas, e as aplicam apesar do amargo gosto inicial que elas provocarão?

Mesmo porque, não vejo alternativa no curto prazo que nos resta antes do caos total.

Créditos: Flex Editora

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