ARTIGOS

Cem (ou sem)

06/11/09 - 05:03 | Atualizado em 06/11/09 - 05:03

Falar sobre cem. Cem o que? Cem reais, cem dólares? Falar sobre os cem melhores vinhos? Piadas? Projetos de Arquitetura? Sempre vai haver divergências sobre isso, ou parte disso. Com cinco opiniões cem vinhos viram trezentos, quatrocentos, até quinhentos. Sei lá. Cem Projetos de Arquitetura? Chega-se a duzentos fácil, mas e sobre sem?

Um mundo sem vinhos? Não! Sem Projetos de Arquitetura? Não também; quer dizer, mais ou menos, afinal tem cada um, mas tem outros facilitadores que devemos considerar


Vamos falar das coisas boas, sem:

Sem vergonha (isso é ótimo), transgressor, engraçado. Sem pudor, sem medo (impossível), sem tristeza (muito difícil).

Para a arquitetura brasileira o grande remédio é o sem neoclássico e todas as idiossincrasias que isso acarreta.

Para cada prédio neoclássico deveria haver uma guilhotina na recepção!

Uma cidade sem engarrafamento e em frente a sua casa, onde outrora havia um neoclássico, hoje estás sem nada, uma pracinha tipo Pocket Square, para quem está num momento de tristeza, ficar sem tristeza.

As pessoas sem inveja, sem pressão alta, sem colesterol nas alturas. As pessoas sem mágoa, sem ressentimento.

Os aeroportos sem problemas, o povo sem insegurança, a farmácia sem balança e uma feijoada sem nenhuma caloria.

Não adianta você ter cem reais. Sem reais dá no mesmo.

Então vamos sonhar e no sonho sem dor, sem dietas, sem coração doído.

Afinal nunca diga que o seu céu tem cem estrelas pois você dorme antes de acabar de contá-las, mas num céu sem estrelas, debaixo de uma chuva torrencial, não é tão ruim, pois as estrelas lá residem e estão só se escondendo de você.


Vamos para as ruas:

Sem bandidos, sem dengue, sem neoclássico, sem drogas, sem prejudicar ninguém, sem engordar, mas com alma.

Heitor Derbli

Créditos: Flex Editora

TAGS: Crônica