Um bom livro sobre arquitetura hospitalar deve ser sempre saudado, pois se trata de uma área com poucas contribuições. A coletânea Healthcare Facilities , da coleção Building type basics , da John Wiley & Sons, traz um conjunto de quatro artigos de excelente conteúdo, escritos por arquitetos de escritórios americanos que atuam na arquitetura hospitalar. Esta característica dos autores, no entanto, não implica em produtos repletos de fotos e pouco conteúdo, como em muitas revistas de arquitetura. As contribuições, apesar do pragmatismo, preenchem plenamente as expectativas de conteúdo teórico, constituindo-se em verdadeiras aulas sobre o tema.
O primeiro artigo, de autoria de Richard Kobus, da Tsoi/Kobus and Associates , discorre sobre as perspectivas de adaptações e fusões das instituições hospitalares e como estas mudanças administrativas afetam as demandas arquitetônicas. Funciona como uma introdução e contextualização para os estudos seguintes.
O segundo texto, de autoria de Ronald Skaggs, da HKS Inc ., trata-se, sem sombra de dúvida, de um curso de arquitetura hospitalar. Em suas cento e vinte e duas páginas, descreve e analisa as principais unidades de um hospital. Embora tenha o título de “Departamentos de Apoio”, detalha setores como: administração, internação, laboratórios, imagenologia, centro cirúrgico e obstétrico, quimioterapia, radioterapia, reabilitação, central de material esterilizado, cozinha, manutenção, almoxarifado e farmácia. Todas áreas possuem uma descrição bem consistente, inclusive com demonstração do uso de técnicas de programação arquitetônica, como matrizes de inter-relações, fluxogramas e fotos de exemplos visitados.
O terceiro capítulo, de autoria de Michael Bobrow e Julia Thomas, da Bobrow/Thomas & Associates , trata exclusivamente de unidades de internação. Bem completo, analisa a evolução histórica destas unidades, incluindo as tipologias de distribuição espacial mais adotadas nos dias de hoje. Vê-se, ainda, observações sobre suas instalações de apoio, ilustrando com numerosos desenhos em perspectiva, plantas baixas e fotos de soluções já construídas.
Não menos interessante é o último capítulo, de autoria de Thomas Payette, da Payette Associates Inc ., que apresenta unidades de atendimento ambulatorial. O campo de análise se estende por centros de cirurgia ambulatorial, radioterapia, emergência, centros de doenças cardíacas, de câncer e diálise, além de princípios de flexibilidade e análise de fluxos.
Esta é uma publicação que deve ser lida e estudada pelos profissionais da arquitetura hospitalar, pois demonstra que a atuação no mercado não inviabiliza a evolução teórica e formação continuada, além de ser um exemplo de como colegas de trabalho podem contribuir para o crescimento de toda a classe. O conhecimento é mercadoria que quanto mais se dá, mais se recebe, e esta lição precisa ser aprendida pelos atuantes da engenharia e arquitetura.
Antonio Pedro Alves de Carvalho