Com a terrível realidade das mudanças climáticas e da crescente poluição do nosso meio ambiente, os estudos arquitetônicos mais recentes incorporam a noção de sustentabilidade. Trata-se de um conceito polêmico, com várias visões do seu significado, mas que deve ser considerado e pesquisado por todo profissional de projeto.
Chega-nos às mãos um livro de alta qualidade, tanto gráfica quanto de conteúdo, que discorre sobre a questão da sustentabilidade de forma fácil e prática.
Utiliza a metodologia da apresentação descritiva de projetos arquitetônicos,com textos dos próprios autores,constituindo, cada exemplo apresentado, numa verdadeira aula de arquitetura aplicada ao equilíbrio do meio ambiente.
De acordo com os organizadores, os projetos foram escolhidos com base numa preocupação comum com a integração ambiental, utilização de fontes de energias renováveis, uso racional dos materiais, gestão de resíduos nas fases de construção e funcionamento, acessibilidade e respeito às características sociais dos usuários. Apesar de muitos destes critérios serem de mensuração difícil, representam características desejáveis de uma edificação moderna, além de não estarem limitados a alguma forma de certificação, muito em moda nos dias de hoje.
O ponto de maior destaque, no entanto, está nas apresentações dos autores. Todos os projetos são descritos relativamente aos sistemas de gestão do solo, do transporte, da energia, da água, os controles do impacto ambiental e dos resíduos, e os aspectos sociais e gerais. São itens de grande interesse, que fornecem uma visão bem completa de cada solução.
Para os amantes da arquitetura para a saúde são colocados três casos de edifícios construídos na Espanha de programa bem atual: Residencia para Ancianos, do arquiteto Javier de Anton, implantada em Camargana de Terá, Zamora; Parc de Recerca Biomédica, Barcelona, de Brullet y Pineda Arquitectos, e Servicio de Urgências del Hospital Sant Lloreç, Viladecans, do arquiteto Miguel Palmero. Entre os demais projetos – num total de vinte – podem se observar residências sociais, no Chile, uma cidade, na China, e vários edifícios comerciais.
Como crítica à edição, pode ser questionada a falta de maior explicitação da metodologia de escolha dos exemplos – todos de arquitetos europeus, apesar de englobar soluções nos cinco continentes.Da mesma forma, algumas soluções são discutíveis do ponto de vista da sustentabilidade, como em exemplos com uso intensivo devidroeconcreto.Nota-se,também,afaltadetextosmais teóricos de fundamentação da questão da sustentabilidade e uma relação bibliográfica de referência.
Estes pontos, no entanto, não chegam a desmerecer o conjunto do trabalho.Trata-se de um belo livro, que atinge seu principal objetivo: o de apresentar soluções factíveis e práticas para a efetivação de uma arquitetura que considere seriamente o ambiente onde se insere. Merece, sem dúvida, ser consultado e estudado.