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Quando a produtividade e o bem-estar caminham juntos

15/11/09 - 10:53 | Atualizado em 15/11/09 - 10:53 Prevenção é a palavra-chave para a manutenção da saúde ocupacional e a melhora no desempenho dos colaboradores

Jornadas de trabalho extensas, estresse e metas a serem cumpridas fazem parte do dia-a-dia do universo corporativo. Em conseqüência de demandas complexas e de uma competitividade cada vez mais acirrada, é comum que os profissionais passem parte significativa do tempo no local de trabalho. Por esta razão, é indispensável que o ambiente organizacional seja projetado de forma a evitar que os colaboradores sejam acometidos por transtornos físicos e psicológicos e, assim, tenham sua produtividade comprometida.

Cientes de que motivação, conforto e qualidade de vida revertem em resultados, um número crescente de empresas tem investido no capital humano, começando pelas estações de trabalho. Nesse sentido,a ergonomia – ciência que aplica teoria,princípios, dados e métodos a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral de um sistema,segundo definição da International Ergonomics Association (IEA) – é utilizada para avaliar tarefas, produtos e ambientes, a fim de adequá-los às necessidades, ocupações e limitações dos usuários. No caso específico das empresas, a ergonomia organizacional visa ao aperfeiçoamento dos sistemas, incluindo suas estruturas, políticas e processos, e atua, entre outras vertentes, nos projetos de trabalho, cultura corporativa e gestão da qualidade. Com sua prática, é possível reduzir moléstias, acidentes de trabalho e custos operacionais.

Apesar de ter sua importância cada vez mais reconhecida no meio empresarial, a descoberta da ergonomia não é recente. Data de 1857, quando o polonês W. Jastrzebowski desenvolveu o estudo Ensaios de ergonomia ou Ciência do trabalho. No entanto, o termo só foi oficializado em 1949, na Inglaterra, a partir do momento em que o engenheiro inglês K.F.H. Murrel criou a Ergonomic Research Society, primeira sociedade de ergonomia. Hoje, é uma ferramenta utilizada por profissionais de várias áreas com o intuito de agregar funcionalidade aos seus projetos e contribuir para uma melhor qualidade de vida.

De acordo com o presidente da Associação Paulista de Medicina do Trabalho (APMT ), Aizenaque Grimaldi, o princípio básico da ergonomia é adaptar o trabalho ao trabalhador.“O ambiente deve ser agradável, onde o profissional possa desenvolver toda a sua potencialidade, desempenhar melhor suas atividades e, ao final do dia, não se sentir cansado, extenuado, mas bem disposto para as atividades sociais e de convívio familiar, que não podem ser prejudicadas por algum sintoma decorrente do trabalho”, salienta.

O especialista explica que é necessário fazer uma avaliação da atividade que será desenvolvida,do espaço disponível, do dimensionamento e da distribuição do mobiliário. Em seguida, deve-se estabelecer as especificações do projeto com a participação dos funcionários. “O ideal é que o posto de trabalho se adapte ao trabalhador. Um projeto ergonômico sem a participação dos colaboradores está fadado ao fracasso, porque eles são os principais interessados e que mais informações têm para dar acerca do trabalho que será realizado”,diz o médico,complementando que a opinião dos funcionários é importante tanto na concepção quanto na correção de um posto de trabalho ergonomicamente adequado.

Além do mobiliário,a ergonomia engloba outros aspectos relacionados ao ambiente, imprescindíveis para a manutenção da saúde ocupacional, como temperatura, ruídos,vibração e iluminação.“O ritmo de trabalho obriga o profissional a trabalhar com uma tensão razoável. Se ele não tiver um ambiente ergonomicamente adequado, irá forçar o corpo ao extremo e as conseqüências certamente repercutirão fora do ambiente corporativo”, conclui Aizenaque Grimaldi.


Design moderno e funcional

Quando partem para um projeto de mobiliário ergonômico, fabricantes, profissionais e clientes não buscam apenas funcionalidade e conforto,mas também um design moderno e acolhedor. De acordo com a arquiteta e sócia do escritório RD2B, Bethliss Vallini, o design influencia diretamente a qualidade de vida e, conseqüentemente, a produtividade do funcionário, uma vez que na arquitetura, forma e conteúdo estão intrinsecamente relacionados. A executiva acrescenta que esse tipo de mobiliário está perdendo as características comuns aos escritórios tradicionais e ganhando mais vida, com o objetivo de proporcionar aos funcionários um ambiente mais confortável. Outra tendência dos móveis e equipamentos ergonômicos corporativos é a mobilidade, já que é comum movê- los com freqüência.“As estações de trabalho devem ser flexíveis, pois possibilitam a aproximação das pessoas e facilitam a ocupação dos espaços, que estão ficando menores. Antes, cada funcionário costumava ter sua própria baia, agora esta se tornando comum trabalhar em uma mesa de conferência sem divisórias, com quatro ou cinco pessoas”, afirma Bethliss.

Os fabricantes investem continuamente na produção de itens flexíveis e adaptáveis a qualquer ambiente e profissional. Há, por exemplo, produtos desenvolvidos especificamente para usuários de equipamentos de informática.“Nossas estações de trabalho, destinadas ao uso de computadores portáteis, possuem regulagens independentes de altura, inclinação e aproximação, e têm fácil manejo, possibilitando o ajuste ideal para cada biotipo. Para os usuários de monitores LCD, desenvolvemos braços articulados facilmente adaptados às plataformas de trabalho já existentes”, explica o diretor de desenvolvimento Carlos Alberto de Assis.

As empresas também têm investido no desenvolvimento de estações de trabalho para portadores de necessidades especiais. “É um grande desafio, uma vez que devemos contemplar a acessibilidade, funcionalidade e flexibilidade de forma ampla e segura para prevenir riscos físicos causados por acidentes e moléstias da má postura. Para esse trabalhador, desenvolvemos recentemente um apoio especial para os pés, específico para pessoas com displasias esqueléticas e nanismo, que permite o correto apoio dos pés no chão nas atividades em que estiver sentado”, diz o gerente comercial Cesar Diniz.

Na hora de executar um projeto, cabe ao arquiteto e designer informar ao cliente os benefícios de se utilizar um sistema ergonômico e estimular a participação de todos os envolvidos. “Quando é o trabalho é realizado em equipe, todos saem ganhando. O funcionário, por trabalhar com conforto, produzir mais e sentir-se prestigiado; o chefe, por poder contar com colaboradores satisfeitos e um escritório modelo; a empresa, pelo aumento da produtividade, rentabilidade e valor no mercado; e o arquiteto, por proporcionar um ambiente de trabalho melhor aos usuários de seu projeto”, finaliza Bethliss.


Um mercado em constante evolução

No Brasil, há um percentual expressivo de empresas que desenvolvem programas de ergonomia. As companhias são motivadas por experiências bem sucedidas de corporações estrangeiras, reivindicação dos colaboradores por melhores condições de trabalho, rigor da fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), conscientização do empresariado de que o bem-estar do funcionário está estritamente relacionado ao seu desempenho e o objetivo de alcançar o reconhecimento de empresa cidadã.

De acordo com o gerente comercial Cesar Diniz, a participação desse segmento no mercado nacional corresponde de 50 a 60%, principalmente pelas compras das estatais que, em geral, envolvem grandes volumes de mercadorias. “As grandes concorrências públicas, via de regra colocam a preocupação ergonômica como critério fundamental para a aquisição do mobiliário, exigindo, na maioria das vezes, certificações que comprovem de fato as qualidades ergonômicas. No entanto, as grandes empresas privadas também têm peso importante”, afirma.

A arquiteta Bethliss Vallini diz que os empresários reconhecem a importância da ergonomia e estão percebendo aos poucos a diferença que o investimento em mobiliários ergonômicos fará ao longo dos anos. “Eu diria que 90% dos clientes da RD2B demonstram preocupação com bem-estar e segurança no trabalho. Eles estão conscientes dos futuros problemas que a falta de ergonomia possa causar. Este tipo de cliente prefere prevenir do que remediar, ter funcionários saudáveis e felizes. Essa é uma meta que todos deveriam almejar”, enfatiza.

Entidades como Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) são responsáveis por estabelecer especificações de conforto e ergonomia para o desenvolvimento do mobiliário corporativo. Os projetos ergonômicos geralmente partem de necessidades específicas de uma situação de desconforto avaliada ou sugerida. “Atuamos no desenvolvimento da melhor solução, procurando sempre a viabilidade comercial do produto de uma forma geral, mas que também tenha aceitação no mercado”, sintetiza Cesar Diniz. O executivo complementa que o segredo de uma boa saúde ocupacional é a integração entre homem, ambiente e instrumento de trabalho. Para tanto, o projeto ergonômico deve sempre considerar as características fisiológicas, antropométricas, comportamentais, além da avaliação ambiental como um todo.


DICAS PARA UMA ESTAÇÃO DE TRABALHO ERGONOMICAMENTE CORRETA

• MOBILIÁRIO

Optar por mesas sem quinas pontiagudas (tanto retas quanto em “L”) e com espaço razoável na parte inferior, para que as pernas fiquem confortavelmente acomodadas. Escolher cadeiras adaptáveis, que atendam as necessidades dos diversos tipos de trabalhadores que irão utilizá-la. A região dorsal da cadeira deve ter mobilidade, para apoiar bem a coluna do trabalhador, elevando ou abaixando, se necessário. É importante que tenha regulagem de altura do assento, para não comprimir pernas compridas ou estirar pernas curtas. Os braços da cadeira também devem ter a altura regulável.

• RUÍDOS E TEMPERATURA

Para evitar ruídos externos, é preciso pensar no conforto térmico interno, já que o ambiente será fechado. O ar condicionado deve manter uma temperatura adequada. Recomenda-se também o tratamento de teto e paredes, através de materiais acústicos e, quando possível, a utilização de divisórias especiais.

• ILUMINAÇÃO

Quanto à iluminação, para quem trabalha próximo às janelas, a posição correta do monitor do computador é perpendicular a entrada da luz, já que se o funcionário trabalhar de costas, terá um reflexo da luz da janela na tela, e se estiver de frente, terá um reflexo da janela diretamente no campo visual. Se o ambiente tiver iluminação fluorescente, é preciso tomar cuidado para que o monitor esteja o mais perpendicular possível, evitando que a tela fique inclinada e a iluminação do teto provoque reflexo e incomode o campo visual.Tampos de vidro sobre mesas de madeira também devem ser evitados, pois são altamente refletivos e podem provocar cansaço e até um estresse oftalmológico. Segundo a ergoftalmologia (ergonomia do olho), tanto o excesso quanto a falta de iluminação são prejudiciais e podem causar cansaço visual, dores de cabeça e até dores musculares, pois deixam o trabalhador tenso. Os reflexos podem ser evitados com superfícies de trabalho, paredes e pisos foscos e o monitor deve possuir tela anti-reflexiva.

• ADAPTAÇÃO DE ESTRUTURAS JÁ EXISTENTES

Nesse caso, aconselha-se a fazer pequenas alterações, como eliminação de cantos pontiagudos de mesas ou elevação de superfícies de trabalho para uma altura ergonomicamente confortável. Pode-se também corrigir um posto de trabalho em situação de inconformidade ergonômica utilizando acessórios como apoios para os punhos e suportes que apóiam os pés, elevam os monitores e suportes para notebooks, entre outros.

Créditos: Flex Editora

TAGS: Postura, Produtividade