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Ambientes de trabalho

13/11/09 - 09:21 | Atualizado em 13/11/09 - 09:21 Os novos paradigmas espaços alternativos de trabalho

As grandes corporações pressionadas com o aumento dos custos operacionais no ambiente de trabalho, que representam o segundo maior custo após os salários, foram pesquisar alternativas para otimizar esses espaços.

Em 1988 estudos conduzidos por uma equipe de especialistas da Matsushita Electronics Works sob a denominação de Officing abriu caminho pela primeira vez à integração entre pessoas, tecnologias e facilities. Logo depois o conceito de AOS (Alternative Officing Strategies) foi à base fundamental para propiciar novos rumos no design de ambientes de trabalho.

Em 1992, após muitos estudos realizados na Europa e nos Estados Unidos, a empresa de consultoria americana Ernest & Young sob o comando do Sr. Larry Ebert, diretor de Real Estate, cunhou o conceito de espaços de uso temporário denominado Hoteling, eliminando assim 500 postos de trabalho de consultores que na realidade passavam a maior parte do tempo junto aos clientes, o que representou uma economia de 18% do espaço.

Outra pesquisa realizada dentre as 500 maiores empresas citadas pela revista Fortune constatava que uma grande percentagem de funcionários ocupava apenas de 30 a 50% do tempo as suas mesas de trabalho. Consultores internos e externos, terceirizados, vendedores e pessoal de marketing eram os principais dentre aqueles que não ocupavam de forma continua os seus postos de trabalho. Logo se percebe que a fórmula “ Um funcionário=Uma estação de trabalho” não será possível sustentar.

Surgem assim espaços denominados Free Address, Hot Desk, Hoteling, Shared Space, Collaborative Space, entre outros. Estes espaços somados ao conceito de planejamento de arquitetura denominado Combi-Office dão a oportunidade de racionalizar ainda mais o uso destes espaços.

As atividades dos colaboradores foram analisadas no sentido do que, como, quando e aonde eram realizadas. A natureza dessas atividades e o impressionante aumento do uso de novas tecnologias levaram profissionais das áreas de arquitetura, space planning, designers, facilities e sociólogos entre outros a criar novas formas de projetar os espaços de trabalho.

O foco é incrementar a colaboração, participação, interação, integração e a comunicação entre os colaboradores dando assim maior velocidade e fluidez nas informações e tomadas de decisões tão importantes na era do conhecimento. Otimizar os processos de trabalho, alavancar a inovação, atrair e reter os melhores talentos é o que as organizações estão procurando.
Espaços de uso múltiplo, temporários, compartilhados, de encontro, de relax, assim como espaços que possam ser reconfigurados em tempo real trazem uma economia substancial que podem chegar até 40% da área útil de trabalho.

A matriz criada por Francis Duffy sobre interação e autonomia facilita à construção de espaços adequados as novas realidades considerando que as pessoas expendem cada vez mais tempo com reuniões informais e trabalhos em grupo. Também treinamentos e apresentações de projetos são realizados em lugares diferentes dentro das empresas, ocupando pequenos espaços e por um período de tempo muito curto.

Gerar riqueza no ambiente de trabalho centrado no individuo, no seu bem estar, na sua integridade e segurança são objetivos de um bom planejamento. Criar espaços para as diferentes atividades atendendo a cultura empresarial fomenta o aprendizado e estimula a inovação.


Influências na Arquitetura

A arquitetura atende a realidade da sustentabilidade dos edifícios e, por causa disso, há uma preocupação quanto ao desempenho dos materiais construtivos para que questões como a adequação ao sitio onde o edifício será implantado, preocupação com insolação, qualidade térmica, aeração, consumo energético entre tantas outras sejam resolvidas da maneira mais eficiente possível.

Estes conceitos visam à melhoria da qualidade de vida em todos os aspectos e estão diretamente relacionados ao entendimento de uma equação básica e primordial de rendimento vs. gasto energético. As primeiras abordagens em projetos sempre estiveram voltadas a esses aspectos.Entretanto atualmente esta equação estende-se também ás necessidades de qualidade das empresas em todos os seus níveis bem como a busca de maior rendimento com qualidade.
Nos escritórios essas transformações estão associadas ao conjunto de seu funcionamento. Podemos citar alguns itens fundamentais como a sua distribuição física, seu layout, a fluidez de informações e também a clareza e otimização dos espaços físicos entre outros aspectos que devem ser analisados como fatores interdependentes e normativos.

Com isso em mente podemos projetar os edifícios e os espaços contidos neles, de dentro para fora, atendendo a demanda por essas novas realidades, diminuindo ou até mesmo eliminando interferências físicas e arquitetônicas que venham a comprometer o retorno sobre investimento. Os edifícios que hoje pretendem abrigar a atividade do trabalho de escritório têm suas formas de ocupação variáveis no tempo e no espaço e precisam da participação conjugada das atividades dos Office Planners para a re-proposição destes espaços.

O projeto arquitetônico nasce, portanto, das necessidades das empresas e do entendimento de seus escopos e processos de trabalho, organogramas etc. O resultado obtido é a melhora da equação entre custo e rendimento com retorno em qualidade para os indivíduos e empresas.


LEITURAS

THE NEW OFFICE | FRANCIS DUFFY | 1997

THE 21st.CENTURY OFFICE | JEREMY MYERSON | 2003

NEW ENVIRONMENTS FOR WORKING | ANDREW LAING-FRANCIS DUFFY | 1998

NUEVOS DISEÑOS DE OFICINAS | JEREMY MYERSON | 2006

OFFICE SPACE PLANNING | ALEXI MARMOT | 2000

CONTEMPORARY WORLD INTERIORS | SUSAN YELAVICH | 2007

WORK SPHERES | PAOLA ANTONELLI | 2001

OFFICES | CHRIS VAN UFFELEN | 2007

NUEVAS OFICINAS | CRISTINA MONTES | 2003

FACTORIES and OFFICE BUILDINGS | CARLES BROTO | 2008

OFFICE INTERIORS | LINKS BOOKS | 2003


Combi Office - Escritórios Combinados

Conceito concebido na Escandinávia aproximadamente em 1976 e aplicado, entre outros, pelo Arquiteto Niels Torp na empresa SAS, que agrupou as soluções de layout fechado (cellular office) e aberto (open space) com os de serviços. Estes espaços celulares conferem total privacidade ao mesmo tempo em que se integram ao ambiente por conter frontalmente paredes divisórias transparentes.

Cria se assim uma sinergia muito maior, podendo- se agregar outros conceitos como free- address, hoteling, open plan e touch down à solução.

Permitimo-nos aqui sugerir não só o aproveitamento deste princípio, mas ir além e agregar espaços de convivência, criando uma integração total entre todos os espaços.

As grandes propostas atendem as novas demandas e acrescentam valor econômico, uma vez que se pretende otimizar ao máximo o uso de metros quadrados disponíveis.

Espaços combinados é a nossa proposta para os novos layouts de escritórios.

Corporações como Cellular Operations, Arq. Richard Hywell Evans, Wessex Water do Arq.Bennets Associates, DZ-Bank de Frank Gery e a sede da UEFA do Arq. Patrick Berger, entre tantos outros, adotaram o Combi-Office.


LEITURAS

10 X 10 | PHAIDON | 2000

1000 EUROPEAN ARCHITECTURE | 2007

OFFICES BRAUN | 2007

CONTEMPORANY WORLD INTERIORS | SUSAN YALAVICH | 2007


DESIGN GROUP PLANEJAMENTO DE ESCRITÓRIOS

TOMÁS BERLANGA | Space Planner

CARLA RISTORIS | Interiores

PAULO MARCOS BUENO | Composição e arte

Créditos: Flex Editora

TAGS: Escritório, Combinados