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Grandes mercados

10/11/09 - 11:40 | Atualizado em 10/11/09 - 11:40 Grandes construções crescimento com projeção internacional

A cada ano cresce a quantidade de eventos internacionais e nacionais realizados em Centros de Convenção e auditórios no Brasil. De acordo com a International Congress and Convention Association (ICCA), as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Florianópolis, Foz do Iguaçu, Ouro Preto e Campinas foram as que mais receberam eventos internacionais em 2007. Dados divulgados em abril de 2008.

Essas cidades entraram no ranking da entidade e contribuíram para que o Brasil ocupasse o oitavo lugar entre os países que mais receberam eventos internacionais no mundo. Com isso, deixou para trás países historicamente muito fortes no setor, como Áustria, Holanda, Bélgica e Austrália.

De acordo com o arquiteto Nelson Dupré, o mercado de auditórios também está em expansão. “De uma forma geral está dinâmico, pois inclui os espaços projetados para os mais diferentes usos como igrejas, teatros, cinemas, escolas etc., dentre os quais o primeiro, seja talvez, o mais dinâmico no momento”, acredita.

Ao longo da sua vida profissional, Dupré, vem desenvolvendo uma grande quantidade de espaços para Auditórios e Centros de Convenções. Principalmente adequações de edifícios tombados pelo patrimônio histórico. Alguns cujos usos se mantêm, outros adaptados a novas finalidades. “Dentre os primeiros contamos com o Teatro Municipal de São Paulo e o Pedro II, de Ribeirão Preto. Já nos demais, lembramos a Cinemateca Brasileira, cujos galpões projetados para abrigar o primeiro matadouro da cidade de São Paulo, foram adequadas a espaços de exposições e eventos com uma moderníssima sala de cinema, projetada sob o rigor das normas mais exigentes, nacionais e internacionais, e, como não posso deixar de citar, a Sala São Paulo de Concertos”, orgulha-se. Construída no interior de uma estação ferroviária (Julio Prestes), em plena operação, vencendo os enormes desafios técnicos e acústicos que a obra representava.

Segundo Dupré, a arquitetura de um Auditório e de um Centro de Convenções deve ser desenvolvida de modo a atender integralmente ao seu programa de necessidades e às exigências específicas de seu uso, tanto do ponto de vista técnico quanto do artístico. “A arquitetura funde em um único molde o resultado da simbiose das mais diversas especialidades envolvidas no projeto, a fim de torná-lo a expressão legítima das verdades que pretende expressar, tanto funcionais, como operacionais e formais”, diz.

A arquitetura do interior de qualquer Auditório e Centro de Convenção deve refletir sua finalidade e não ser meramente decorativa. Como para cada tipo de ambiente, em função de sua finalidade, se necessita de um móvel de características particulares e específicas. O conhecimento do comportamento relativo de cada um, através de testes tecnológicos pode auxiliar muito a primeira seleção. “O aprofundamento da questão pode levar ao desenho especial da cadeira, como ocorreu na Sala São Paulo, cujo produto foi desenhado por nós e desenvolvido para o atendimento às necessidades específicas de concertos, quanto às superfícies de reflexão, de absorção e ergonômicas, com a sala cheia ou com ela vazia, além da questão de ter seu desenho perfeitamente integrado ao da sala”, explica Dupré.

Segundo o arquiteto, a tendência desse mercado é o da oferta de melhores produtos, mais adequados em função da demanda mais seletiva e de menor custo relativo. “Mas, é evidente que a indústria deve estar “antenada” com as exigências do mercado, principalmente quanto às questões de qualidade e técnica”, alerta.

O mais importante nesse mercado, para Dupré, é o entendimento, por parte da indústria, das características específicas de cada produto em função da sua aplicação. “Para que, cada vez mais, tenhamos melhores possibilidades de evolução”, complementa.

O mercado Brasileiro é potencialmente imenso e nada justifica a ausência de investimentos em novos e melhores produtos, cujas finalidades e aplicações sejam específicas.“Apreocupaçãonessesentidovai se revelar o melhor dos mundos para todos: arquitetos, fornecedores e principalmente, clientes satisfeitos”, conta Dupré.

O mais importante nesse mercado é o entendimento, por parte da indústria, das características específicas de cada produto em função da sua aplicação, explica Dupré.


Compre seus ingressos

Sente-se em uma bela e confortável poltrona, pegue sua pipoca, uma companhia sempre é bem vinda, e não se esqueça de desligar o aparelho celular. A sessão já vai começar. E você pode escolher uma entre as cerca de duas mil salas de cinema existentes no Brasil.

Embora para muitas pessoas esse número possa ser considerado alto, se comparado a outros países, ainda estamos nos primeiros degraus dessa grande escada que é o mercado cinematográfico. E esse aumento gradativo brasileiro no número de salas, é bom deixar bem claro, não aumenta a frequência das pessoas ao cinema.

Segundo o diretor da Abraplex e da Cinemark, Marcelo Bertini, a previsão para o segundo semestre de 2008 até o final de 2011 será lançar 76 novos shoppings no Brasil. Destes, 36 estarão localizados em capitais e 38 no interior, sendo a maioria (cerca de 60%) na região Sudeste.

Porém, abrir cinemas em todos esses shoppings pode não ser um bom negócio.Como no caso do México, onde o número de salas aumentou 33% e o público apenas em 15%.

Um exemplo nacional de que o número de salas não aumenta o público, é em Manaus. De outubro de 2006 a julho de 2008, mesmo com o lançamento de 30 salas nessa cidade, houve um decréscimo de público de 7,5%.

Há uma nova tecnologia em salas de cinema que chega ao Brasil e está movimentando bastante o mercado. Os cinemas com a tecnologia IMAX, que estão fazendo bastante sucesso. Possuem, normalmente, telas com 16 metros de altura por 22 metros de comprimento, contra os 12 metros de largura por 20 metros de comprimento dos cinemas convencionais. Assim, a tela torna-se grande o bastante para preencher todo o campo de visão, dando ao espectador uma incrível sensação de imersão ao filme. Outra característica marcante desta tecnologia é a alta qualidade de som e imagem.

Atualmente existem ao todo 280 salas IMAX, sendo que 60% delas estão concentradas nos Estados Unidos e Canadá. Aqui no Brasil, as primeiras salas estão localizadas no Shopping Bourbon Pompéia, em São Paulo, e no Palladium Shopping Center, em Curitiba, considerado o maior shopping de toda a região Sul do País, com 356 lojas, sendo 16 lojas-âncora, cerca de 50 quiosques, um charmoso Boulevard com oito restaurantes (cada um deles, com capacidade para acolher 150 pessoas), mais quatro restaurantes e outras 25 opções de fast-food para atender a todos os gostos, numa imensa praça de alimentação, com mais de 1.200 lugares sentados.


Crescimentos Hoteleiros

A maior parte dos investimentos em hotéis no Brasil, nos últimos dois anos, foi feita por grupos estrangeiros que estão comprando hotéis já existentes e investindo em novos projetos.

A maioria dos investimentos estrangeiros vem da Europa, principalmente de grupos hoteleiros portugueses, espanhóis e italianos, interessados na costa do Nordeste do país.

Vários grupos já compraram hotéis como o Grupo Pestana, adquirindo oito propriedades, e o Grupo Espírito Santo, que comprou a Praia do Forte Resort, um dos ícones da hotelaria nacional.

Outros grupos como Iberostar e Vila Galé, construíram e estão operando seus próprios hotéis.
Segundo o arquiteto André Sá, o mercado hoteleiro cresceu nos últimos dez anos acompanhando o desenvolvimento do turismo nacional e internacional no Brasil. Neste período novos investidores e operadoras estrangeiras colaboraram para aumentar a participação do Brasil no Trade Turístico Mundial, com o suporte de medidas incentivadoras promovidas pelo Ministério e Secretaria de Turismo.

Grupos espanhóis, portugueses, ingleses, franceses, noruegueses, holandeses e italianos são alguns dos novos desenvolvedores e incorporadores de projetos turísticos ao longo da costa nordestina do estado da Bahia ao Ceará, com tipologias variadas, desde hotéis urbanos, aos hotéis resorts com sofisticados projetos de piscinas e campos de golfes com variadas propostas.

A expectativa do mercado hoteleiro gira sempre no entorno de fatores diversos. De acordo com André Sá, desde a macro economia, através da sensibilidade dos reflexos econômicos no Brasil, com relação aos outros países; até fatores políticos na qual devem ser feitas análises para o desenvolvimento do turismo planejado pelo poder público, através de incentivos e financiamentos; e os fatores climáticos, considerando a sazonalidade aproximada de épocas chuvosas e ensolaradas que incentivam ou não o investidor a opção do investimento hoteleiro.

Sá, trabalha em projetos hoteleiros há 30 anos, acompanhando o crescimento do Brasil. Já se envolveu em hotéis resorts, os hotéis urbanos, além do modelo de apart- hotéis e hotéis-residência. Segundo o arquiteto, o conceito arquitetônico do projeto sempre vai ao encontro do mercado para o qual ele está dirigido: “Quando se estabelece o número de quartos, padrão de estrelas, três, quatro ou cinco, que proporcionam as necessidades em número e tamanho das áreas sociais, lobby, restaurantes, bares etc., e área de serviço”, diz.

Atuando em várias cidades do Brasil, entre os projetos mais importantes de Sá, está o Complexo Turístico Costa de Sauípe na Bahia, com 1.650 quartos distribuídos em cinco hotéis e seis pousadas, integrados a uma vila temática e variadas atividades esportivas.

A funcionalidade de um centro de convenções de um hotel, na arquitetura, é o mais importante para o arquiteto.

“Acessibilidade, integração e multiplicidade dos espaços, atrelado ao equilíbrio da arquitetura de interiores, distribuídos nos ballrom, e nas salas de reuniões privativas, com uma decoração equilibrada a uma iluminação versátil e controlada, são necessários para um bom projeto”, argumenta.


Abram as cortinas

O teatro brasileiro surgiu quando Portugal começou a fazer do Brasil sua colônia (Século XVI). Os Jesuítas, com o intuito de catequizar os índios, trouxeram não só a nova religião católica, mas também uma cultura diferente, em que se incluía a literatura e o teatro. São muitas histórias, muitas peças, e o número de salas de teatro no Brasil cresceu consideravelmente. Juntamente com o apoio à cultura promovido pelo governo brasileiro.

Apesar disso, somente 21% dos municípios brasileiros possuem salas de teatro. Segundo o arquiteto Manoel Coelho, os projetos arquitetônicos para grandes auditórios, teatros e centros de convenções, envolvem uma série de dificuldades que precisam ser resolvidas. “A legislação é muita complicada para este tipo de empreendimento, exigindo circulações amplas, portas de acesso e saídas de emergência”, adverte. Uma série de cuidados, que às vezes, chega a comprometer o empreendimento em termos econômicos.

A Dupré Arquitetura atua desde 1985 em projetos de médio e grande porte e é responsável por mais de 3,5 milhões de m2 de áreas construídas, englobando edificações industriais, comerciais, institucionais etc e prêmios nacionais e internacionais.

André Sá e Francisco Mota Arquitetos, com sede em Salvador, Bahia, vem se destacando pelo amplo espectro de atividades nestas áreas desenvolvidas no Brasil e no exterior. Desenvolveu mais de cinqüenta Shopping Centers, projetos de destaque na área hoteleira e resort, como o projeto Sauípe, Hilton e Meliá, dentre outros. Na área habitacional projetos residenciais, uni e pluridomiciliares, com integração com equipamentos de lazer e cultura foram desenvolvidos em vários estados brasileiros.

Manoel Coelho diplomou-se pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Paraná, em 1967. Dentre vários projetos, participou, a partir de 1971, do processo de Planejamento Urbano da Cidade de Curitiba com projetos de Espaços e Mobiliário Urbano. Desde 1973, coordena a área de Planejamento Físico da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Dirige a empresa MCA Arquitetura & Design onde desenvolve um trabalho integrado abrangendo as áreas de arquitetura, urbanismo e de design.

Emmanuel Augusto Gomes Furtado, graduado em marketing e pós-graduado em Comunicação, Cultura e Arte pela PUC PR, Emmanuel Augusto Gomes Furtado, trabalha na Beaulieu do Brasil há seis anos. É responsável pelo departamento de marketing e divide seu tempo entre a criação e o desenvolvimento de peças publicitárias e a criação/design de amostras.

No caso dos teatros, envolvem aspectos técnicos muito complicados, como cenotecnia, iluminação, acústica e visibilidade, “fatores estes que exigem cuidados especiais”, alerta Coelho.

Em salas de teatro, o ruído indesejado encontra-se no topo da lista de preocupações. É fato que o carpete é a melhor maneira de absorver os sons, além de criar um ambiente relaxante com alta fidelidade sonora. De acordo com o designer de mostras de carpete, Emmanuel Augusto Gomes Furtado, o carpete elimina quase todo o ruído de impacto, uma vez que os sons são imediatamente absorvidos, garantindo som equilibrado e harmonizado, conforme preferência dos fãs desses espetáculos.

“Acessibilidade, integração e multiplicidade dos espaços, atrelado ao equilíbrio da arquitetura de interiores, distribuídos nos ballrom, e nas salas de reuniões privativas, com uma decoração equilibrada a uma iluminação versátil e controlada, são necessários para um bom projeto”, argumenta André Sá.

Créditos: Flex Editora

TAGS: Centro de convenção, Auditórios