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In Memoriam a dois Grandes Arquitetos

In Memoriam a dois Grandes Arquitetos

Texto | Alberto Botti

Conheci Jorge Wilhein e Pedro Paulo Saraiva, ainda nos bancos da Faculdade de Arquitetura Mackenzie; enquanto que Jorge cursava a turma imediatamente antecedente a minha, Pedro Paulo foi meu calouro.

Já nesta época participávamos da política acadêmica, embora as vezes em campos opostos, o que não impediu que uma sólida e duradoura amizade se desenvolvesse entre nós.

Tanto é verdade que, tendo a época sido organizado um concurso para projeto de um hospital geral para estudantes de arquitetura, o Pedro Paulo me procurou, convidando-me à participar de uma equipe que ele estava organizando, juntamente com um colega seu – um tal de Marc Rubin... – mais o saudoso Rubens Paiva, então estudante de engenharia, que figurava como consultor inclusive pelo conhecimento que tinha da área escolhida: Registro.

Não ganhamos, é verdade, mas a experiência valeu para estreitar ainda mais laços de amizade que possibilitaram futuras relações profissionais entre nós.

Mais tarde, quando fui convidado a exercer a presidência da EMURB nos anos 70, o primeiro nome que me ocorreu para a nova diretoria foi o do Pedro Paulo.

Pedro Paulo exerceu assim o cargo de Diretor de Planejamento enquanto lá estivemos, e foi o artífice de um grande número de propostas então desenvolvidas, entre as quais ressalto sua participação na concepção da Nova Paulista, onde sua atuação foi preponderante.

Neste interim, Jorge Wilhein trilhava seu próprio caminho, aberto pela sua invejável capacidade profissional, atingindo altos resultados, não só na iniciativa privada como brilhante arquiteto que era, mas galgando cargos importantes na Administração Pública, incialmente no município como Secretário do Planejamento Municipal, onde organizou o primeiro trabalho de planejamento regional através concorrências abertas, nas quais tive oportunidade de concorrer – e ganhar – aquela dirigida para o planejamento da região sul do município.

Assim se construíram condições para manter e desenvolver aqueles diálogos iniciais dos tempos da velha faculdade, agora fortalecidos pela experiência e respeito comum.

De lá para cá, tanto um como outro desenvolveram carreiras fantásticas; Pedro Paulo, brilhante arquiteto, terrível ganhador de concursos – perdi um para ele... – e autor de alguns dos melhores projetos executados tanto em São Paulo como no resto do país.
Jorge por sua vez, extraordinário urbanista, construiu sua escalada na vida pública, ocupando cargos diversos de maior importância, ao mesmo tempo que desenvolvendo projetos de maior qualidade, como é de conhecimento geral.

O desaparecimento dos dois em período relativamente curto deixa para todos nós, memórias inesquecíveis. Pedro Paulo, pouco antes do seu falecimento, teve a oportunidade de lançar um livro de suas obras; onde começa por apresentar aquele projeto de hospital elaborado ainda como estudante, no que considero uma homenagem aos velhos amigos.

Neste momento difícil de vida profissional para todos os arquitetos, a lembrança e o exemplo destes gigantes da profissão, é sem dúvida um incentivo e confirmação de que o trabalho profissional pode ser gratificante, desde que conduzido com qualidade e dedicação.

Alberto Botti

03/02/17